domingo, 12 de julho de 2009

Sim, era só disso que eu precisava - uma festa de casamento. Somente um evento como esse seria capaz de despertar novamente a face mal humorada e sarcástica desta que vos fala: um ser na iminência de um suicídio emo-style-enforcamento-em-fio-de-ipod que definitivamente descobriu que não pertence a esse mundo.
E não pertenço mesmo. Já não pertenço à salinha congelante de edição do canal, nem ao ambiente familiar querocomerteutoba da produtora. Não pertenço ao mundo dos meus velhos amigos, nem dos meus melhores velhos amigos, e ainda sinto que pessoas que eu nunca imaginei que se distanciariam de mim estão definitivamente afastadas; ao mesmo tempo, não pertenço ao mundo dos meus novos amigos, que por mais que estejam presentes e dentro de minha vida, não compartilham comigo lembranças, saudosismos baratos de épocas marcantes, e outras pequenas coisas que fazem a tal da amizade de "anos" parecer interessante.
Isso tudo me faz acreditar que não pertenço ao mundo.
Isso tudo me faz perder a fé.
Isso tudo me faz perder a esperança.

Mas daí tem uma festa de casamento. Essas convenções sociais categoricamente inventadas para exaltar o luxo, a falsa moral cristã e a capacidade humana de comer 17 coxinhas-creme no palitinho enquanto enche o rabo de vinho e cerveja. Eu de vestido preto e minha mãe logo diz "parece que você tá indo pra um funeral" e respondo com o furor de um tatu bola de óculos "to pra achar a diferença entre um e outro". Clichê. Tão clichê quanto ir ao cabeleireiro e o rapaz te perguntar "e você, quando casa?" e eu responder "no dia que chover canivete" e obter como tréplica a maldita frase que todo mundo insiste em me fazer engolir "esses que dizem que nunca vão se casar são sempre as primeiras".
Não, colega, não vou ser uma das primeiras.
Porque eu não acredito em amor eterno, na saúde e na doença, alegria e tristeza, por todos os dias da minha vida.
Porque eu não acredito em fidelidade incondicional e emocional.
Porque eu não acredito que alguém continuará precisando de mim e me alimentando quando eu tiver 64.

Mas daí teve o casamento. O tédio em forma de bolo de noiva. Todo mundo cresceu, todo mundo emagreceu, todo mundo tá lindo, todo mundo tá saudável, e meu tio tá bebiiinho encostado no canto da mesa. Vejo alguém se aproximando, e ele logo se solta e cobre o alguém de beijos e abraços - logo meu tio, que me cumprimenta com aperto de mão desde que eu tinha 2 anos e 8 meses. Tudo é estranho, meu pai dança I Will Survive de óculos laranja, minha mãe recusa um canelone, meu tio abraça pessoas, e eu, euzinha, de salto alto e base no rosto. Danço. Dou até aquela olhadela básica nos moços aparentemente solteiros, pra ver se acho um pé de meia pra uma noite absolutamente tediosa. Nada. Até meu primo gay parecia mais interessante diante da falta de opção no menu. Hipocrisia comendo solta. A fartura e o desperdício, a ganância e a embriaguez, as aparências e as escondências, tudo misturado a um corpo cristão que havia minutos antes rezado um pai nosso e feito o sinal da cruz. 

Mas daí teve o casamento e eu lembrei que não pertenço a esse mundo. De novo.

9 comentários:

Dai Die disse...

Brilhante!

Dai Die disse...

as "escondências"...

Paula Castro disse...

Lôra bonitinha novata no meu cuore, vc precisa duma injeçãozinha de cor de rosa nessa vida! Vamos sair mais vezes, sim?
:)

Fernanda Galetti disse...

que post longo... /nem li =/

Unknown disse...

too sad!

Diegonzo disse...

ahahahaha
"meu pai dançando I Will Survive de óculos laranja"

meninadosolhosdosterapeutas

tegusto!

Fernanda Galetti disse...

ps: senti um lance... um clima, pintando...

Matheus Mendes disse...

Hahahahahahahahahahahaha... ótimo!

Mas além disso não consigo mais nada. Demoro 10 minutos antes de comentar qualquer coisa aqui...

Abração!

Katyusca disse...

Eu pareço repetitiva com as nossas "semelhanças", mas de fato, não pertencemos.