E olha, tudo o que Natal tem pra mim de chatisse e depressão, o ano novo tem de bonito e divertido.
Daqui a pouco to indo lá pro Psicodália... rever pessoas que fizeram parte das maiores loucuras de 2009... fazer mais algumas besteiras antes do ano acabar.
Eu sei que tô chovendo no molhado, mas 2009 inteiro foi incrível. Eu sou uma pessoa completamente diferente hoje do que eu era a um ano atrás. E olha só, acho que mudei pra melhor - tirando meu processo de engorda que pretendo reverter em breve.
Só as VIBE DO BEM, GOOD VIBRATIONS, ALEGRIA E PAZ, o resto a gente inventa!!!!
Ano que vem eu volto pra contar do Psicodália, e quem sabe fazer alguma retrospectiva desse ano.
Beijos a todos, com muito carinho mesmo.
FELIZ 2010 MACACADA!!!!!!!!!
quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
sexta-feira, 25 de dezembro de 2009
Um desses de Natal.
É, bonitada. Tá aí, mais um ano de bom velhinho e todas as papagaiadas típicas do dia 25 de Dezembro.
Acordei cedo na manhã de natal. Jesusinho já tá lá na manjedourinha, e não fosse o feriado, seria a mesma coisa de sempre. Meu pai me chama pra andar no parque, eu recuso. Recuso, assim como eu recusei festejar o natal com minhas amigas e alguns outros conhecidos. Ainda quero entender o motivo. Pode ser a enxaqueca, pode ser a psoríase. Lá vem ela me dominar de novo, por mais que eu lute contra.
O curioso é que eu não me incomodo com ela perto de algumas pessoas. Vou de sainha e chinelo na Augusta com alguns amigos numa boa, mas parece que com outras pessoas, semi-conhecidos, essas coisas, elas são quase uma lepra. Sim, 2009 foi bom demais pra terminar bem, claro.
Aliás, não quero fazer posts sobre 2009 antes de terminar o ano. Eu sinto que ainda tem coisa pra acontecer, e coisa que vai mudar outras coisas.
Ontem eu tinha coisas importantes pra falar sobre o natal. Juro que eu tinha. Parece que hoje já passou tudo, todo o sentimento, até a eterna indecisão sobre o que eu acredito ou deixo de acreditar. Não acredito em Jesus, não acredito em religião nenhuma, não acho graça em comemorar o aniversário de um messias que ninguém compreende, e ainda assim não me conformo com pessoas gastarem milhares de dinheiros, se vestirem bem, comerem fartamente, ficarem bêbadas e acharem que o espírito do natal é essa festa disfarçada num manto branco de paz, quando na verdade é mais um dia como qualquer outro - a diferença é só a obrigação social de ser feliz, e de amar a todos.
Eu sei, eu sei, eu tenho essas tendências maníaco-depressivas desde que me conheço por gente, mas era diferente antes. Eu realmente saía na rua, com meus amigos, filava bóia em todas as casas da cidade, abraçava pessoas e dizia feliz natal, dava e ganhava presentes, achava tudo aquilo lindo e tinha pra mim um significado. Crescer é isso? Seria a regra número um de crescer perder o encanto de tudo que não tem sentido prático?
(será que daqui alguns anos eu serei como meu pai?)
Admiro, sim, aqueles que conseguem ainda sentir a magia do natal, levantar as taças de champanhe e achar tudo isso bonito. Mas que me perdoem os que não se sentem como eu (juro que eu queria ser como vocês) e que me perdoem aqueles que pensam nesse momento "é cult odiar o natal", mas é algo que eu não posso mais controlar. E eu não odeio o natal, nem amo. Só me é indiferente.
Ho Ho Ho.
domingo, 15 de novembro de 2009
Romântica.
"Romântica." Foi até engraçado, eu lembrando do dia que o Jasper me falou "Você é romântica" atravessando o Minhocão enquanto íamos para a faculdade, e eu fiquei com aquilo na cabeça como uma britadeira em manhã de ressaca. Obviamente ele não sabia o que estava dizendo, eu, romântica, ha ha ha, sem cabimento. Alguns anos depois, sem a mínima conexão pessoal entre os fatos, o Leonardo me fala a mesma coisa. Mas que grande sacanagem psicológica, que grande mentira estrutural.
É impossível, nessas alturas do campeonato, me chamar de romântica. Vejamos a natureza dos fatos: meu primeiro namorado me traiu com minha amiga e seu ânus, meu segundo namorado me fez entender que o amor não supera tudo, meus amores platônicos nunca passaram do campo dos sonhos (malditos sonhos que insistem em me perseguir nessas noites idiotas) e acho que desde que caí na real sobre a máxima "você já gastou sua cota de amor", perdi de vez o juízo. E o mais legal de tudo é que perdi o juízo sobre todos os aspectos mesmo, não só o do romantismo barato de se apaixonar e sofrer por isso, não, definitivamente eu perdi alguns parâmetros. Agora, vejo que se meu trabalho não tem sentido, melhor parar de procurar por ele. Se minha especialização não vai mudar minha vida, desisti de procurar mudanças. Se as coisas vão ficar como estão, se o que eu sonho não vai acontecer, melhor parar de sonhar. Mas cá pra nós, tem sentido viver sem sonhar?
Não tive muita escolha. Resolvi sentir tudo ao máximo. Cada vibração de vida, cada espaço de tempo, a força das palavras que escrevo e das que nunca digo. Me pego intensa nos braços de alguma pessoa, me entrego em cinco ou seis copos de uma birita qualquer, minha loucura extravasa o que acredito, e falo que sinto e sinto tudo, e sinto muito.
Inclusive aceito saber que vou sentir as dores de perseguir desejos.
E assim que defino, por própria autoria de tese, que se sinto de tudo, na verdade sou a mais fria das frias. Preciso do gosto doce derretendo em milhares de extremismos, para acabar sozinha e fazendo das tripas coração para tirar o que sobrou de esperança em mim. Pra fechar o dia, me divirto completamente, sou do mundo e sou de todos, caibo em todos os sonhos e loucuras, em copos de bebida barata, num grito de liberdade que ficou preso na garganta.
Eu não posso ser romântica. Isso acabaria com toda a tríade sexo, drogas e rock'n'roll que venho usando como forma de desprendimento dos desejos.
Quando decido por mim levantar, às 10:43 da manhã, de ressaca e com cheiro de cigarro na fronha, rolo para fora da cama babando e com bafo, e meto a cara num bloquinho de papel pautado que eu costumo anotar coisas do trabalho. Um lápis está em cima do papel, e tento traduzir o que está escrito. Poesia de bêbado, indecifrável. Devo ter escrito com o piloto automático ligado, ou virei psicógrafa de boteco.
Convenhamos, um ser romântico não faria isso.
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
Dream On
- Is it over?
Foi essa a primeira pergunta que me fizeram, lá em meados de 1997. Eu tinha meus 11 anos, e até então só tinha engolido discos do papai. Não que isso seja ruim: seu Zé me ensinou direitinho que as melhores bandas de todo o mundo são Queen e Pink Floyd, desde que eu tinha algumas semanas de vida. Quantas viagens pra Cafelândia cantando Dire Straits, ou tardes em casa ouvindo Led Zeppelin no véio toca-discos.
Mas era eu, com 11 anos, assistindo MTV pelas primeiras vezes de um ser na pré-adolescência precoce. Senhor Steven Tyler sentado em uma cadeira elétrica, se esgoelando com aquela boca de 29 cm de raio, uma música emocionante, e eu era apaixonada pelo menino mais nerd e magrelo da classe (logicamente não-correspondida). Pimba, descubro a banda que formaria o meu caráter: Aerosmith.
Corri pro computador. Internet discada, primeiro tempo da boa e velha UOL - Experimente por 30 dias, aquela emoção de ouvir o barulhinho rouco da conexão se estabelecendo. Em alguns minutos já tinha descoberto quase tudo o que precisaria pra pedir de presente pra mamãe meu primeiro CD não-infantil (sim, até então eu tinha um da Xuxa e outros dois da Sandy & Junior). Deve ter sido espantoso: uma menininha doce e boba como eu pedindo pra mamãe um CD cuja capa era um trem meio indiano, meio sexual, meio rock'n'roll demais. Ganhei. Lembro que CD na época era caro, uns 20 reais. Pra mim era caro. Eu gastava só na cantina do colégio e no Seu Tibério, com a Livia e a Marcella, comprando Cheetos, Toddynho e Charge. Sim, eu sou gorda de infância.
Devo ter passado coisa de uns 6 meses ouvindo só Pink e Hole in My Soul (nessas alturas o clipe de Pink já passava na MTV e minha mãe e eu víamos empolgadas todas as vezes). Fui descobrir o resto do Nine Lives só lá pra 1998, época essa em que me vi correndo em uma esteira ergométrica (inutilmente, confesso, com 12 anos tentar fazer regime) pensando em como seria minha vida caso eu me casasse com o Steven Tyler. Sim, pessoas, era eu com 12 anos completamente apaixonada por um tiozão de quarenta e tantos. Devia ser isso, acho.
Não durou muito, pedi o Big Ones de presente. Orgasmo auditivo: eu, cara a cara com o melhor do Pump, Get a Grip e Permanent Vacation. Descobri o solo de guitarra mais lindo do mundo (Joe Perry em Amazing), e a essas alturas do campeonato eu já tinha uma pasta dessas de plásticos anexados, com inúmeros posteres comprados em bancas de jornal, fotos impressas do Steven Tyler, biografia de todos os membros e da banda, já sabia de cór todas as datas, tinha músicas traduzidas com meu porco inglês do CNA, e definitivamente tinha planejado minha vida para me encontrar com o bocão e casar-me com ele.
Lá pelos 14 anos fiz minha terceira aquisição musical - Graetest Hits 73-82, com músicas dos melhores discos dos caras. Tinha desde Dream On, até a desconhecida Kings and Queens, que eu adorava. Lembrem-se: em 1999, essa palhaçada de internet ainda era coisa de rico, e meu pai não me deixava nem pensar em instalar um programa pra baixar músicas. Tudo o que eu ouvia era literalmente garimpado de rádios e moedinhas juntadas pra comprar CDs.
Eis que a gente cresce e começa a ouvir bosta, é o ciclo da vida. Num dia qualquer, que eu faria 15 anos, pedi pra um amigo que tinha gravador de cd no computador (!) baixar umas musicas e me dar de presente. Nessas eu lembrei de uma banda que havia ouvido falar, de longe, chamada Dream Theater. "Baixa qualquer coisa aê, só pra eu conhecer." Que eu me lembre, foi Erotomania e 6 o'clock. Achei um lixo. Mas percebi, de certa forma, que eu buscava mais desafios musicais, que Aerosmith estava começando a ser segundo plano. Com medo, e já grandinha, chamei a Livia pra ir comigo na Galeria do Rock, e comprei o Permanent Vacation. Pouco antes, tinha conseguido comprar o Pump e o Draw the Line. Aerosmith foi renascendo em mim como uma brasa retorna à chama, e lá era eu gritando por tantos os cantos Checkmate, don't be late, take another pull!
Mas o destino nos prega peças. E essa foi das brabas. No auge de minha paixão pela banda e da decisão que iria mesmo fazer amor com o Tyler pelo menos uma vez na vida, eles me lançam o Just Push Play.
Na mesma época, a Livia que já tinha acesso a algumas coisas mais interessantes, me mostrou uma música de uma banda que eu tinha alguma lembrança, algum interesse latente: Strange DejaVu, de um tal Dream Theater.
Batata.
Peguei ela, todos os meus cds do Aerosmith e fui pra Galeria do Rock, puta da vida. "O sonho acabou", pensava eu, "Just Push Play é pior que comer merda." Vendi quase minha coleção inteira dos caras e catei a grana pra comprar uma camiseta do Dream Theater.
Sorte que não quiseram me comprar o Draw the Line. Um dia qualquer, já com uns 17 anos e um pouco mais de maturidade musical, voltei a ouvir os clássicos do Aerosmith, e voltei a me apaixonar por tudo. Até pelo Just Push Play (que tbm não tinha conseguido vender). E o tempo passou mais ainda, até que em 12/04/2007, os caras tocaram aqui na Terra Brasilis, onde tem palmeiras e canta o sabiá. Nem preciso dizer que foi o show mais esperado da minha vida e depois de um estado de choque, desandei a chorar durante 5 músicas.
O show acabou, eu não conheci o Tyler, mas aquilo foi um dos melhores presentes que o destino poderia me dar.
Acontece que 2 anos depois eu tenho a notícia que o Steven Tyler resolveu sair do Aerosmith. Não quero me estender aqui sobre a notícia, mas ela é oficial e verídica. E desculpem-me fãs de Joe Perry, mas a banda sem ele é só mais uma de Hard Rock farofa. Até seria bom se acabasse tudo de uma vez, eles já não produzem como antes, e viraram malditos comerciantes de música.
Como eu disse, o sonho acabou mesmo no Just Push Play, que pra mim é o ápice de decadência musical dos caras. Mas não posso negar a energia e loucura desses malditos no palco, levantando a galera com riffs que grudaram em nossas cabeças e fizeram parte de minha vida.
Agora eu só espero que o Tyler reconsidere sua decisão e em 2011 (antes do mundo acabar) resolva juntar a banda de novo pra uma tour caríssima e especial. E eu vou, e vou ficar na grade, e chorar 5 músicas seguidas, e tentar conhecer o Steven. Afinal, a gente tem que sonhar até o sonho virar realidade, né?
"So, from all of us from Aerosmith, to all of you out there, wherever you are, remember: the light in the end of the tunnel may be you. Goodnight." (trecho final de Amazing)
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
Preciso postar algo novo, né?
Mas eu to fraca literalmente, perdão.
Não to nem engraçada, nem depressiva. Na sabedoria popular, estou BEM.
E ouvindo Roberto Carlos, sempre.
domingo, 27 de setembro de 2009
Sobre a morte e contas de vidro.
Vida, esvai-se com o suspiro lento dos passos
como as imagens de um caleidoscópio colorido
traça seus desenhos pelos espelhos dos nossos olhos
nossas paredes, nossas almas.
E não há momento que se repita, não há imagem que volte
presa no meu tracejado, desenho a morte como as contas nos espelhos
vem alegre com um movimento, e vai embora
o meu desenho sem volta.
Espero-te, enquanto me espera
com meu sorriso preso num cárcere de contas
brilham os pontos e hipnotizam sem a gentileza de me dar escolha
escolhe a morte sozinha a minha hora.
Como o desenho louco de um caleidoscópio.
Como o desespero mudo do que jamais volta.
como as imagens de um caleidoscópio colorido
traça seus desenhos pelos espelhos dos nossos olhos
nossas paredes, nossas almas.
E não há momento que se repita, não há imagem que volte
presa no meu tracejado, desenho a morte como as contas nos espelhos
vem alegre com um movimento, e vai embora
o meu desenho sem volta.
Espero-te, enquanto me espera
com meu sorriso preso num cárcere de contas
brilham os pontos e hipnotizam sem a gentileza de me dar escolha
escolhe a morte sozinha a minha hora.
Como o desenho louco de um caleidoscópio.
Como o desespero mudo do que jamais volta.
Lembrando que, como eu disse outro dia pra um amigo e como eu vivo dizendo por aí, acho meus poemas um completo lixão, isso tudo não passa de um vômito de sentimentos jogados no papel em pequenas sentenças agrupadas. Não me levem tão a sério.
E eu não sou assim tão depressiva quanto pareço, juro.
Beijo-lhes.
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
Folhas Secas
Declaro, para os devidos fins
que acima de tudo e de todos
e com a maior certeza do mundo
desisto.
Desisto
assim, com a mesma leveza
com que o vento desgruda
a folha seca no inverno,
que toca o lago, tranquila
criando ondas na noite.
Desisto.
E como tudo no mundo, o faço
da mesma forma que larguei o tênis
jogado no canto do quarto,
parei com o regime forçado
e tentativas improdutivas de produzir
cada vez mais e mais e mais e mais.
Desisto, como deixei meu amor morrer
sobre as folhas roxas de um ipê,
como a receita do doce de maracujá
que deu errado.
Desisto
e se fosse possível medir esse grito
pediria pra deus mais universos,
enquanto jogo no chão minhas armas
junto com os escudos comprados
em uma loja de velharias qualquer.
Se ainda me fosse possível sentir,
ou fingir um sorriso de outrora
- aquele, de criança que encontra
a mãe perdida na multidão de uma magazine,
ou que ganha uma besteira qualquer
quando o pai volta do trabalho.
Se ainda me fosse permitido algum vício
qualquer um desses que todos têm:
álcool, drogas, sexo fácil
violência gratuita, religião
novela, poker, café.
Nem isso.
Minha sentença corre em cada veia
enquanto fito meu algoz no espelho.
Se ainda me entregasse às ilusões
(só mais uma vez, só)
ou pudesse confiar além de crer.
Só mais uma frustração,
só mais uma frustração
e mais uma frustração,
que nem pra morrer eu dou conta.
Desisto.
quarta-feira, 9 de setembro de 2009
Joelho.
É tanta bagunça no meu quarto, mas tanta. Quase que me confundo ainda mais. Olhei pro roxo no meu joelho hoje de manhã. Eu sempre estou com o joelho roxo, sempre levo cacetada, sempre caio de bunda. E falando em bunda, estou com uma espinha daquelas doloridas, na banda esquerda. Sempre é na esquerda. Já viu como fica ridículo sentar quando se tem uma espinha na bunda? Parece eu, semi-acordada, semi-bêbada, semi-bem-vestida, olhando aqueles belos rapazes sentados na padaria... Vou andando, leve, simples e suave coisa nenhuma, e no primeiro vacilo vai tudo pro chão, inclusive eu. Roxo no joelho. Batata. E daí peço o maldito frango pro cara da padaria, e volto àquele questionamento que não tarda a perturbar minha mente (já quase nada afetada) sobre a origem da farofa ser enfiada no cu do frango. "Quer farofa?", "Ah Manoel, vá pro inferno e enfia essa farofa no cu!", "É pra já!", e fim de papo. Não dá pra pensar que foi diferente.
Falando em pagar mico, ontem eu fiquei até 1h da madrugada ouvindo CPM22. Coisas inesquecíveis da vida incluem os três episódios que irei relatar em breve, caro leitor.
No primeiro deles, eu estava no cruzamento da Faria Lima com a Juscelino indo pra Cafelândia. É, a cidade do café, isso mesmo. Clichê, né? Aposto que se fosse a cidade da couve-flor, não se chamaria "Couveflorândia". Mas voltando à história, eu tava lá no carro com a Livia Maria (cantando bamos oiendo una canción, na na na), e o Portoga - baixista do CPM22 - emparelhou seu carro com o do meu pai e ao reconhecê-lo, a Livia me grita "Ela te ama!". Pior que era verdade. Me afundei no banco, mas ganhei 3 adesivos da banda.
Na outra, eu tava numa partida do RockGol (aquele programa ainda existe??). Fui de ônibus, era pra lá da santo amaro, demorei umas 2h pra chegar. Minha mãe foi brigando comigo. É, ela foi me levar de ônibus, era a condição de eu poder ir. Daí chegou lá e eu encontrei o Portoga, todo lindo como sempre. "OOooooiiiiiii sou eu, a mocinha do cruzamento da Juscelino com a Faria Lima!!!" e ele "óh! eu lembro de você!" e foi jogar. Meu coração encheu-se de esperança, o que preparou minha mente e corpo para o próximo mico a ser relatado.
Eu devia ter uns 15 anos. Juro. Dêem esse desconto. Foi show do CPM22 lá no Clube K (meu deus, por que eu to contando isso???), e eu, claro, arrastei a Marcela e lá fomos nós. Situando os estrangeiros e demais não-paulistanos-na-década-de-noventa: Clube K era A matinê. Cinco horas de puro deleite juvenil. Muito techno, gactos sedentos por beijos na boca (sem passar a mão!! tá achando que eu sou biscate??), light-sticks de língua, piercings brilhando no escuro, glitter nos olhos e tatoo(ooo) de strass na barriga. Freak show, meus caros leitores, mas era como era e nós adorávamos. Tinha aquele cigarro de menta e o outro de cravo (que diziam ter maconha! que horror...), e a gente colocava na boca e assoprava a fumaça fingindo que fumava. Isso aumentava 10 pontos no quesito "kit mallandragem" pra garotas na matinê. Meninos de 16 anos se interessariam por nós. Foco, mulher. Volta à história. Então, estávamos lá, e o Portoga apareceu no palco. Desceu. Eu corri até ele. "Portoga, Portoga, sou eu, a menina do cruzamento da Faria Lima com a Juscelino, e do Rock Gol!", "Oi! Eu lembro de você!", "Que legal! Olha eu sou super sua fã... você podia me dar sua palheta pra eu guardar?", "Ah ha ha ha, você acha que eu tenho quantas palhetas?", "Ah, não pode ser no fim do show?", "Tá, eu guardo pra você.", e saiu andando. Meu deus, meu deus, o Portoga, a gente teve uma conversa, ele me daria a palheta dele e eu poderia colocar junto do adesivo, da foto que tirei de longe, e dentro do meu coraçããão, eu poderia me considerar a única adolescente feliz do mundo naquele momento. E não é que o show acabou e aquele filho duma puta me joga a palheta dele indiscriminadamente no meio da multidão frenética? Ele nem de longe se lembrou que eu pedi a ele a porra da palheta, aquele pedaço idiota de plástico, eu não estava pedindo o baixo dele, eu queria só a palheta e o carinho daquele traídor! E como se não bastasse, vi, com esses olhos que a terra há de comer cru, uma mulher loira indo buscá-lo no palco... não... não podia ser... ela estava... sim, estava BEIJANDO ele!!!! Na BOCA!!!! AQUELE CRETINO!!! Além de não me dar a palheta dele, estava namorando uma loira que ainda por cima era gorda!
Foi aí minha segunda decepção com a raça masculina.
(Não vou contar a primeira, mas envolve traição de namorado, de amiga, sexo anal em ambiente socialmente utilizado como via de pedestres, cinco latinhas de cerveja e o primeiro "eu te amo" sem sentimento que ouvi.)
(Ah, envolve também uma tentativa de suicídio na avenida menos movimentada de Cafelândia, obviamente frustrada, mas tão frustrada, que o único carro que poderia ter me atropelado passou pelo meu lado e disse "taaaaarrrrde", como se fosse a coisa mais natural do mundo uma menina de catorze pra quinze anos ficar sentada de perninha de índio no meio da avenida.)
E é isso. Eu vivo passando por vergonhas e vivo admitindo todas em público, e vivo dando na cara quando estou afim de alguém, e vivo caindo de cara no chão, e vivo nessa angústia, e vivo de joelho roxo, e vivo rindo de mim mesma, e até gosto de mim assim.
E até a próxima pessoal!
sábado, 1 de agosto de 2009
Escondências.
Preciso de alguma palavra forte, de impacto, que simbolize sonhos, medos e fúrias. "Diligência". Não prenda-se ao significado. Preciso de sílabas mais do que pretensões.
Vivo remexendo a velha bolsa atrás de bilhetes de metrô. Ali, sabia, guardei um pra volta. Sempre há mais um pra volta. Como disse certa vez a uma querida amiga, sentada no balcão de um bar desses em que pessoas do bem se misturam com pessoas quase do bem, "o importante não é ter dinheiro pra cerveja - basta ter o bilhete para a volta". Diversões são sempre garantidas, uma cama quente é sempre um risco. Mas sim, pulo a parte da filosofia barata.
Baldeação, os "baldes em ação", e a exposição no Paraíso havia sido recolhida. É diversão minha essas exposições no metrô que abrigam cadernos em branco para assinaturas e comentários. Lembro-me claramente do dia em que permaneci minutos ou horas lendo histórias de uma suicida que contava sobre o seu dia no caderno de uma exposição babaca de reciclagem de plástico. Mas essa fica pra outra hora. Procurei em vão o rosto amigo que me acompanhou por tantas baldeações, e voltei à realidade. Tucuruvi, linha azul. "Você pega o trem azul", maldita música que não me sai da cabeça. Uma, apito, "Estação Veeergueiro". Tenho ainda uma hora pra não fazer nada até meu amigo chegar. Centro Cultural, sempre uma boa pedida.
Nostalgia.
Postei-me diante da grande rampa que leva ao vão vertiginoso, onde pessoas são pessoas e mesas de xadrez são mesas de xadrez, e subi buscando na mochila velha aquele gelzinho com álcool que ganhara na véspera.
Gripe suína. Eu evito. Mas isso também, deixa pra outra hora.
Imagens de um outro dia, uma outra vida ou um outro pensamento, voaram livres diante de minha testa. Caminhei. Pé, pé, pé, tédio. Ainda tenho aquele velho Hermann Hesse perdido na mochila rasgada. Ouço uma música ao fundo. Péssima, diga-se de passagem. No entanto, o vocalista era um pitel. Casava, lá mesmo. Sei lá, tô sem o mínimo senso de humor hoje. Mas também não tô querendo fazer graça.
Crônica narrativa - assim que chamava no cursinho? Sentei-me naqueles banquinhos para fora da redoma de vidro onde há uma escultura bizarra, sem sentido e feia, que parece um grande tronco oco. Sentou uma japonesa ao meu lado. Tive, sim, um daqueles pensamentos frios, calculistas e de cabrita sorta: mas nem pra sentar um homem minimamente interessante? Tinha que ser uma tiazona japonesa antipática?
Tirei então um papel da velha mochila, onde antes enrolava o dinheiro que precisava para pagar uma nota que precisei. O dinheiro rolou livre pelo pequeno bolso, e meus dedos buscaram uma caneta.
Rascunhei, despretenciosamente.
Passo ante passo, passo
pelos caminhos de antes, caminho
já foram sonhos, já foram tantos
registros surdos de um grito preso...
Ouvi ao longe acordes soltos
Segui o rumo que meus pés traçaram
Vi rostos antes nunca vistos
Vi num vão o espaço oco
Vi os arames que entrecortavam
do solo aos céus, o vidro e o pó.
Vi a imagem digna de retrato
enquanto voltava pro lugar de origem.
Era o fim em cor de inverno
dos primeiros raios de verão,
eram os rostos que nunca vira
fitando o espaço vazio em vão,
eram os arames rasgando o céu
sem o toque de sua mão
sem o leve pulsar das veias
sem o olhar confuso e sincero.
Mais um mês, uma nova estação
um novo adeus
um gosto de fim de tarde.
As novas cores que pintam a cidade
cores dignas de um retrato
de cenário feito com arame torto,
como se pudesse fotografar minha saudade.
Guardei o rabisco na mochila surrada. Abri aquele velho Hesse que me esperou por anos, até ser o que se propôs de início - um libertador. Coxinha. Caía bem uma coxinha agora.
- Me dá uma coxinha... vou pegar esse chocolate aqui também.
Pago com o cartão já nas últimas e sento novamente com o rosto voltado para o sul. Um gordinho metaleiro percebe minha presença. Eu, achando tudo isso divertido, vejo sua inquietação. Parecia que algo se movia, algo que não deveria estar se movendo. O gordinho fitando. Abri de novo o Hesse, enquanto devorava a coxinha. Vale a ressalva: uma das melhores da região, sem sombra de dúvida. E olha que de coxinha eu entendo.
Leio as 25 páginas que faltavam para o fim, e quando termino percebo o tédio aliado ao prazer que só a solidão programada pode nos dar. Lembrei-me do chocolate. Pequenas e suaves mordidas, e se passaram 124 minutos! Quanto tempo usamos, sem perceber, na busca do que ser além do que se é! A banda já parou faz tempo, a cantina está quase fechando, meu amigo não surgia.
Fui para o banco do jardim. E lá sentei-me e olhei próximo a mim o homem que sorriu. Aquele sorriso tímido, que retribuí com um olhar baixo. Começo a construir meu tsuru. Uso aquele papel da divulgação do sarau astronômico. Na última dobra, porém, ele foi embora. Daria a ele a pequena gaivota.
Mas ele foi embora.
E eu, fui para onde? Perdi-me nos prazeres do deus cervejeiro enquanto mandava aos céus o fumo de um cigarro. Joguei fora o tsuru pela metade assim que meu amigo chegou. Solidão programada arrancada de meu planejamento por um sorriso confuso e sincero, aquela animação pueril que só ele tem. Carregou minha carcaça véia pra onde havia mais pessoas e cervejas, e lá fiquei com todos os "eus" e todos os "seus".
Feliz é quem sabe quebrar-se em mil e manter-se único.
domingo, 12 de julho de 2009
Sim, era só disso que eu precisava - uma festa de casamento. Somente um evento como esse seria capaz de despertar novamente a face mal humorada e sarcástica desta que vos fala: um ser na iminência de um suicídio emo-style-enforcamento-em-fio-de-ipod que definitivamente descobriu que não pertence a esse mundo.
E não pertenço mesmo. Já não pertenço à salinha congelante de edição do canal, nem ao ambiente familiar querocomerteutoba da produtora. Não pertenço ao mundo dos meus velhos amigos, nem dos meus melhores velhos amigos, e ainda sinto que pessoas que eu nunca imaginei que se distanciariam de mim estão definitivamente afastadas; ao mesmo tempo, não pertenço ao mundo dos meus novos amigos, que por mais que estejam presentes e dentro de minha vida, não compartilham comigo lembranças, saudosismos baratos de épocas marcantes, e outras pequenas coisas que fazem a tal da amizade de "anos" parecer interessante.
Isso tudo me faz acreditar que não pertenço ao mundo.
Isso tudo me faz perder a fé.
Isso tudo me faz perder a esperança.
Mas daí tem uma festa de casamento. Essas convenções sociais categoricamente inventadas para exaltar o luxo, a falsa moral cristã e a capacidade humana de comer 17 coxinhas-creme no palitinho enquanto enche o rabo de vinho e cerveja. Eu de vestido preto e minha mãe logo diz "parece que você tá indo pra um funeral" e respondo com o furor de um tatu bola de óculos "to pra achar a diferença entre um e outro". Clichê. Tão clichê quanto ir ao cabeleireiro e o rapaz te perguntar "e você, quando casa?" e eu responder "no dia que chover canivete" e obter como tréplica a maldita frase que todo mundo insiste em me fazer engolir "esses que dizem que nunca vão se casar são sempre as primeiras".
Não, colega, não vou ser uma das primeiras.
Porque eu não acredito em amor eterno, na saúde e na doença, alegria e tristeza, por todos os dias da minha vida.
Porque eu não acredito em fidelidade incondicional e emocional.
Porque eu não acredito que alguém continuará precisando de mim e me alimentando quando eu tiver 64.
Mas daí teve o casamento. O tédio em forma de bolo de noiva. Todo mundo cresceu, todo mundo emagreceu, todo mundo tá lindo, todo mundo tá saudável, e meu tio tá bebiiinho encostado no canto da mesa. Vejo alguém se aproximando, e ele logo se solta e cobre o alguém de beijos e abraços - logo meu tio, que me cumprimenta com aperto de mão desde que eu tinha 2 anos e 8 meses. Tudo é estranho, meu pai dança I Will Survive de óculos laranja, minha mãe recusa um canelone, meu tio abraça pessoas, e eu, euzinha, de salto alto e base no rosto. Danço. Dou até aquela olhadela básica nos moços aparentemente solteiros, pra ver se acho um pé de meia pra uma noite absolutamente tediosa. Nada. Até meu primo gay parecia mais interessante diante da falta de opção no menu. Hipocrisia comendo solta. A fartura e o desperdício, a ganância e a embriaguez, as aparências e as escondências, tudo misturado a um corpo cristão que havia minutos antes rezado um pai nosso e feito o sinal da cruz.
Mas daí teve o casamento e eu lembrei que não pertenço a esse mundo. De novo.
quinta-feira, 9 de julho de 2009
é pessoas... eu fico meio sem graça de escrever por que realmente estou numa daquelas fases suicidas de faquinha de rocambole. deu tudo errado lá no canal, vou ter que voltar à vidinha de freela sem amigos e sem final de semana, e nem posso reclamar...
mas é isso aí, eu ainda fico por aqui. não sei se estou bem ou mal, nem ao menos sei se estou. e isso me fez pensar que o verbo ir tem a mesma conjugação do ser, e isso me fez ficar paranóica por uns 38 segundos.
eu só queria paz, só.
mas pelo visto, quando tudo parece que vai dar certo, não dá.
isso foi pra me lembrar que eu sou humana.
beijos.
segunda-feira, 29 de junho de 2009
Tenho medo.
De quase tudo o que está acontecendo.
Quase.
(isso inclui a morte do Michael Jackson, meu possível desligamento do estágio, minha coragem súbita de prestar mestrado em semiótica, minha insensibilidade diante de situações em que normalmente eu já teria saído dos eixos, a gripe suína, meus freelas, minhas poesias não expressarem o que eu sinto, prováveis e inevitáveis banhos de água fria, a falta de certeza sobre o que eu quero, quem eu sou e do que eu gosto e essa maldita vontade de desistir de tudo e ir embora.)
sexta-feira, 12 de junho de 2009
É inverno, de novo.
É tempo de flores roxas cobrirem o chão.
Lembro-me como se fosse ontem: era meio dia e eu comia correndo aquela gororoba de abóbora com arroz, eventualmente com um pedaço de frango no meio, e ligava as "antenas de metal" em algum disco do Marillion. Saía andando pela rua lotada de uma São Paulo na hora do almoço, quase berrando "But when you're gone I never land in neverland" e sentava naquele banquinho da pracinha da macumba. Uma vez, juro, tinha uma galinha morta e esturricada ali. Nem tinha visto, sentei do lado dela, só reparei na nojera quando um monte de pombos petulantes vieram pentelhar a minha fossa. Quase pulei pra trás! Não que eu seja supersticiosa, mas pera lá, uma galinha morta é muito pra minha racionalidade.
Teve aquela vez da velhinha que alimentava os pombos também. Ela levou, sem brincadeira, 1 quilo de arroz pra tacar aos bichos. Passei quase 40 minutos olhando o arroz acabar e virar cocô de pomba, e nesse momento tive o estalo que me fez entender o sentido da vida: o ser humano é que nem pombo - só sabe correr atrás de comida, engole sem sentir o gosto e ainda depois caga tudo em cima de alguém que não tem nada a ver com a história. Não sei se depois disso meu fascínio pelos pombinhos aumentou ou foi pro saco de uma vez por todas.
O frio tem dessas brincadeiras: você pode estar de bem com a vida, mas resolve inventar uma fossa só pra poder testar seu limite sentimental - hoje me peguei descendo a rua de casa e ouvindo Lóki. Nah, numa boa amico, quem ouve Lóki num dia dos namorados frio como esse, das duas uma: ou tá antecipando suicídio ou querendo fingir que é personagem de novela mexicana. Pra primeira é simples. Bota na "Será que eu vou virar bolor" e pega a navalha. Até o final do disco, você pelo menos já desmaiou. Mas a segunda é bem mais divertida. Mete um "Desculpe" na orelha, abre os braços e ajoelha. Grita:
- ME ABRACE! DIGA-ME O MEU NOME! DIGA QUE VOCE ME QUEEEERRRRR!!!!
É quase terapêutico. Fiz isso no ano passado, certa vez, em cima de um tapete roxo de ipê. Esse ano, miraculosamente, ainda não entendi muito bem o motivo, mas não tô sofrendo por amor e muito menos pela falta dele. Parece que no ano passado tive toda a minha cota de frustração e arrependimento, chorei todas as lágrimas do mundo, morri por horas, por dias, por vidas, e de tanto morrer, resolvi que agora o que vier é só lucro. É aquele velho caso do "não tenho nada, não posso perder nada". E ao mesmo tempo, guardo tudo de todos. Sou um pouco do mundo inteiro, discutia isso outro dia enquanto tomava um caldinho de feijão. E esse mundo todo é um pouco de mim, e eu gosto disso. Eu gosto de me jogar pra vida sem saber o que buscar dela.
Mas diga aí, é inverno. Renasce o Ipê Roxo que passou todo o primeiro semestre tímido ali, no cantinho dele. Eu não renasço, cansei de morrer, agora é só a vida que me espera.
terça-feira, 9 de junho de 2009
Era quase sete horas e já sentia-me como naqueles dias onde tudo é desespero - tempo, tempo, tempo, tempo, tudo demanda tempo, e eu não tenho tempo.
Suprimi meu sono.
E eis que pego-me vestida numa calça de pijama ocre, remendada nos fundilhos, com aquele moletom véio que roubei da minha mãe há uns 5 ou 6 anos, manchado de cândida na manga. Era o paraíso em volta de mim, o conforto de um pijamão. Decido: "Nescafé." Nada, nadinha nesse mundo pode ser mais valioso numa manhã de terça-feira do que remediar a idéia louca de ter dois "empregos" tomando um delicioso leitinho quente com nescafé.
Sete em ponto e eu havia detonado meio litro. Depois me pergunto "por que sou gorda, oh!" e tento responder que a culpa é da cerveja. Tadinha da cerveja, só me traz alegria, injustiça culpá-la pelo meu inchaço infra-abdominal.
Penso em uma sanfona e uma viola. Ahhh, como eu queria ter 15 anos e estar me preparando psicologicamente para ir pro interior passar alguma festa junina no meio de cafelandenses desajustados... Saudade? Nem tanto. Um pingo de nostalgia, ou uma tempestade inteira. Daí o Roger me diz "depois da tempestade sempre vem a ambulância".
Vem nada. Aqui na minha terra, depois da tempestade vem a lama na rua, principalmente na rua do cemitério lá de perto de onde eu trabalho. Lembrei-me disso porque ainda agorinha eu pensei em calçar um sapatênis super estiloso desses que só Vanessinha vê graça e vi que tava todo embarreado, e saltou-me um "pimba" mental que fez com que eu desse conta que guardo no armário sapato sujo de barro de cemitério.
Por que não limpo? Simples: tempo. Não tenho tempo. Não tenho tempo...
segunda-feira, 1 de junho de 2009
Ausência
Carrego nas costas o peso de ser quem eu sou
e levo comigo as dores de um mundo todo
as dores que eu nunca causei.
(Pergunto-me, incrédula:
- Por quanto tempo ainda terei que pagar
pela lágrima que chorou sozinho
pelo adeus seco e úmido
por um coração partido
que nunca parti?)
Não se esqueça de deixar a porta aberta
que por hoje, eu vou embora...
quarta-feira, 27 de maio de 2009
Aos Amigos
Eu não estou fazendo tipo - eu realmente estou pirando. Muito serviço, muitos livros, muita responsa. Pra quem tá sempre por aqui, já peço desculpas de antemão. Tá difícil mesmo.
Quem eu amo, eu continuo amando. Só tô um pouco ausente. Me entendam, por favor... já tá difícil demais suportar essa "nova fase" sem as cobranças, com elas fica torturante.
Valeu gente...
domingo, 24 de maio de 2009
Estágio?
Se tem uma coisa que nunca fui segredo pra ninguém é que eu odeio trabalhar. Por mim, eu teria uma casinha simples com uma horta e viveria de cenouras do quintal e amor (entre outros tóxicos). Mas dessa vez eu taquei o pé na porta e saí gritando alguma coisa em russo, só pra extravasar minha falta de tino mental: não só arranjei um estágio, como também não desisti dos meus freelas. Isso significa duas coisas, diretamente: A primeira é que eu sou uma retardada, que acha que dormir é luxo; a segunda é que eu finalmente criei vergonha na cara e assumi que não consigo, de jeito nenhum, viver sozinha, em casa, editando vídeos e conversando no msn.
Estive alguns dias com aquela sensação terrível de viver no "quase". Como se minha vida estivesse sempre quase acontecendo, como se tudo estivesse na iminência de uma mudança, no fio pequeno que separa o passado do presente. Ainda não sei ao certo se essa sensação passou, e se realmente aconteceu alguma coisa, mas toda mudança é esperada. Não sei ficar parada. Não sei me entregar à exclusividade. Penso em quem vive com um propósito definido - vejo muitos amigos assim, e não os condeno... Talvez eles que sejam os felizes. Mas para mim, é inconcebível viver com a certeza do dia de amanhã. Cada dia tem um brilho, todos os dias somos uma pessoa diferente. Talvez, minha loucura de aceitar tanto trabalho e tão pouco dinheiro deva ser mesmo por essa vontade inconsequente de tentar descobrir o meu limite, até onde consigo ir nessa linha que separa o antes e o agora. Afinal, o depois não existe. Ele não chega nunca...
-------------------
Posto-me a negar sempre, com os mesmos braços cruzados:
Estive alguns dias com aquela sensação terrível de viver no "quase". Como se minha vida estivesse sempre quase acontecendo, como se tudo estivesse na iminência de uma mudança, no fio pequeno que separa o passado do presente. Ainda não sei ao certo se essa sensação passou, e se realmente aconteceu alguma coisa, mas toda mudança é esperada. Não sei ficar parada. Não sei me entregar à exclusividade. Penso em quem vive com um propósito definido - vejo muitos amigos assim, e não os condeno... Talvez eles que sejam os felizes. Mas para mim, é inconcebível viver com a certeza do dia de amanhã. Cada dia tem um brilho, todos os dias somos uma pessoa diferente. Talvez, minha loucura de aceitar tanto trabalho e tão pouco dinheiro deva ser mesmo por essa vontade inconsequente de tentar descobrir o meu limite, até onde consigo ir nessa linha que separa o antes e o agora. Afinal, o depois não existe. Ele não chega nunca...
-------------------
Posto-me a negar sempre, com os mesmos braços cruzados:
não sonho, não perco, não choro.
Não desenvolvo-me em teus laços
nem nos traços tortos que encaro,
brevemente, o curto pedaço do tempo
em que largo-me só em seus abraços.
É vício que constrói um templo.
Deus-me hoje, logo e sempre.
Não me importo com a falha vinda
nem venho com toda a certeza
se sei que vai, sem ter ao certo................
(bla bla bla não sei como terminar esse poema, nem como começar, eu fiz isso descendo pra casa, era sábado, umas 6h da manhã, eu estava bebiiiinha... cheguei no meu quarto repetindo as palavras como um mantra e tentei logo escrever aqui, pra ver como ficava. acordei no outro dia e fui ler e achei péssimo, mas dá pra trabalhar em alguma coisa com ele ainda. não sei, opinem, se tiver muito ruim eu desisto dele.)
quarta-feira, 20 de maio de 2009
A vida e a cera-quente
Aquelas coisas engraçadas da vida. Tava pensando em como tudo gira em torno da cera quente. É isso mesmo. A vida se baseia num grande recipiente onde a cera está sendo derretida, normalmente minutos antes de grudar-se em sua pele pra tirar os pelos indesejáveis.
Antes de tudo a ressalva: ninguém gosta de admitir que tem pelos, é fato. Mas todo mundo tem. Mulheres têm, homens têm. Mulheres, inclusive, têm muitos pelos em lugares que vocês, homens, nunca imaginariam. Pois é, tô revelando nosso maior segredo. Tudo na vida gira em torno da depilação.
Vejamos o mais simples: axilas. Você tira. Dói. Dói, mas dói. Putaqueopariu como dói. Mas depois fica incrivelmente lindo. Macio, limpinho. Só que você sabe que daqui 15 dias, os pelos já terão crescido de novo. A felicidade e a beleza duram pouco, e logo você deverá ter a coragem de enfrentar mais uma vez a dor. E ela é inevitável. Os pelos não param de crescer. Nem mesmo quando você morre. Mas existe uma maneira fácil de passar pela dor: usar a gilete. É a solução mais prática e indolor - mas dura 2 dias, e quando o pelo cresce de novo está mais grosso, mais resistente.
(Vocês já conseguem traçar o paralelo com a vida assim ou querem que eu dou o exemplo da virilha? Não se esqueçam que a depilação na virilha pode ser cavada ou completa, o que envolve além da dor, uma imensa coragem e muita força na perseguida.)
Sexta é dia de encarar a dor. Volto a juntar minhas angústias e anseios para conseguir chegar ao fatídico dia preparada para o que der e vier.
Eu to muito menininha ultimamente, impressionante...
domingo, 17 de maio de 2009
segunda-feira, 11 de maio de 2009
Pessoas.
Sempre me pego pensando na possibilidade de eu ser mais um daqueles seres humanos cheios de preconceitos e que escolhem as amizades de acordo com a compatibilidade emocional e racional, como quase todos os outros seres humanos deste redondo planeta.
Mas como sempre, tudo me impressiona e fascina. A preguiça de uma pessoa sem nada a me oferecer logo é condenada à minha mania de tentar decifrar cada pequeno pedaço de sua alma, mesmo que seja só por imaginação ou julgamento infundado. E acontece assim, todo dia.
Vi por hora a moça de circo. Falante, linda e potencialmente interessante. Tanta vida em vida e o que ela esconde? Estaria atrás do nariz um palhaço, alguém buscando o abrigo de um abraço amigo? Ou é real a loucura e felicidade? Vi num livro de histórias, uma pessoa cheia de sonhos e medos, que procura a liberdade a qualquer custo, mas que nunca sentir-se-ia livre se não gritasse suas asas a todos os cantos. Penso ainda se me identifico, mas fico calada diante de todas as minhas realizações... Confessei a meia-luz para um conhecido-estranho a realização de meu maior sonho que está por vir, e não recebi uma gota sequer de entusiasmo. É por isso que não conto meus sonhos. Quase ninguém tem vontade de ser feliz pelo que não o afeta. É hipocrisia dizer que alguém se sente feliz por você, por você ter realizado algo, ganho algo, o evento que for - é hipocrisia. Ninguém é tão altruísta a esse ponto. Chegamos no nível que a felicidade alheia é disfarçada por uma mentira branca para tornar a vida social aceitável.
Já os velhos amigos sempre me surpreendem. Os anos passam e tudo o que sinto é que não passo da frieira do pé do que seria há alguns anos uma única pessoa. Lamento, instintivamente. "Vamos marcar algo!" e sei que não vamos. Percebi que de todos, a mudança estética e intelectual: aquele que um dia gritou que era meu amigo por puro interesse, hoje está forte, malhado, gostosão mesmo, não bebe cerveja, não come fritura, não pede desculpas e ainda é capaz de me deixar chateada com uma única frase. Eis aí algo que eu vivo questionando a mim mesma: como pode uma pessoa tão querida por todos ser capaz de destruir tudo o que há de tolerante e amável em mim com tão poucas palavras?
- Você não está na conversa.
Eu não estou na conversa. Saí dela assim que saí de mim, mas isso não fiz ontem, semana passa, mês passado. Tenho saído de mim com a constância de um período lunar. Mudar já faz parte de tudo o que me move, não saberia viver comigo mesma todos os dias.
Mas no fundo, entendo. Compreendo, também. Você sofreu como todos nós. Você não foi bonito, você amou sem ser correspondido, você ouviu as risadas apontando todas para você. Você, amigo, tem a razão de ser amargo e sentir prazer em magoar os outros. Você sofreu como todos nós...
Já o outro, engoliu a seco as palavras que me lançou num passado. Pisou em todas as minhas feridas e hoje carrega uma por uma na barriga. Carrega inclusive a namorada que não sou eu. Como teria sido, se fosse diferente? Se talvez algo fosse assumido e gritado, seria diferente? Estaria eu hoje onde estou, com meus amigos, meus calos de puxar ferro, minha falta eterna de grana, minha vitrola no quarto? Estaria eu hoje, com essa angústia do não saber o que fazer, presa à saudade do que foi?
Estaria eu hoje?
As pessoas carregam dentro delas todo o infinito de uma vida em cada fio de pensamento. Cada atitude é só um reflexo do que se foi um dia, e de todo esse infinito particular. É justo tentar entender uma pessoa com uma única atitude - tudo o que ela é está dentro dessa pequena atitude. Foi o beijo roubado depois de cuspir em minha cara. Foi dizer o que realmente pensa sobre mim quando pensou que eu não estivesse vendo. Foi me tirar da conversa. Foi a sutileza com que pegou o cigarro da mesa pela primeira vez. Foi pedir pra tirar uma foto. Foi o simples ato de pedir para tirar uma foto. Quanta vida tem no eterno de um segundo. Quantos segundos vivem de verdade uma vida. Tanto tempo se perde jogando que muitas vezes se esquece de parar de jogar. Pode parar de me seguir agora, passado besta! Já não vê que eu tô conseguindo viver sem me lembrar de você?
Por um minuto, sonhei que alguém pudesse um dia dizer o que tem de impressão sobre mim, sem as mentiras brancas do convívio social, sem o pudor clássico de quem tem medo das mágoas. Algum dia alguém saberia questionar-se os meus dramas e meus silêncios? Alguém entenderia meus medos?
Alguém?
Até a amiga de infância que passa por mim olhando em meus olhos, vira o rosto diante do meu oi. Momentos depois pergunta-me se eu sou eu. Diz que estou irreconhecível.
Quem sou eu, que até a mim mesma confundo?
Seria o meu rosto, a forma como dou risada e bato com o copo na mesa, a maneira com que assopro a fumaça de um cigarro, o cabelo que gruda no olho, no rosto, no corpo, em você, em nós, sempre, esse cabelo onipresente e participante. Cabelo com vida própria.
Eu também não me reconheço, quase nunca.
segunda-feira, 4 de maio de 2009
O Beijo Reptiliano
Tudo, absolutamente tudo o que eu escrever aqui neste momento, será o resultado de um beijo reptiliano dentro do metrô.
Ela, a dona da língua ágil, segurava um livro de técnicas de redação forense. Ele não segurava nada, além do fogo que se acendia diante do chacoalhar frenético lingüístico da moça que estudava redação.
"Próxima estação: Vergueiro"
Curiosamente, cheguei tão rápido na Vergueiro que quase sugeri a mim mesma um wormhole metroviário. Semana passada demorou tanto! Tanto que foi capaz de secar minha boca, remoer meu estômago, fazer-me pensar em 218 coisas diferentes, e, erroneamente, iludir-me um pouquinho. As pessoas vivem me lembrando que não devo viver alimentando minhas ilusões, mas não tem jeito, elas surgem. Eu gosto delas.
E aquela língua enfiada na boca dele, fazendo movimentos de liqüidificador.
Eu, euzinha, perdi o único show da Virada Cultural que me interessava, mas ganhei um show do Novos Baianos, um isqueiro, um beijo, um monte de abraços, uma cerveja, uma dor de garganta. O que não esperava seria que lá mesmo eu teria minha primeira experiência como vítima de um gatuno oportunista - roubaram-me minha bolsinha amarela com 30 reais dentro (e um beijo também, mas creio não ter sido da mesma pessoa). Sinto falta da bolsinha amarela, era ela minha companheira fiel de vários shows e festas, como na sexta passada em que fui pela segunda vez no bar do Ceará e no Ventania. E como previsto, sempre volto desses lugares com alguma coisa pra lembrar e outras pra guardar como segredo. E muita ressaca, muita. E isso me lembra que preciso urgentemente parar de beber, antes de mais algum vexame que envolva desmaios, vestidos curtos, coxas e nádegas brancas, calcinhas amarelas e meninos amarelos.
Mas na verdade, o que me deixou mais indignada foi o fato de estarmos num lugar público, cheio de pessoas, e ela ter metido aquela língua de 2 metros na boca dele, e feito aquele movimento que mais me lembrava uma cobra fazendo reconhecimento de território. Digam-me, fiéis leitores, por que cargas d'água alguém inventa de fazer algo tão constrangedor em plena estação Vergueiro? Aquilo era mais intimidante que sentir vontade de mijar na Praça da República, no meio do show do Joelho de Porco, e se ver obrigada a entrar em um banheiro químico. Primeiro passo: procurar alguém capaz de segurar a porta pra você. Segundo passo: entrar com as calças arriadas até o joelho. Terceiro passo: tornar-se cego, tampar o nariz e fingir que é normal, todo mundo mija numa cabine de 1x1 perigando ser vítima de um monstro de merda que sairá vaso acima e pulará diretamente em sua nádega. Taaaantos anos de assepsia e higiene íntima pra deixar as partes expostas a uma privada química.
(Mas ainda prefiro a privada ao beijo reptiliano na estação Vergueiro)
Ainda carrego aquelas sensações que me acompanharam nos últimos dias. Uma mistura de medo com prazer. Amizade com decepções. Saudade com esperança. Trago a mesma imagem martelando em minha cabeça, o mesmo gosto dançando em minha boca, o mesmo cheiro preso na minha roupa. Viajo no tempo, e tudo parece que demora mais.
(Sinto, sim, a falta... não quero mais me acostumar com ausências...)
Me disseram uma vez que nosso coração só carrega uma pessoa por vez... por que meu coração não entende isso? Vive ele querendo carregar todo mundo!
Mas sim, estou de volta ao meu dia normal, com hábitos normais, minhas retrospectivas para casamentos, o boleto da pós, as madrugadas com Final Cut, essa minha vidinha mais ou menos.
Só espero, pelo amor de deus, tirar da minha mente aquela imagem do beijo reptiliano...
quarta-feira, 29 de abril de 2009
post exclusivamente informativo
Sabe, aquelas crises literárias criativas absurdas que me invadem de tempos em tempos?
Pois é.
Vou dar um tempo pra minha cabeça (que meu deus, quanta confusão!) e depois volto pra cá. A propósito, vou tentar seguir o conselho do Bruno Alexandre, que diz que eu escrevo de uma forma muito chata e não acessível. Conforme as coisas forem surgindo, eu posto aqui e enfim, quem gostar me avisa. Afinal, isso tudo não passa de uma grande oficina de mim pra eu mesma.
Beijos a todos.
Ah, sim, e antes que eu me esqueça... felicidade é opcional, ok? Assim como a tristeza. Adiós.
terça-feira, 28 de abril de 2009
Mais uma sobre cachorros
Hoje, andando na rua com o Johnny, me lembrei do dia em que encontrei o vizinho as 5h da manhã, voltando pra casa, semi-bêbada, e tropecei umas duas vezes na sua frente.
Ele me dizia "mas eu via você pela varanda passeando com o Johnny e você me parecia tão criança..."
E tem a moça aqui do primeiro andar, a gente sempre se olha com aquele olhar culpado de "eu sei o que você fez na sexta feira passada..."
Meu deus, se fosse possível apagarmos nossa memória...
domingo, 26 de abril de 2009
Eu gosto é da saudade que chega de mansinho,
fazendo cócegas no ouvido, num domingo de manhã.
Até da incerteza calculada, o medo de estar errada
me perder nas lembranças sem pensar no amanhã.
Gosto é desse acordar e sentir o perfume preso na roupa
que ficou pendurada perto da cama
e o cheiro do seu cabelo ainda na ponta do meu nariz.
Eu gosto é desse sorriso leve que se levanta comigo
em toda manhã de domingo...
sexta-feira, 24 de abril de 2009
Um conto qualquer.
De pouco em pouco surgia a luz na janela. Ela, que tinha os cabelos soltos espalhados no ombro, abriu o vidro e deixou o vento soprar-lhe a cara. Cena de filme europeu, onde a mocinha vê a vida com a leveza e beleza que só as cores naturais e gestos sutis podem representar. Era bem sonsa, na verdade. Sem sal, sem açúcar, mas como tinha plena noção de sua falta de graça, disfarçava bem roupas cor-de-rosa, sorriso pintado de feliz, estilo "paz e amor" roubado lá dos anos 70. E era essa a cena que ela gostava de representar. A cena de quem tem conteúdo, mas não passa de uma mocinha dependente dos pais, com consciência de sua falta de tempero, na ânsia louca de encontrar um amor pra vida inteira que venha resgatá-la do tédio de seus dias, montado num cavalo branco.
Ao mesmo tempo, do outro lado do mundo, ele acordava de ressaca, vomitando sangue e ainda elétrico de pó. Tinha na vida uma única ambição: morrer trepando. Acreditava, diariamente, que as pessoas o admiravam pela sua beleza e inteligência, mas de certo nem ele sabia o quanto era porco em seu trabalho e inútil em sua vida.
Um dia, como outro dia qualquer, esbarraram-se no meio do caminho e se apaixonaram. Quatro meses depois se casaram, e com oito meses de casados, tiveram seu primeiro filho de uma ninhada de dezessete.
Ninguém nunca entendeu nada.
Nem eu.
domingo, 19 de abril de 2009
Sol
Se tenho esse sorriso aberto perto de olhos que carregam lágrimas
É porque brinco que as mágoas são gotas de esperança
que insistem em desenhar um sol no meio dessa eterna tempestade.
Domingo a tarde.
Concordo que ando demorando pra escrever, mas é tudo uma questão óbvia de sobrevivência. Falta-me saco e organização mental de idéias. O que me sobra, que é a maldita necessidade de vomitar pelos dedos, faz com que eu passe o dia todo matracando poemas e diálogos pra mim mesma num frenesi idiota.
Tava com vontade de fazer um daqueles posts politicamente engajados, expressando minha completa falta de interesse pela história mundial e extrema vontade de parecer intelectual o suficiente pra meter o pau em qualquer merda que o sistema atual esteja nos impondo, mas resolvi, depois de muito pensar na crise econômica, no vegetarianismo, em deus e no Maranhão, que o melhor a fazer mesmo deveria ser eu escrever sobre os intermináveis passeios pela rua com meu cachorro poodle branco gordo encardido, mais conhecido como Johnny.
Comecemos pelo clichê: minha calça caindo pelo corredor de casa, o Johnny puxando minha mão na escada e eu morrendo de medo de deixar cair meu iPod enquanto decido sem sucesso ouvir algo que eu ainda não tenha me enjoado (hoje foi Led Zeppelin, sempre funciona), o gordo indo pro lado contrário ao que deve ir, alguém resolvendo brincar com ele, outro cachorro vindo na mesma direção, e quase sempre (digo, sempre) alguma das faxineiras das casas vizinhas na porta dizendo "esmagreceu hein, tá bonita!", frase esta capaz de fazer eu perder o bom humor por semanas.
Mas preciso salientar os finais de semana. Hoje, como habitual, coloco minha musiquinha pra tocar, e como todo domingo, saio com o gordo na maior ressaca da paróquia. Stairway to Heaven, e quem se atrever a conversar comigo enquanto toca essa música merece a morte. Não dá outra. O cachorro mais homossexual do prédio sempre insiste em aparecer nessa hora, com seu pêlo branquíssimo e seu dono bichíssimo. "Deixa eles se cumprimentarem" ele grita de longe, e logo planejo um assassinato rápido e sem muita sujeira. Sabe, eu odeio quando cachorros vêm brincar com o Johnny. Não por ele, pra ele tá ótimo, precisa mesmo brincar, agora eu? É uma indecisão entre perguntar a raça, o nome, o sexo ou o partido político do cachorrinho... Daí decido ficar absolutamente muda e sorrir idiotamente.
- É meniiino?
- =)
- Que liiiindo!
- =)
O cachorro e seu dono sempre acabam indo embora com a sensação de que foram modificados geneticamente por um raio invisível que eu emito pela ponta do nariz, e fica tudo resolvido.
Toda ressaca vem acompanhada de cachorros bestas das dondocas klabinianas, Sílvio Santos no último volume, a família toda gritando loucamente e, particularmente hoje, uma daquelas angústias eternas. Todo domingo é a mesma coisa. Sempre.
Mas mudando um pouco de assunto, saiu no jornal hoje uma matéria inteira sobre a Lygia Fagundes Telles, e me lembrei do que minha amiga Camila me escreveu um dia desses, comparando-me com a mestra. Seja lá o que eu represente, foi um daqueles elogios que costumo guardar em bloquinhos de notas pra ler quando estiver com o ego vazio. Ha ha ha.
E sobre mim? Tô bem, tô gorda, e como dizia a Livia, tô vïvöna. Pior que eu tô mesmo. Tirando o fato de eu estar completamente sem dinheiro e ter gasto ontem a grana que eu ia usar pra pagar uma parte de minhas contas, tá tudo numa boa. Sinceramente, acho que percebi que não vai dar certo mesmo essa coisa de autonomia profissional, e eu vou tentar na próxima oportunidade possível, voltar a trabalhar como empregada. É difícil, é regredir, mas quer coisa mais "regressa" que pedir dinheiro pra mãe pra sair? Não tá dando certo.
E sobre as pessoas? Estão boas, estão ótimas. É engraçado pensar que conheci em São Paulo as mesmas pessoas que viajaram comigo no carnaval e dentro do ônibus não trocamos uma só palavra (fora o fato de eu rir loucamente do Broto). Gosto de pensar que coincidências não existem, que tudo isso está acontecendo como parte de um grande todo que está por vir.
E por falar nisso, pode soar engraçado, mas eu sinto que algo grande está na iminência de acontecer. Não tenho nem idéia do que pode ser, apesar que torço pra não ser um meteoro. Mas de verdade, parece que de alguma forma tudo está convergindo pra um ponto que exigirá mudanças. E toda mudança é bem-vinda, e linda.
Bom, já falei de cachorro, de ressaca, de amigos, de trabalho, de família, do futuro, e impressionantemente não falei nada sobre aquelas pirações emocionais que envolvem paixões, medos, angústias, amores e todo o clichê emengardacelestinense. Meu coração tá batendo, ufa, isso quer dizer que estou viva. O resto... bem. Deixa ele ir batendo né. Loucuras, eu sempre vou ter, então deixa ele ficar batendo... Deixa.
quinta-feira, 9 de abril de 2009
Todos os Degraus de uma Escada
Mal toquei o interfone e já me arrependi de ter saído de casa.
- Oi, bom dia, o salão de festas?
Quinze anos? Vinte? É normal perder as contas?
- Bom dia, você segue reto e sobe as escadas até o fim. Daí você vira a esquerda e é logo o primeiro corredor. Qual teu nome?
Dez anos. Fiz as contas correndo. Parece muito mais, credo. O tempo relativo entre o dia da formatura e hoje parece que me envelheceu umas noventa vidas. Ou já era eu velha e parei no
tempo só por diversão?
- Emengarda. Emengarda Celestina.
É. A Emengarda Celestina de sempre, agora com 27 anos, 65kg, 3 graus de miopia e 4 reais na carteira.
- Pode subir lá.
Pé direito, pé esquerdo, pé direito, pé esquerdo, dezessete vezes, degrau. Alto, muito alto pros meus 145 cm. As crianças todas corriam, todas. Eu estava suada, como sempre. Minha camiseta nova, branquíssima, atolada dentro da bermuda azul-marinho com o desenho do colégio na barra. Minha primeira vez numa escola particular, tudo parecia diferente e limpo. A maior surpresa foi o banheiro. "Parece de shopping", pensei, e aproveitei o cheiro de limpeza. Lá na outra escola não tinha isso. Tinha cheiro de merda e mijo, das maquiagens das meninas mais velhas do colegial, de ralo, de pobre. Tinha a loira do banheiro. Eu fui uma vez lá e uma pequena gritava que nem louca que era pra eu não entrar que a loira tava lá dentro. Aquela loira eu tinha pavor. Mas acho que ela ainda era melhor que as meninas mais velhas do colegial. Eu tive uma dor de barriga uma vez, e não aguentei segurar não. Fui correndo pro banheiro, no primeiro que vi aberto, abaixei a bermuda e me apoiei nas pernas e na parede pra não encostar no vaso. A porta não tinha trinco, e as meninas me viram correndo e foram lá empurrar a porta. Comecei a gritar, dizer que tinha gente, e elas nem ligaram. Depois subiram no vaso da cabine ao lado e ficaram me olhando cagar lá de cima, naquela posição de galinha que bota ovo.
Escada. Subir as escadas, até o fim, esquerda, corredor. Fico tentando desenhar o caminho na mente pra não me esquecer e não desistir. Primeiro, segundo, terceiro, quarto degrau. Ainda falta uns quarenta. Sinto o músculo da coxa esquentando. As crianças estavam correndo, e todas elas corriam muito! Brincavam de mãe da rua. Me viram de longe, e sorriram. Ou riram? Agora me escapa. Acho que eu também era inocente, apesar de tudo. "Emengarda", respondo quando me perguntam o nome, e aí sim, lembro que foram risadas. Ri também, pra não ficar chato. "Posso brincar?", "Pode, tá com você!" e logo todos correram encostar na parede. Quando viram que eu não conseguia alcançá-los, passaram a andar, e todos andavam, todos ao mesmo tempo, e eu não sabia de quem correr atrás, todos andavam juntos e eu perdida no meio do pátio, confusa. Todo mundo então me chamava pra brincar de mãe da rua, e sempre faziam o mesmo, andavam, andavam de um lado pro outro e eu não entendia, não entendia como eles conseguiam andar, e por que eles riam uns para os outros. Teve um dia que eu cansei de brincar. O Alê gritou "a baleia desistiu!" e todo mundo se mijou de rir. Eu também ri.
Metade da escada, subir até o fim, esquerda, corredor. Era esse mesmo o caminho. Passo por uma porta de vidro ao meu lado. Reflito-me. Paro, por alguns segundos, e contemplo meu cabelo preso ao topo da cabeça. Hoje em dia minhas orelhas já estão coladas na cabeça. Lembro que trabalhei meio ano sem almoçar fora pra juntar a grana do almoço e pagar a cirurgia plástica. Hoje parece que não faz diferença. Naquele dia, lá do filme do Dumbo que a professora passou, ia fazer. O Alê, que já tinha decorado um vocabulário inteiro de sinônimos para "criança gorda", tinha combinado com a galera da classe toda de irem com as camisetas enfiadas pra dentro da calça no dia que a professora passasse esse filme. Eu também ri.
Mais dois degraus e eu estou lá no final. Esquerda, corredor. O caminho não muda nunca, mas sim a forma como o desenhamos em nossa mente. Eu tinha que passar pelo primeiro e o último degrau, assim como passei pela quinta série até o terceiro colegial. No terceiro já, eu não era mais a mesma. Digo, todos sempre somos a mesma pessoa, unidos pelo fato de nunca definirmos exatamente quem somos. Me perguntaram certa vez quem era eu, e emudeci, considerando se responderia meu nome, minha idade ou minha profissão. Aprendi a separar as pessoas por categorias, na faculdade. Sexo, classe social, idade, localização geográfica. Oi, eu sou a Emengarda, 27 anos, mulher, residente de São Paulo. Oi, eu sou a Emengarda, minha mente tem 60 anos, meu corpo tem 18, não decidi ainda meu sexo e vivo no espaço.
Ainda falta-me virar a esquerda e andar pelo corredor. Fico imaginando quem está nessa maldita festa, e qual anti-depressivo me convenceu a enfrentar meu sábado a tarde remoendo lembranças de uma adolescência que já disse adeus, volte nunca. Não tive o abraço da formatura de um amor deixado nos muros do colégio. Não tive nem o vestido molhado de ponche que alguém, por me odiar, houvesse derrubado em mim. Teve uma vez, sim, que derrubaram ácido no meu avental da aula de química. A mais gostosa da classe, Ju, tinha entrado no laboratório toda ofegante e cheia de risinhos com a Lu, que era sua melhor amiga. Aquela sonoridade infantil de Ju e Lu, misturadas aos chiadinhos infelizes de suas glórias hormonais com os meninos do 3º colegial, me faziam querer vomitar a coxinha do recreio. Assim como elas mesmas faziam. Sempre as via vomitando o lanche pra não engordar, e na minha cabeça supus que aquilo era nojo delas mesmas. Eu também me vomitaria se fosse alguma delas. Mas a professora reparou logo que elas iam perturbar a aula e separou as duas, colocando a Ju pra trabalhar comigo. O Gustavo falou logo um "vai tirar dez finalmente", e ela riu satisfeita. Acho que a classe toda riu. Dessa vez eu não ri. Quando disse pra ela que eu não ia fazer trabalho nenhum, ela tacou o ácido em cima do meu avental. Aí sim, a classe toda riu, mas não foi por causa dela ter tacado o ácido, foi por eu ter caído de costas na bancada, com medo de ele corroer o pano até chegar na minha pele. A professora gritou "joga água!" e o Alê catou a mangueira e começou a me dar um banho. Tirei o avental correndo, e ele ainda me jogava água, e tinha muita bagunça na classe, eu só fui reparar que estava completamente molhada, com a camiseta transparente, depois que a professora acalmou o pessoal. Tremia de frio, era agosto, o casaco eu havia deixado na classe. Saí correndo, com as banhas marcadas pela blusa que grudava molhada em meu corpo, e tudo balançava, mas o frio era tanto que desisti de tentar esconder o que não era segredo pra ninguém. Não ri mais, por muito tempo.
O corredor é curto e é o tempo exato para eu calcular com qual sorriso eu devo dizer "olá". Pode ser o sorriso do professor que tirou minha prova quando a Bel jogou o papel de cola em cima da minha mesa. Pode ser o sorriso do Álvaro, quando acharam no meu caderno escrito o nome dele em volta de um coração. O sorriso de todas as vezes que não me chamaram pro time de futebol. Logo vi que aquilo seria como a minha primeira festinha da escola. Era na casa do Ricardo, e colocaram a música "Two Become One" das Spice Girls pra turma dançar de parzinho. A Ju dançou com o Álvaro, a Lu com o Alê, a Bel com o Gustavo. Todo mundo tinha o seu par, menos eu e o Gabriel, o moleque mais asqueroso da classe. A Ju viu e começou a gritar o nosso nome, e ele a contra-gosto me tirou do sofá. E hoje? Eu vou ficar no sofá, comendo amendoim, esperando a gostosona gritar meu nome e lembrar a todos que eu ainda estou sozinha e com uma roupa de ponta de estoque? O Álvaro vai dar risada quando lembrar que eu gostava dele, e o Alê vai gritar que eu emagreci 48kg?
Abro a porta e o salão está cheio. Acendo um cigarro e sento ao lado do cinzeiro. Nada, nunca, irá mudar. Os anos que me desenharam queimam a cada tragada e cada riso rasgado no meio da música alta. Alguém se aproxima. Abro o sorriso de Emengarda e assopro a fumaça pela janela.
terça-feira, 7 de abril de 2009
sexta-feira, 3 de abril de 2009
Último sopro de melodia.
No auge de mil agonias
no desespero de todos os minutos
Na tua falta
Na tua presença
Na minha desesperança
lá ainda há luz.
E vai brilhar, vai...
até quando me sorrir,
luz.
Enquanto me guiar.
"Sorria, pequena.
Sorria."
quarta-feira, 1 de abril de 2009
Irreversível
Supero-te
segundo a segundo. Suor a suor.
Liberto-me.
E ainda é só tu que bate à minha porta a cada noite fria...
(Espero-te.)
sexta-feira, 27 de março de 2009
Enxaqueca, morte e outras chatices.
Aproveito para escrever neste momento de extrema falta de ânimo mental, embalada por uma suculenta xícara de chá de carqueja que prometeram para mim "vai tirar tua dor de cabeça com a mão". Fato, eu sei que é do fígado, eu sei que é de comer merda, e eu sei que tô numa TPM desgraçada que faz de mim um ser mutante verde que cresce e engole criancinhas. Uso, pois o caderno que ganhei como "brinde" da Anhembi para não manchar a madeira de minha escrivaninha, depois de abrir o boleto com amor e carinho e perceber o tamanho da merda em que estava me enfiando.
O fato é que passei o dia inteiro com uma senhora dor de cabeça que não passou nem depois de meia barra de chocolate meio amargo, um (HUM) bis, uma colher de doce de leite e logo mais a noite, a trufa mais feliz que já ganhei em minha vida (obrigaaaada amigo, ganhou meu respeito e carinho pra sempre!). Cheguei em casa daquele jeito voraz que só eu e alguns demônios viciados em crack sabem como é, e vejo o raio do botãozinho da secretária eletrônica piscando. Já pensei de cara "quer ver que é a Marcela e a Livia muito loucas me chamando pra beber e eu aqui com a cabeça explodindo, de saco cheio e com vontade de me enfiar num microondas enrolada no papel alumínio" e daí a voz de homem muito macho amplificando-se pela sala, onde mama e papa de pé, escutavam tudo com atenção e afinco:
"Zé, acabei de falar com a mulher do Chum e ele faleceu agora pouco. O corpo tá sendo liberado e vai ser enterrado amanhã de manhã."
Como assim, meu deus, quem deixa recado que o amigo morreu na secretária eletrônica? Seria isso algum tipo de piada de mau gosto? Remete-me isso aí logo a tudo de ruim que tem no universo mortal do ser humano. Digamos que morrer é um saco, por tudo aquilo que todo mundo já sabe muito bem o que é, mas além de todas as inconveniências carnais e humanas, tem as chatices burocráticas de arrumar velório, enterro, caixão, coroa de flores, avisar amigos, deixar recados na secretária, gastar uma grana preta e ainda aguentar gente que você nunca viu mais gordo te abraçando e dizendo "o tempo cura". Pois é, o câncer o tempo não curou né, mas a dor, ah!, essa sim tem cura e fica atrelada ao prazo de validade, parabéns saudade, você vai passar com o tempo!
Estarrecida com toda essa minha falta de compostura humanística, decidi por fim que não queria o boldo, pois este me exigiria o esforço físico de amassar as folhas para delas extrair o sumo salvador dos fígados fracos e oprimidos. Tinha pãozinho de queijo desses que a gente compra pronto e só precisa botar no forno, numa grande bandeja em cima do fogão. "Vai me foder" eu sempre soube, mas peguei uma porção e já fui abrindo e metendo o doce de leite no meio. O telefone tocando a cada 5 minutos putaqueopariueutocomenxaqueca e logo me vi admirando o pote de bolacha água e sal, que com doce de leite também fica uma maravilha. Típica larica bizarra de querer comer qualquer coisa que não ande. A água fervendo, coloco na chaleira pra finalizar a carqueja que me espera sorridente com uma pá de arrancar fígado, e percebo que quase todos os amigos do meu pai que nunca na vida ligaram pra ele pra desejar um feliz aniversário que fosse, estão agora descontrolados ligando um a um, para falar sobre o enterro, velório e outras convenções sociais e demais festinhas que só acontecem quando alguém morre.
O Chum era, segundo minha mãe, o mais legal de todos. No final do ano passado, tinha marcado uma festa numa chácara. Ele disse que bancava tudo, e que queria ver os amigos em vida, porque do jeito que andavam as coisas eles só iam se encontrar de novo no primeiro velório da turma. Ironia do destino? Talvez. Nota mental: nunca mandar e-mails para meus amigos sugerindo nos encontrarmos antes que algum morresse. A festa seria perto do dia do meu aniversário, e eu lembro que fiquei até feliz, porque há muito tempo tava querendo uma festa com gente diferente que pudesse me arrancar novas risadas.
Me pego assim, num misto de compaixão e sarcasmo que gira em torno do fato de eu considerar, friamente, que comigo será exatamente assim. Daqui 30, 40 anos, irei olhar fotos de agora, sentir saudades, e reencontrar meus amigos no primeiro velório da turma. Até chuto o defunto: o Rick, com câncer no pulmão. Na ocasião todo mundo vai esquecer as velhas rusgas, relembrar os bons tempos e talvez até trazer de volta os sentimentos e amores perdidos no meio do orgulho e de um calendário cristão e linear.
Definitivamente a dor de cabeça melhorou com o chá, as tranqueiras e o silêncio. Ainda não abracei meu pai dizendo que sinto muito, e acho que nem farei isso. Não que eu não sinta, simplesmente não consigo. Preciso dormir cedo, sem pensar no funeral dos meus amigos e em quanto eu engordei nas últimas 36 horas.
Minha vida segue quando o farol abre.
quinta-feira, 26 de março de 2009
Balanço
- Mais alto, mais alto!
Eu passo pé ante pé, na rua da praça infestada de mato e merda de cachorro.
A criança suja no pneu do carro, amarrada por uma corda no galho da velha árvore.
O outro moleque ri enquanto empurra o pneu pra longe, muito longe.
- Mais alto, mais alto!
O farol fecha na R. Vergueiro e eu paro em frente à árvore velha.
E em frente à criança.
E em frente ao moleque.
- Mais alto, mais alto!
Lá de cima a árvore só vê o que é carro e é concreto.
Vê o jogo de futebol no domingo entre os simples do bairro.
Vê o jovem que corre com a bolsa da velha que grita "Pega ladrão!"
- Mais alto, mais alto!
Lá de baixo o moleque só vê o que é sujo e o que não o pertence.
Vê as pessoas desviando de seu cheiro, vê os pais afastando dele os seus filhos.
Vê num pneu amarrado no velho tronco a infância trocada por bala no farol.
- Mas alto, mais alto!
E não vê a força que carrega em seu estômago podre.
E não vê a força que traça seu caminho torto.
E não vê a força que empurra o balanço no galho velho.
- Mais alto, mais alto!
Cede o galho, rompe a corda.
Voa o anjo menino para o meio dos carros.
Minha vida segue quando o farol abre.
segunda-feira, 23 de março de 2009
O Sexto Mês
Ainda hoje quando penso nisso, sinto o coração apertar como se de fato isso fosse uma doença minha. A vi no quarto, pela madrugada, desperta de insônia. Andava em círculos e ali já tinha sido meia maratona. "Envenenada", pensava, e até achava poético. Ela não sabia, mas exatamente naquela noite completava-se 6 meses desde o sussurro em seu ouvido pedindo com voz de anjos num corpo pecador: "dorme comigo", ele pediu em tom de súplica, e naquele momento certeiro resolveu libertar o coração que há tempos prendera a um silício quase religioso.
Decidiu amá-lo em silêncio.
Ela agora está do lado de fora do restaurante e já pode ver lá dentro, de costas, aquele homem de 6 meses atrás. Era preciso coragem para dizer tudo o que ela gostaria e precisava. Não mais era questão de sentimento. Agora os jogos deveriam cessar, e quem sabe teria até a coragem de libertar as amarras do silêncio que enfrentava ao longo desses tempos.
Revirou a bolsa e tirou de lá um cigarro. Olhou no relógio e viu que já estava dez minutos atrasada. Mais cinco não matam ninguém. Acendeu o fósforo, queimou a ponta do assassino mudo e tragou com uma delicada força. Aquilo era ela, a eterna viga em que se apoiava o insustentável peso de uma pluma, ou a tonelada de um fiapo de pensamento que ainda não sabia se era de esperança ou melancolia.
Seu cabelo estava curto agora, e ela viu que não usava mais barba. Ainda tinha os ombros curvados, e tomava um copo de uísque já na metade. Ele estava lá há bem mais tempo que supunha. Tinha algo a dizer, também. Ela sabia que tinha, e mais uma vez afrouxou o silício de seu coração e passou a acreditar, ainda um pouco desconfiada, que tudo daria certo. Sabia que o veneno que corria em suas veias não havia sido planejado, e que pela grandiosidade do sentimento que tinham um pelo outro, não passaria isso de um grão de areia no meio do caminho. Ficariam juntos, superariam juntos, e no final morreriam juntos do mesmo mal. Sentiu a boca quente no filtro do cigarro. Ele odeia esse gosto. Ela não se importa. Entrou.
O reencontro é sempre dramático. Ah! Ainda me corta o coração lembrar-me disso. Quanta felicidade, estava ali de braços entrelaçados no pescoço daquele que finalmente havia transformado a membrana plasmática de seu coração em um tecido permeável. Amor, repetia ela mentalmente, amor amor amor. Pela primeira vez, desde que leu o resultado no papel timbrado do laboratório, pensou em algo que não a faria morrer, e se o fizesse que fosse de felicidade.
- Pequena... você veio.
Sorriu. Lembrou-se da manhã em que ela, desesperada, trocava-se e às pressas para não ser vista pelo restante das pessoas do grupo, dormindo com aquele completo desconhecido. Ele pulou em cima dela e a jogou na cama de novo, cantarolando "do nosso amor a gente é quem sabe, pequena!".
- Estou aqui, sim. Diga pra mim, como está...
- Pensando muito em tudo. E você?
- Desisti de pensar, eu acho. Essa tal filosofia de boteco ainda me faz querer cortar a jugular!
- Ha ha, pensa assim não, pequena. Tem ainda muita vida pela frente.
"Você que pensa", quis responder, mas só conseguiu engolir a seco a realidade que estava ali pronta a contar.
- Pequena, eu preciso te contar uma coisa que aconteceu comigo. Espero que você entenda.
O que? Será que ele já saberia de tudo, já tinha visto o positivo em seu resultado também, e agora tentava pedir desculpas a ela?
- Sim... eu também preciso. Mas você sabe que eu quando começo a falar não paro mais, então pode começar.
- Haha, é, ainda bem que você é consciente. Bom, não sei o quanto isso vai ser difícil pra você, mas espero que entenda numa boa. Somos pessoas adultas, então não tem como encarar isso de uma forma que não seja racional.
- Falar de amor de forma racional é como tentar explicar a uma criança que no futuro ela não será tão feliz quanto agora...
- Seu amor não caberia em todos os corações do mundo, enquanto o meu eu defino com meia dúzia de versos soltos.
- Já disse que ainda me mata essa tal filosofia de boteco.
- Não se mate hoje, a vida te espera com um pirulito de caramelo.
- Para de me enrolar, seu pentelho!
- É que eu tenho medo de te machucar.
- Não gosto quando sente pena de mim. Inclusive, lembro bem você dizendo naquela noite que não me machucaria, e realmente não doeu.
- Na hora nunca dói, o problema é depois que a hora passa.
- Então diz sem pensar que uma bala dói menos que uma facada.
Já ali pensou que todas as suas ilusões acabaram de ter um ponto final, já ali sabia que era o fim. O fim do que não começou de fato, mas as pessoas dão muito valor às realizações temporárias e lineares. O tempo poderia ser talvez contado pelo significado dos segundos e não pela quantidade numérica que o relógio pinta os ponteiros. Ela muito bem soube que o fim é tão eterno quanto o começo, mas a felicidade não passava da necessidade de repetição. Mas como ser feliz com o início que é único, quando a repetição só permite o fim que se propaga lentamente, como vento passando frio pela janela?
- Serei pai.
É a felicidade a nossa necessidade de repetições, e só pode começar o que termina, só pode terminar o que começa, e nos mantemos nesse círculo vicioso de sonhos e frustrações até o dia que pararem de fabricar cigarros, lexotans, álcool e prozac.
- Como assim?
- Eu devia ter te contado antes. Mas pequena, eu não pude evitar. Ela mudou sim a minha vida, ela deu a mim o amor que eu nunca recebi antes e agora dará a mim o filho que eu sempre sonhei. Foi tudo muito rápido, nossa noite eterna há 6 meses e alguns dias depois, quando você foi embora, ela veio sozinha e nunca mais voltou. Não quero dizer que eu não te amei pelos segundos cronometrados de nossa noite infinita, mas seu coração nunca poderia ser inteiro meu, pois nele cabe todo o amor do mundo. Quero eternamente tua amizade, mas por favor, não se apaixone por mim. Eu não saberia conviver com a dor de te machucar, pequena.
- Entendo.
- Só isso? Eu posso acreditar, então, que você vai ficar bem?
- Eu sempre ficarei bem.
- Me conta agora, o que você tinha a dizer?
- Daqui uma hora sai meu avião. Vou para a Alemanha.
- Morar?
- Sim. Quando chegar lá te mando uma carta com meu novo endereço e telefone. Me manda uma foto do guri quando ele tiver nascido, aposto que terá esse olho dissimulado que nem o pai!
- Ah, ele vai ter que puxar a beleza da mãe!
- A beleza tem o formato da alegria que enxergamos.
Ela abre a bolsa e deixa na mesa o valor de uma água com gás e um maço de cigarros novo.
- Estou atrasada para o meu vôo, preciso correr.
- Achei que fôssemos conversar mais!
- Não, acho que tudo o que deveria ser dito está definitivamente dito.
Abraçou-lhe com pressa, tentando conter umas lágrimas insistentes. Sabia que acabara de cometer três assassinatos, mas seu coração partido estava começando a gostar dessa chacina.
Acendeu mais um cigarro e enquanto acendia, pensou por um minuto que ser soropositiva não era o problema. Não seria a AIDS que os mataria, e sim a indiferença, o rancor e a frustração.
Chamou um táxi e voltou para São Paulo. A vida ainda a esperava com um pirulito de caramelo.
sexta-feira, 20 de março de 2009
Lua Nova
Segue-me a lua minguante
a cada passo no escuro
e eu dizia de longe
a milhas e milhas sussurrantes
"Pequena, sorria!
Que até a lua tem seus dias de tristeza
e seus dias de alegria."
Eu soube, como você
que lágrimas podem pintar o dia,
pequena. Chore, pela dor que te corta
ou a falsa palavra de amor
ou o falso amor que suporta.
(Por quem se ama gritando
ou sente a dor em silêncio...)
Aprendi com a lua, que até a felicidade
vira melancolia.
A milhas distante te sussurro
e sopro a lágrima que pinta teu rosto
"Hoje choras sob uma lua vazia,
mas até a minguante se transforma.
Quando a lua te sorrir
pequena, sorria."
quarta-feira, 18 de março de 2009
Uma nova história.
Estou com grandes histórias na cabeça, mas devido a uma crise depressiva que logo descobri que não passava de mais uma terrível TPM, não consigo organizar as idéias e transformá-las em algo contável.
Digamos que tenho as situações. Em uma das histórias, um maníaco depressivo morre vítima de uma intoxicação não planejada de rivotril misturada a uísque barato. O cara vira um fantasma teimoso e aborrecido por ter tido uma morte jacu, e resolve sair por aí assombrando suas antigas companheiras de bar que não obteve a oportunidade de ver nua, e o faz durante a noite quando as mesmas vestem pequeníssimos trajes de dormir e pantufas de pelúcia.
Na outra história, quero contar sobre a paixão platônica de um flamingo por um escritor grisalho, saudável e de estatura baixa, porém muito sexy e romântico. Ambos são viciados em amendoim, e seguindo sua tradição milenar de dar amendoins aos flamingos do Viveiro Manequinho Lopes, teve o pássaro sua paixão nutrida por muito óleo, casquinha e calorias.
Daí tem mais uma, que me perturba faz tempo. Fala de uma prostituta baixinha e desfavorecida fisicamente, que cultiva um fungo de cor laranja no casco de uma árvore em frente ao bordel que trabalha. Fungo laranja esse que é alvo de uma curiosa fascinação de Emengarda Celestina, uma ex-gorda, bipolar, com problemas de interação social e viciada em biscoitos Club Social sabor Ervas Finas. Nesse conto, Emengarda Celestina toma um chá feito com esse fungo laranja e começa a conversar com um flamingo apaixonado, enquanto um semi-suicida atravessa a parede dry-wall de seu quarto.
- Emengarda Celestina, porra, que merda de calcinha bege gigante é essa???
- Oh! Eu lá ia saber que você resolveria me assombrar logo hoje, Ramón Ramirez?
- Sei lá, você costumava estar preparada, depilada, cheirosinha...
- Eu to cheirosa, seu fantasma insípido.
- Olha o respeeeeito, não é porque eu to morto que você pode me tratar como qualquer um. Além do mais isso é um despautério, enquanto a gente era fucker-friend, você era uma gordinha e agora tá tri gostosa.
- Ah, Ramón Ramirez... depois que você morreu, eu fiquei meio carente, comecei a comer demais e fui parar numa academia. Lá me apaixonei pelo Ronaldo. Ele é meio anencéfalo, gosta de Guns'n'Roses, mas tem os ombros mais lindos de todo o universo.
- Lindo? - intromete-se o flamingo - Você vê beleza em cada besteira, Emengarda Celestina. Lindo mesmo é o amor que tenho pelo Rogério Herberto. Ele sim, é capaz de me oferecer compreensão, carinho e amendoins. Ele enxuga as lágrimas depositadas pela humanidade neste pobre flamingo solitário, que vaga pelos céus paulistanos como um urubu cor-de-rosa. Sem contar, Emengarda Celestina, que tudo o que ele me pede em troca é um olhar sincero.
Silêncio.
- Tá, beleza flamingo, agora me diga Ramón Ramirez, foi mesmo um acidente?
- VOCÊ ACHA QUE EU TENTARIA ME MATAR COM UÍSQUE BARATO?
- Sei lá, você sempre foi meio bukowskiano, eu não duvidaria.
- Fato.
- ...
- ...
- Mas o Rogério Erb...
- CALA A BOCA, FLAMINGO CHORÃO.
E depois disso, talvez terminar a história com o escritor deixando o flamingo para viver junto de Emengarda Celestina, que largou Ronaldo depois de ele ter admitido gostar da música Hotel California e Caetano Veloso. Ronaldo, por sua vez, acabou virando amante de Margarida de Souza Morgado, que ainda não havia entrado na história, mas era uma senhora influente e super malhada.
Ramón Ramirez continuava errante, e até o momento em que essa história foi finalizada, fazia amor com a prostituta baixinha e desfavorecida sexualmente, só por diversão mesmo.
sábado, 14 de março de 2009
Um pouco sobre tudo.
Vou tentar não parecer demoniacamente pessoal e intransferível nesse post que, por força do destino, estou escrevendo em primeira pessoa como se conversasse com meu terapeuta. Não, eu não tenho um terapeuta, mas por muito tempo fiz do Guilherme a fronha onde pude repousar algumas lágrimas insistentes. Hoje em dia, por ironia do destino, tomo um floral receitado pela Bruna. Ele nunca mais precisou de meus lenços, inclusive. Um pouco mais cedo que agora, me peguei sentada na calçada da rua Baluarte, encostada em um poste onde possivelmente inúmeros cachorros minúsculos e recém-saídos do pet shop mijam diariamente, sentindo o cheiro de chorume de gente rica escorrendo de sacos pretos de lixo e, possivelmente, com o cofrinho a mostra. Final da aula de tendências audiovisuais, pra lá das 5 da tarde. Na verdade, eu sou mesmo é uma grande folgada, que quer ganhar a vida com a tranquilidade de uma borboleta mas vive com a inquietação de uma mariposa. Eu preciso logo de um emprego. Não digo nem tanto pelo dinheiro - preciso ser alguém.
Ontem o Claudio me perguntou quem eu era. "Vanessa", respondi. E ele falou "te ensinaram a ser o seu nome, mas eu não perguntei o seu nome". Eu não sou a Vanessa. Eu sou o conjunto de todas as Vanessas desse mundo. E de todas as Vanessas, sou todas as Livias, Marcelas, Neuzas, Zés, Rodrigos, Renatas, Thiagos, Larissas e Fernandas. Eu tenho a loucura das Karynas, e a esperança dos Guilhermes. Vi, num mundo de possibilidades e erros, que não sou eu. Não sei o que busco. Não quero. E junto desse emaranhado de sonhos e frustrações, sou aquela gordinha ali, de calça larga e chinelo, que vai te amar e aceitar como você é.
A Sabina falava que não se orgulhava de ser mulher. Eu também não. Aliás, posso viajar por milhões de anos-luz e nunca saberei exatamente do que eu me orgulho.
Acredito nas funções terapêuticas deste blog que vos fala. Pois bem, sou eu aqui parada em frente a esse já surrado e aniversariante MacBook, esbofeteando teclas e vomitando palavras de cunho depressivo e solitário, mas na verdade isso não passa de uma fuga imensa de mim. Estou aqui, faltam alguns minutos pro domingo, amanhã farei pelo menos um vídeo que está pendente, e acho mesmo que talvez seja essa falta de convívio social que me transforme na Vanessa que perdeu a vontade de enxergar tudo cor-de-rosa. Ufa. Gente feliz é chata. Legal é ser depressivo e apresentar problemas de relacionamento interpessoal. Mas digo que a função deste blog é terapêutica porque existe aí, pra você que está lendo, a opção de interagir com minhas idéias e desabafos, ou simplesmente fechar a página com o devido saco cheio. Eu faria essa última. Nem é maldade, é desvio de atenção mesmo.
Eu tenho medo. Tava falando pra Bru, eu tenho medo. Eu não sei dizer o que eu sinto com palavras faladas, e mal sei me expressar com as escritas. É de grande facilidade chegar aqui e escrever "estou depressiva, quero morrer", mas é fisicamente torturante digitar frases que demonstrem o quanto eu gosto de alguma pessoa. A Lara me deu o Clockwork Orange versão original outro dia, e eu ainda não consegui dizer que ela é uma das pessoas responsáveis por quase tudo o que eu tenho de bom na minha índole hoje. Eu nunca agradeci as pessoas que me salvaram, não da maneira como eu deveria, e as vezes elas nem sabe que me salvaram. Se alguma delas ler isso, talvez ainda assim duvidem que é com elas. Mas assim que funciona com a Vanessa. Eu vou te amar em silêncio, enquanto me houverem forças, e você só terá isso convertido em palavras no dia que eu tiver certeza de que me ama de volta. Enquanto isso, você será obrigado a entender nos meus olhos o que eu sinto.
Ainda não entendi o que quero escrevendo tudo isso. Talvez seja um grande pedido de desculpas, talvez seja um grande desabafo, ou talvez seja somente uma grande vontade de tentar me entender enquanto martelo as teclas.
Talvez seja um grande obrigada aos meus heróis.
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E agora, pensando num balanço do meu dia, digo com convicção e desespero que consegui, em menos de 24 horas, tomar 2 colheres de pó de guaraná, dormir 5 horas, ter 3 horas de ressaca, estudar por 8 horas, gastar 5 reais em créditos de celular, sentir raiva da humanidade por alguns minutos, ingerir 5 mil calorias e profanar em brados a mãe de um humilde ser humano não-paulistano que ouvia pagode e música sertaneja no volume de 190 db em seu carro tunado e tão não-paulistano quanto o mesmo.
A parte boa? Comi um Whooper do Burger King depois de quase 3 anos esperando por esse momento. Não encontrei problemas em organizar um grupo de estudo para a aula de Tendências do Audiovisual. Consegui mais um vídeo pra editar essa semana. Comprei um vestido lindo ontem! Descobri que nem falei tanta merda ontem a noite, bêbada no msn. Constatei que o Premiere é um tremendo lixo e que eu preciso aprender After Efects. Caí na real. De novo. Ufa.
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