terça-feira, 25 de junho de 2013

Ecos

Olha lá fora!

Tem uma gota bailarina pendurada na ponta de uma folha.
E na ponta de uma caneta cor de céu.
As pernas do compasso desafiam seu rabisco.
Linha torta no espaço.
Você, bailarina nas nuvens.
Eu, ponta de pé rastejando - carregando meu corpo que insiste em ser.
Já me misturo com a terra.
Poderia tocar seu rosto.

Brisa quente. É você com saudade?

Esse fim de mundo e ainda tem poeira no mogno da sala. Cada passo, um novo ranger de taco solto. Brinquei de conversar com o eco. Brinquei que você responde. Nossas vozes confusas em ondas que dançam entre as paredes. Uma conversa em código. Um segredo só nosso. O rasgo da almofada central do sofá, que você vivia tentando esconder com um lençol. 
Talvez eu reforme o sofá neste ano. 

- Quem mexeu no lençol?
- Meu boneco do Batman!
- Para com essas criancices.

Ha ha ha. Paro. Parei.
Tem um copo ainda sujo na pia. Café azedo espalhando lembranças pela cozinha. Impregna as cortinas, os panos de prato. Muito tempo com a janela fechada. Meu corpo é fraco, talvez eu não aguente levar todas essas caixas e esses copos. Você não podia ter ido antes, Aurora. Não tem força no eco. Não tem móveis. Só caixas. Vamos brincar de eco, de novo?

- Oi!
- Oi!
- Oi!
- Oi!

Vamos dançar um tango na sala. Eu afasto o tapete, você flutua no chão. Seu vestido no ar parecem folhas do Ipê. Ele está grande agora, veja. Todo setembro ele faz festa! Te cobre num véu de flores. E eu sento ao seu lado, cantando baixinho enquanto você sorri escondido. Nosso código. Um sorriso em segredo.

- Gosta da minha música nova?

Quanta porcaria que a gente junta. Porcaria presa em caixas, caixotes, malas, estantes, gavetas. E você pequena barata, veio de qual porcaria que eu juntei?
- Daquela botina marrom.
- É bom ser barata, barata?
- Não é tão bom não. 
Somos donas de um corpo limitado
designado a ser corpo
até que não tenha mais espaço entre o que eu sou
e o que eu devia ser.

Então viro casca.

Tipo eu. Preso nesse corpo velho. Por engano ou por azar. Se eu ainda pudesse sair, dar uma volta. Você me ensinava a dançar aquela valsa que tinha prometido. Aquela que eu sempre achei cafona.

Dvorak. Gosto dele respondendo no eco.
Parece seu vestido no vento.

Ninguém vai sentir falta das minhas caixas. Vamos fechar as janelas. Sou só um menino preso nesse corpo velho, não sei brincar com fósforos. Vamos dançar essa valsa, flutuando com a fumaça negra.

Faz calor aqui dentro.
Essa brisa quente que toca o meu rosto é você sentindo saudade?


sexta-feira, 29 de abril de 2011

Não gosto de poesia.

Sabe, esse povo cheio das de ser poeta?
Que escreve num guardanapo sujo
de bar
com caneta
de garçom
E diz que é poesia.

Isso me enoja.

Ainda mais essas poesias marginais, cheias de vírgulas, metalinguagens, estruturas diferenciadas, aquela coisa meio bauhaus, misturada com sonetos clássicos e dadaísmos.
[desprezível

Ainda que fossem sinceras
daquelas que arrancam grito da alma
eu bem aceitaria.

Ou se falassem da vida
ou da morte
ou de amor
sem parecer letra de música pop romântica do século passado

Porque já não me basta ler tanto lixo
ainda tenho que engolir que é poesia.

domingo, 13 de março de 2011

Tenho pensado.

Sim, eu penso. Antes que me contrariem.


(aviso aos novos leitores, e aos velhos, antes de prosseguir com essa grande e intensa encheção de linhas: a postagem abaixo não será um conto, não terá mulheres peladas, cenas de homossexualismo, sadismo, técnicas de escrita, pedantismo, abuso de drogas, melancolia crônica, pegação entre irmãos, crianças gordas, noivos incompreendidos, exames de HIV, indiretas, e muito provavelmente nada de interessante.)

Dizia eu que estava pensando, e isso normalmente costuma me incomodar. Começou faz tempo, mas tento não utilizar meu cérebro com frequência: além de dar trabalho, normalmente não tem retorno financeiro, o que é de uns tempos pra cá a única fonte motivadora dos movimentos gerados pela minha musculatura estriada.
Voltando - tenho pensado no comportamento humano, coisa corriqueira, já que seres humanos somente acham que se comportam, quando na verdade têm é seus impulsos pautados pela cópia ipsis literis dos impulsos alheios, principalmente se o alheio for um pouco menos desinteressante que ele próprio. Apesar de que, volto a enfatizar, isso é uma grande utopia, já que quase todo mundo que me cerca é absolutamente desinteressante. Fora, é claro, as pessoas que se comportam. Como qualquer coisa. Bom ou ruim, pedir um pouco de personalidade não é demais, é? Ok, não precisam me responder.
Mas não era exatamente isso que me instigou a botar os dedinhos pra mexer nessa noite de domingo meio quente, meio fria, meio calabresa, meio muçarela. Digamos que foi a fila do mercado. É, a porra da fila do mercado.
Eu só queria comprar um Activia Light de morango e um Yakult. R$ 2,63. Light porque eu tô fazendo regime há 3 semanas, e perdi 1 quilograma, o que me transforma numa inútil. Agora tenho mais 2 semanas pra perder 2 quilogramas e não ser uma completa vergonha pra espécie humana em frente a uma balança analógica e uma mulher vestida de branco com nome árabe cuja voz me lembra de longe a de uma criança com 4 anos de idade segurando uma faca apontada pro teu estômago. Fofa.
Então, a fila. Eu tô num mundo que a fila pra comprar mantimentos básicos superfaturados pela inflação que todo mundo finge que não vê, atinge tamanhos desproporcionais à porcaria de mercado a qual se instala, enquanto um caixa, livre, bonitinho, está inoperante e sem serviço.
Tá tudo errado.
Larguei as iguarias que dariam um sentido vetorial novo ao meu intestino lá na gôndola dos fresquinhos e saí, né, de mãos abanando.
Não sem antes me lembrar que a empresa de planos de saúde Golden Cross não fornece senhas de finais de semana e entre às 18 e 8 horas nos dias de semana, o que me obrigou a ficar que nem uma imbecil na frente de uma educadíssima (de verdade, não estou sendo irônica) atendente dos Laboratórios CDB na Marselhesa (a do guichê 5 no 2º andar), enquanto ela me dizia que meu exame de ultrassom não poderia ser realizado e que eu teria de reagendá-lo para um dia de semana em horário comercial. Não, eu não estou grávida, antes que venham as dúvidas.
Por favor, Lina, eu juro que queria trabalhar o dia inteiro, a culpa é da Golden Cross que não quer que eu seja uma profissional excepcional e capaz de resolver meus problemas de saúde sem interferir o horário de trabalho. Sue them.
Concluindo o raciocínio, resolvi então passar na Drogaria São Paulo, e comprar umas barrinhas de cereal capazes de enganar esse estômago gordo que vos fala nos horários de lanchinho (9h30 e 15h30), e, que não me espanta a falta de educação nesse mundo - mundo este que não me espanta com nada mais mesmo - a mocinha do caixa me vê, em sua frente, com meu produtinho em mãos, e tem a pachorra de gritar próximoooo e referir-se à desinteressante logo atrás de mim, que prontamente se pôs a serviço da pobre empregada de farmácia num domingo a noite.
Claro, eu sou uma lady inglesa, dei passagem à moça atrás de mim que certamente deveria ser mais interessante que uma baixinha gordinha de camiseta manchada e bermuda cortada, fiz uma cortês reverência de aproximadamente 90º, agradeci a deus a oportunidade de ceder meu lugar na fila pra outra pessoa, deixei aquelas barrinhas de merda em cima da gôndola e voltei pra casa, tão rica quanto saí.

O fato é que nunca ninguém me deixou passar em sua frente na fila, e muito menos com a educação britânica que eu mereço por, simplesmente, ser uma pessoa como qualquer outra.

Fim de noite. Fim de domingo. Desejos normais pra essa hora do dia, aqueles vícios todos que nós temos, e a certeza incontrolável de que a vida é um saco entre as 18h de domingo até as 18h da sexta subsequente. Boa semana pra todos! =)

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Olimpia

Ela desceu do carro na frente do velho prédio na Borges Lagoa. Eu esperava num banco do lado de dentro, e não pensei em ir até lá buscá-la. Era ainda mais linda assim, fingindo ser rica. Trajava um vestido fino, tão decotado que achei poder ver parte de seu mamilo por cima da dobra delicada na seda branca. Ele que dirigia, e eu senti raiva. 'Ele te possuiu', afirmei depois, já no apartamento. Ela riu, aquela risadinha dissimulada que gostava de dar pra provocar e confundir. Mas vamos voltar às roupas. Elas são importantes na história. O vestido era de seda fina, branca, com um decote digno, que desenhava claramente cada forma de seu corpo. Era quase morena, não fosse a falta de praia aqui de São Paulo. Pernas compridas e musculosas, capazes de fazer o que quisessem com quem tentasse descobri-las. E geralmente, o que queria era simples e fácil até pra uma puta tipo essas que vivem pelos bares de samba e cerveja barata da rua Loefgreen.

O porteiro do prédio também deve ter percebido o vacilo no decote. Já podia imaginar o que faria assim que você me cumprimentasse e desse as costas. Porcos. Homens são sempre porcos. Desvirtuam a mais bela manifestação de amor e desejo, aniquilando suas chances de conquista pela possibilidade de uma foda exibicionista. Acabou na punheta, o desgraçado. Pensando na minha Aurora.

(Não, não matei o porteiro, apesar de ter descoberto alguns dias depois que gravara um vídeo nosso pela câmera de segurança do elevador. Foi um vacilo da pressa. Você sabe como é difícil manter as aparências com uma mulher como aquela a menos de três centímetros da sua boca.)

Aurora entrou aquele dia no meu apartamento (que na época ainda era o do 23º andar, com vista pro Ibirapuera e pra Avenida Paulista) e tirou as sandálias que também eram brancas, com um salto que beirava os quinze centímetros, mas você sabe que eu não tenho muita noção de tamanho. Era um salto agulha, daqueles que eu não sei como você também usa. Sabe, aquele teu sapato azul, que você comprou semana antes do casamento da Paula? Parecia o salto dele. Era, era bem bonito. Entrou, tirou as sandálias e olhou pra mim sem muito desejo. Talvez já estivesse apaixonada pelo playboy do carro. Eu perguntei que cara era aquela, mas ela não respondeu. Levantou, assim, de súbito, e deixou uma alça do seu vestido cair pelo ombro. "Me beija", e pedindo assim não dava pra recusar. Mas eu recusei. Queria brincar com ela aquela noite. "Me beija!" ela gritou e ordenou e esperneou e fez cara feia. E eu recusei. Cada recusa causava mais tesão e eu me dei conta que gritávamos sem o mínimo pudor todas as palavras do nosso vocabulário mais sujo, insultos que sublimavam-se em doces mentiras com resquícios de verdade enraizada, até que vociferei "Puta!" e ela me bateu na cara com aquela sandália imensa.

Sabe, Olimpia, apanhar de mulher não é fácil. A gente pensa que homem é forte, mas mulher que sabe onde machuca. Uma vez ouvi dizer que quando a dor é muito forte, a gente não sente. O que eu senti quando o salto fino daquela sandália rasgou parte do meu rosto, não foi exatamente uma dor. Dor, eu senti alguns minutos depois, mas já chego nessa parte da história. O que causou foi a culpa, o constrangimento com o calor do sangue percorrendo a maçã esquerda do meu rosto. Aurora viu tudo aquilo e ficou em estado de choque. Parecia ter voado em minha direção, gritando que me amava e implorando o perdão. Beijava meu rosto e lambia meu sangue, numa demonstração patética de arrependimento e auto punição.

(Eu sempre te perdoei, Aurora, hoje vejo que até quando você não merecia. Às vezes acho que se tivesse desistido de perdoar-lhe na primeira vez que me humilhara, teria sido só mais uma dessas putas pro resto da vida, e tanto o Carlos quanto eu teríamos sido somente clientes.)

Não, Aurora não era exatamente uma puta. Era uma mulher deslumbrante, que sabia como ganhar dinheiro abrindo as pernas. Mas isso de maneira alguma tirava seu mérito. Diria, na verdade, que a habilidade maior não era de fato o sexo, e sim a forma como ela amava as pessoas, e como se fazia ser amada. Mas vamos parar com esse floreio. Esqueço sempre de me ater aos fatos.

Saí do abraço, com calma, para não sujar ainda mais aquele vestido branquíssimo. Fui até o banheiro, e examinei cuidadosamente o corte, que era profundo o suficiente para expor a carne que já começara a ser devorada pelas bactérias daquele salto imundo. Lavei com água e sabonete, desinfetei com álcool, e aí sim senti a dor que mencionei, a dor de verdade, a dor física em seu absoluto e perfeito poder, dominando todos os sentidos desenvolvidos por um cérebro primata como o meu (e o seu). Sim, a dor sublima a alma e transforma tudo à volta em mera representação metafórica, desde o algodão que segurava entre os dedos até ela, parada atrás de mim em estado de auto-piedade plena, ainda com a alça do vestido caída pelo ombro direito.

(Ou esquerdo? Merda, como eu posso me esquecer de um detalhe tão importante deste grandiosíssimo quadro pintado pelo reflexo de meu espelho? Eu, com o rosto dilacerado e contorcido pela dor do corpo, ela, um manequim moreno com o vestido sujo de gotas de sangue, envolvida pela culpa - que fora gerada pelo mais puro ódio, que foi gerado pela mais pura verdade. Ah, como é linda essa realidade lúcida e limpa de sentimentos primitivos e irracionais! Ah, como é feliz saber que tudo é perfeitamente simples quando manifestamos nossos sinceros desejos!)

Após contemplar em silêncio os segundos de dor e prazer, tive a idéia mais estúpida que poderia ter na vida.
Devo a essa idéia uma cicatriz eterna, mas confesso que os minutos em que passei sob o domínio de Aurora e aquela agulha foram, até hoje, os mais sensuais e apaixonados de toda a minha vida. Andei calmamente até meu quarto, e na terceira gaveta de cima para baixo no armário do meio, havia uma caixinha com minhas agulhas e linhas que usava eventualmente para pregar um botão ou zíper em uma calça. Abri a caixinha, encaixei na agulha um fio claro de linha, e limpei todos com álcool em abundância.

Sabe Olimpia, eu não gosto de sujeira. Essa minha mania de limpeza é uma forma de evitar a maior visão de repugnância que tenho, milhares, milhões, incontáveis bactérias festejando sobre a minha pele, saboreando vigorosamente meus órgãos internos, atacando inescrupulosamente meus tecidos, transformando tudo em uma massa podre de carne, um tenro banquete putrefato, até chegar ao fino osso, desprezando as unhas e os cabelos. Até a roupa lhes serve de sobremesa, nessa festa imunda e fúnebre. Mas voltemos aos fatos.

Pedi para que Aurora costurasse minha pele. Não seria difícil, ela também já pregara alguns botões em calças e sabia como funcionava. Em perfeito estado de desespero e desamparo, atendeu a outro pedido sem o mínimo resquício de pudor. Tirou o vestido, para que não o sujasse ainda mais com o meu sangue. Despi-me, também, e estávamos completamente sem roupas, frente a frente. "Quer vinho?" me perguntou, mas neguei.
"Quero sentir cada movimento da agulha perfurando a minha pele, atravessando a carne, a linha em sua trajetória lenta e firme" (essa minha paixão pelo drama e pelas palavras). Claro que falei isso Olimpia, você acha que eu sou do tipo que inventa diálogos só pra me sentir artista? E assim, ela costurou, de ponta a ponta, isso que hoje em dia é essa cicatriz aqui. Logicamente eu desmaiei na metade do processo, mas logo ela me acordou com o cheiro do álcool, e voltou a costurar minha cara.

Curiosamente, não cobrou-me por aquela noite.


*********

Eu disse que seria longo. Aurora ainda se contorcia de prazer quando contei a ela minha ideia. "Você está absolutamente louca", ela dizia, e eu saboreava cada palavra saída por entre os dentes grandes de sua boca. Podia sentir o hálito da manhã, mas isso não me incomodava tanto. Ela concordava com a ideia, e isso era o que importava.

Havia muito trabalho a fazer, e precisávamos de tempo para planejar tudo. Eu conhecia vários estudantes de medicina, já que a Unifesp era na rua de baixo e meus vizinhos eram todos de lá. O da frente, Renato, era um rapaz alto, muito bonito, moreno, que vez ou outra dava em cima de mim ou da Aurora. Chamei-o em casa algumas vezes pra festinhas particulares, ou só pra dividir um baseado enquanto ouvíamos um disco, que as vezes era Bowie, outras era Mozart. Eu gostava dele, um cara desses que entende de tudo um pouco e não se prende a nada. E por isso, certamente me ajudaria.

Carlos já estava acostumado com o fato das quintas e terças, Aurora dormir comigo. Não sei se gostava, e espero que não. Nada me dá mais nojo que homem com tesão em mim. E na minha Aurora. Mas ela precisava de vestidos.

A noite do domingo estava chuvosa, era verão e eu suava. Suava muito, incansavelmente. Parei à porta da casa de Carlos. Aurora que atendeu.

Estava linda, com uma camisola de seda inglesa roxa. Pensei em possuí-la ali mesmo, na porta, pra deus e o mundo assistir. Mas tinha que colocar o plano em prática.

"Carlos está deitado", disse, e subimos calmamente até o seu quarto, sem trocarmos uma única palavra. Quando abri a porta, Carlos acordou, como que prevendo seu destino. Chamou-me pelo nome. Disse-lhe boa noite. Aurora, nesse momento, passou a mão por minha cintura e beijou a cicatriz que ainda estava em carne viva.

"Você vai gostar de sentir tudo", eu disse, lembrando da agulha e da linha que já estavam devidamente esterelizadas, assim como o bisturi. Não seria por ódio que dá-lo-ia de presente aos vermes, para roê-lo até o último fiapo de carne. Não, deixa isso pro tempo. Eu só queria o que nunca poderia ter.

Desejei começar pelos testículos, que pareciam ser mais complicados. Com um único corte, tirei-lhe também o pênis. Carlos contorcia-se de dor e desgosto, enquanto Aurora, sem esboçar a mínima reação facial, costurava-lhe a pele com a maestria de uma fina modelista francesa.











eu postei esse conto num concurso literário da faot (uma comunidade do orkut) o blog do concurso é esse aqui ó:
concursoliterariofaot.blogspot.com
tem um monte de coisa bacana lá, super recomendo.


ah, fiquei em segundo. rs.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Minguante

Vazio.
O caminho torto, onde traço passos no escuro
descreve notas surdas.

Silêncio.
Ecos passeiam pelas árvores
suspirando medo e alívio.

A lua doente de icterícia.

[poemas presos no vazio da gramática]

Este céu nunca foi meu.
É da lua e seus caminhos.
Passos dados nunca voltam.

É o mesmo céu de ontem, sem palavras ou destino
sou quarto-crescente sob a lua minguante.

[saudade presa no vazio dos poemas]










Essa é uma releitura de um paragrafozinho bem besta que escrevi com uns 17 anos, mas que faz muito mais sentido hoje em dia. Achei perdido no caderno de anotações do meu trabalho.

crise criativa e outras desculpas

to cansada, muito trabalho, cabeça cheia, preciso descansar.

não tenho inspiração pra nenhuma linha mais, to achando que vou entrar em recesso mental.

abraço a todos, talvez no meio tempo eu mande alguma coisa que ficou perdida em algum caderno velho.
ah, feliz 2011. =)

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Se eu pudesse, eu parava de pensar.






(Lembranças são poeira de vidro que entram pela janela quando o céu fica cor-de-rosa, como se fossem contas de brilhante embrulhadas em fiapos de memória.)