domingo, 31 de agosto de 2008

Coisas que todo mundo deveria saber sobre as pessoas.

Estou lançando um fiapo de idéia sobre o quanto conhecer as pessoas é injusto, indigesto e chato.
Não, não é mais um discurso anti-social do tipo "eu odeio gente", não, eu nem odeio tanto assim, mas eu não tenho mais os devidos testículos que eu tinha há alguns anos quando o "conhecer-alguém" era algo natural e divertido.
Não, não é mais algo natural e divertido.
Não é mais tão fácil descobrir os segredos das pessoas. Parece que com vinte e tantos anos, as pessoas já não são mais tão simples. Saem os lugares-comuns "que música você ouve", "qual seu bar preferido" e entram questões muito mais complexas e chatinhas, como "qual o sentido da vida pra você" ou "como você enfrenta as questões sociais e tecnológicas em conjunto no presente momento político".
Essas coisas com conteúdo. Essas coisas que depois que você descobre não ser mais criança, percebe que são as sutis diferenças que separam o joio do trigo.
Daí, depois de saber se o futuro amigo/namorado/companheiro de bar/parceiro de sexo casual (entre outras categorias de relacionamento interpessoal) é alguém que acredita em deus, torce pro Caxias e vota no PV, você pode dizer se realmente está interessado em manter contato.
Antes era mais simples. Era só saber se ele gostava de rock, lia J.K. Rowling e tinha carro.
Seasons change.


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Aproveitando o clima facilitador de relações, vou listar aqui algumas coisas sobre mim só pra pular algumas partes na hora de me conhecerem (isso significa - pulemos essas perguntas e já vamos pro vinho). Aceitem isso como um favor.

1 - Não acredito em Deus. Não tenho religião. Mas acredito que tenha alguma coisa aí que cuide de tudo.
2 - Não tenho partido político, mas não adianta, eu não vou anular meu voto, não vou votar no Maluf e não gosto do Lula.
3 - Sim, eu gosto de dinheiro.
4 - Sim, eu prefiro vinho e queijo do que churrasco e cerveja.
5 - Cerveja é minha bebida preferida.
6 - Só tomo Coca Zero, mesmo depois de ter comido uma leitoa inteira.
7 - Eu não como leitoas. Nem vaquinhas. Nem porquinhos. Nem humanos.
8 - Sim, seria capaz de matar um ser humano, mas não sou capaz de fritar um bife.
9 - A vida não tem um sentido definido, conforme o tempo passa a gente vai traçando nossas prioridades e a partir daí moldamos o sentido que ela deverá ter para nós.
10 - Eu amo.
11 - Eu sinto saudades todos os dias de alguém. As vezes de alguéns.
12 - Meus heróis todos me decepcionaram. Hoje não tenho mais ídolos - tenho pessoas que eu admiro, mas que sei que nunca serei como elas. 
13 - Não gosto do David Lynch.
14 - Prefiro coxinha com Guinnes do que queijo com vinho.
15 - Sexo é superestimado. 
16 - Eu não gosto de gente. Muita gente.
17 - Sim, eu tenho preconceitos. Musicais, literários e cinematográficos.
18 - Não gosto de publicidade, não sei o que eu tinha na cabeça quando eu fiz essa faculdade inútil e não vou sossegar até ter outro diploma em minhas mãos.
19 - Eu não quero casar, ter filhos e cachorro.
20 - Eu sou completamente emocional. Completamente. Até meu lado racional é emocional. Por isso, muitas vezes, eu não sou exatamente o que as pessoas gostariam que eu fosse.


Acho que vai facilitar a vida aí de vocês.
Beijos.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Eu não vou mudar.

Não vou conseguir ter o sorriso que você me pede. Não tenho a força que você precisa de mim. Não tenho o ânimo que você gostaria que eu tivesse.
Eu posso até tentar mudar.
Mas eu não vejo o mundo com teus olhos, não sei ao menos se vejo o mundo.
Eu quero mudar.
Pra te agradar. Pra te fazer feliz e te ver sorrindo. Pra ser quem você sonha que eu seja, e te ajudar a ser o que você não conseguiu.
Mas é difícil mudar.
É difícil buscar no lugar mais profundo de mim, a vontade que você espera que eu tenha.
Por isso, eu não vou mudar.
E mesmo assim você terá orgulho de mim.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Acima de tudo, geração saúde! (Parte I)

Ele está sempre rodeado das mais belas garotas do lugar. Sempre disposto. Quase nunca disponível. Elas riem, encostam e chamam sua atenção. Elas usam fusô branca, e pelo visto não usam calcinhas.
Mas ela, aquela ali parada, não diz nada. Está alheia. Está quase cega em pensamentos. Segura em suas mãos uma garrafa de água e o papel amarelo com seu treino.
E seus olhares se cruzam.
Ele, o professor bonitão, ela, a maior sem graça do lugar.
Então pede licença a todas as belas moças que o rodeiam e anda, quase lentamente, quase sonoramente, quase solenemente, em direção a ela.
Ela percebe a movimentação. Sente cheiro do ferormônio. Fixa o olhar. Intimida. 
E em um instante é como se todas as atenções se voltassem aos dois. Dois mundo diferentes, mentes diversas, sonhos escondidos, toda a tensão do momento, ele abre a boca, ela sente o ar saindo do seu nariz. Encaram-se. Ele então pergunta com a oponência digna de um gorila sul africano que acaba de passar Axe Instinct:

- Precisa de ajuda?

Tensão. Arrepios. Suor brota da testa em câmera lenta.

- Sim.

Ele pisca os olhos em sinal de segurança e poder. Aproxima-se dela com cautela e precisão.

- Diga.

Ela respira fundo. Olha para o papel amarelo. Mais uma salgada gota de suor brota de sua testa enrugada de questionamentos e falta de hidratante.

- Que dia é hoje?
- 14.
- Obrigada.

E vai pra máquina de supino articulado.

Sim, agora somos todos gente grande.

É, é, é, eu sou uma manteiga derretida.
Fazia uns 6 meses desde a última vez que deixei o grande portão Mackenzista carregando um canudo vazio vermelho e dourado e uma mini-bíblia sagrada, gritando que nem uma gralha "ACABOU ACABOU ACABOU", quase sentindo todo o fio da felicidade tecendo os grupos musculares de meu corpinho.
Daí ontem me pego entrando pelo mesmo portão que saí. Pra ver a colação da Dani Luck, nossa honrosa amiga a quem daria um braço se fosse necessário. Momento grande esse. Ela vinha esperando por ele há uns... 7 anos? Coisa assim. 
Isso aí me fez ver algumas coisas que eu sempre soube, mas enjaulava no meio de meu coração de pedra, só pra fingir que eu sou durona e muuuito má. É, eu amava aquela faculdade idiota.
Foi só o portãozinho e todas as lembranças me vieram a tona, como um soco na cara. Todas as loucuras que já fiz, disfarçada embaixo dos meus cabelos, pra conseguir presenças, terminar trabalhos, tomar cervejas ou cafés expressos, ou simplesmente relaxar a cabeça depois de me ferrar por algum motivo acadêmico.
E outra coisa me pegou de jeito - de fato, a maioria das pessoas que você conhece na faculdade, existem só lá. Até minhas melhores amigas de classe eu passei quase 6 meses sem ver. Imagina os amigos opcionais... 
Daí foi isso. Cheguei, fui até o Ruy Barbosa, fiquei de pé e vi a Dona Esmeralda, cheia de curvas e imponência como sempre, fazendo o juramento que fiz há 6 meses. E no meio de um dos discursos, disse "haverão momentos difíceis, e momentos em que você pensará em desistir, e esses serão os momentos que os transformarão em grandes profissionais".
Neste momento só consegui pensar em duas coisas: eu sou uma profissional gigante - frustrações profissionais engordam.
Eu sempre detestei a Esmeralda, mas me emocionei com o discurso dela. Muito. E se ela está onde está até hoje, é porque deve realmente ser alguém competente. E grande. [sic]

E daí eu chorei. Chorei, mas chorei tanto que tive que tirar os óculos. Era de saudade, de emoção, de medo, de responsabilidade, de frustração, de felicidade e tristeza também.
Mas é assim que o mundo funciona, não? Misturando nossos sentimentos e jogando-os em nossa cara.


Ah, sim, e pra finalizar, descobri que o High School Musical Brasil gravou um clipe na escadaria do prédio de D.I. e Arquitetura. Sempre foi uma delícia chacotear esses nossos companheiros de orientação sexual indefinida, e agora terei mais uma carta na manga! EBA!

domingo, 10 de agosto de 2008

O primeiro dia do resto da minha vida.

Depois de 14 dias consecutivos trabalhando loucamente com um job para o dia dos pais, resolvem terminar tudo na agência que nos contratou.
Era quarta feira, 7 horas da manhã. Vanessinha acorda o editor que a chamou pra fazer esse trabalho e depois pensa seriamente em enfiar um nabo inteiro no próprio orifício anal de tanta vergonha. Fica lá, sentada em frente do prédio do Itaú, contemplando o laguinho artificial, os mendigos oficiais e a frenética manhã paulistana mais do que habitual. O metrô Conceição tem lá seus encantos que eu ainda não sei bem definir quais são, mas me agradam de alguma forma.
Espera até umas 8h20, e vai lá pra casa dele tirá-lo da cama com palavras doces do tipo "velho, tem trampo para caraaaaalho hoje". Essa frase, por sinal, era mais usada do que bom dia, boa noite, bom trabalho, bom natal, namastê. 
Umas 9 e pouco já estavam com tudo ligado. Mac-zão, mac-zinho, hd externo 1 e 2, fios fios fios, meu deus como tem fio nesse mundo, e toca trabalhar loucamente. Vanessa, fazendo um esforço quase homérico para jogar sua timidez e falta de sociabilidade pra dentro do pâncreas e mantê-lo lá, quase pareceu uma pessoa normal e bacaninha. No fundo, era tudo assustador. Pessoas desconhecidas, muita responsa, muita gente envolvida. Medo. Medo de dar errado, de fracassar, de perder a confiança.
Ganhou a quarta com um PF fora do comum, no meio do Brooklin. Daí foi que começou a perceber que trabalhar engorda. Esse PF (arroz, feijão, salada, batata frita e filé de frango) umas 2h da tarde, e lá pras 11h da noite, uma deliciosa pizza de quatro queijos com borda recheada de cheddar. E Coca-Cola. E muito café. Muito.  É, acreditem, se a gastrite ainda não atacou é que o santo é muito forte.
E agora, a Vanessa deixa de ser alguém alheio a tudo e vira eu. Eu, viro, e viro a noite também, editando vídeos e mais vídeos, e parece que quanto mais eu trabalho, mais trabalho aparece.
Nem sentir mais nada, eu sentia. Só sono. E sono. E café. E halls. E café.
Nesse ritmo foi-se até as 16h de sexta feira, quando entregamos o trabalho na mão do cliente.

Foi tudo uma loucura. Não tenho muito mais palavras pra descrever.
Mas quando olho pra trás, hoje, sentada em frente ao mesmo notebook que trabalhou comigo aquelas 55h sem ser desligado, é como se a vida começasse a fazer sentido.
Trabalhar cansa. Arde o olho. Dá desespero. Mas sonhar é assim, e se eu não correr atrás dos meus sonhos, quem vai fazer isso por mim? Meu pai? Deus? A síndica do prédio?

Resolvi que chamaria este de o "primeiro dia do resto da minha vida". E não sei se era uma sexta, uma quarta, uma quinta, nem sei se era de dia ou era de noite.
O que importa é que eu consegui. Eu não fracassei. 

E para ilustrar, já dizia Anitelli: "Quem tá junto, tá junto".

O último dia do começo da minha vida.

Era aquela mistura de nostalgia e felicidade. Botei na cabeça que ia me virar sozinha e passei a caminhar, desse jeito que eu sempre gostei: sem ordem e sem rumo.
Era meio dia e eu resolvi esquentar a última marmita naquele microondas super silencioso. Como de praxe, liguei meu adorável IPod (I love my Mac) no disco da Amy Winehouse e comi meu macarrão tunado de domingo com molho branco feito no dia mesmo, pra dar um gostinho.
Eu sempre soube que meu chefe me odiava. Sem motivo nenhum, simplesmente me odiava. Pra ele, eu acho que fiz um favor.

Decidi chamar esse dia de "o último dia do começo da minha vida". 
Só pela questão poética mesmo. No fundo, não passava de uma terça feira.