segunda-feira, 29 de junho de 2009

Tenho medo.

De quase tudo o que está acontecendo.

Quase.



(isso inclui a morte do Michael Jackson, meu possível desligamento do estágio, minha coragem súbita de prestar mestrado em semiótica, minha insensibilidade diante de situações em que normalmente eu já teria saído dos eixos, a gripe suína, meus freelas, minhas poesias não expressarem o que eu sinto, prováveis e inevitáveis banhos de água fria, a falta de certeza sobre o que eu quero, quem eu sou e do que eu gosto e essa maldita vontade de desistir de tudo e ir embora.)

sexta-feira, 12 de junho de 2009

É inverno, de novo.

É tempo de flores roxas cobrirem o chão.

Lembro-me como se fosse ontem: era meio dia e eu comia correndo aquela gororoba de abóbora com arroz, eventualmente com um pedaço de frango no meio, e ligava as "antenas de metal" em algum disco do Marillion. Saía andando pela rua lotada de uma São Paulo na hora do almoço, quase berrando "But when you're gone I never land in neverland" e sentava naquele banquinho da pracinha da macumba. Uma vez, juro, tinha uma galinha morta e esturricada ali. Nem tinha visto, sentei do lado dela, só reparei na nojera quando um monte de pombos petulantes vieram pentelhar a minha fossa. Quase pulei pra trás! Não que eu seja supersticiosa, mas pera lá, uma galinha morta é muito pra minha racionalidade.
Teve aquela vez da velhinha que alimentava os pombos também. Ela levou, sem brincadeira, 1 quilo de arroz pra tacar aos bichos. Passei quase 40 minutos olhando o arroz acabar e virar cocô de pomba, e nesse momento tive o estalo que me fez entender o sentido da vida: o ser humano é que nem pombo - só sabe correr atrás de comida, engole sem sentir o gosto e ainda depois caga tudo em cima de alguém que não tem nada a ver com a história. Não sei se depois disso meu fascínio pelos pombinhos aumentou ou foi pro saco de uma vez por todas.
O frio tem dessas brincadeiras: você pode estar de bem com a vida, mas resolve inventar uma fossa só pra poder testar seu limite sentimental - hoje me peguei descendo a rua de casa e ouvindo Lóki. Nah, numa boa amico, quem ouve Lóki num dia dos namorados frio como esse, das duas uma: ou tá antecipando suicídio ou querendo fingir que é personagem de novela mexicana. Pra primeira é simples. Bota na "Será que eu vou virar bolor" e pega a navalha. Até o final do disco, você pelo menos já desmaiou. Mas a segunda é bem mais divertida. Mete um "Desculpe" na orelha, abre os braços e ajoelha. Grita:

- ME ABRACE! DIGA-ME O MEU NOME! DIGA QUE VOCE ME QUEEEERRRRR!!!!

É quase terapêutico. Fiz isso no ano passado, certa vez, em cima de um tapete roxo de ipê. Esse ano, miraculosamente, ainda não entendi muito bem o motivo, mas não tô sofrendo por amor e muito menos pela falta dele. Parece que no ano passado tive toda a minha cota de frustração e arrependimento, chorei todas as lágrimas do mundo, morri por horas, por dias, por vidas, e de tanto morrer, resolvi que agora o que vier é só lucro. É aquele velho caso do "não tenho nada, não posso perder nada". E ao mesmo tempo, guardo tudo de todos. Sou um pouco do mundo inteiro, discutia isso outro dia enquanto tomava um caldinho de feijão. E esse mundo todo é um pouco de mim, e eu gosto disso. Eu gosto de me jogar pra vida sem saber o que buscar dela.

Mas diga aí, é inverno. Renasce o Ipê Roxo que passou todo o primeiro semestre tímido ali, no cantinho dele. Eu não renasço, cansei de morrer, agora é só a vida que me espera.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Era quase sete horas e já sentia-me como naqueles dias onde tudo é desespero - tempo, tempo, tempo, tempo, tudo demanda tempo, e eu não tenho tempo.
Suprimi meu sono.

E eis que pego-me vestida numa calça de pijama ocre, remendada nos fundilhos, com aquele moletom véio que roubei da minha mãe há uns 5 ou 6 anos, manchado de cândida na manga. Era o paraíso em volta de mim, o conforto de um pijamão. Decido: "Nescafé." Nada, nadinha nesse mundo pode ser mais valioso numa manhã de terça-feira do que remediar a idéia louca de ter dois "empregos" tomando um delicioso leitinho quente com nescafé.
Sete em ponto e eu havia detonado meio litro. Depois me pergunto "por que sou gorda, oh!" e tento responder que a culpa é da cerveja. Tadinha da cerveja, só me traz alegria, injustiça culpá-la pelo meu inchaço infra-abdominal.

Penso em uma sanfona e uma viola. Ahhh, como eu queria ter 15 anos e estar me preparando psicologicamente para ir pro interior passar alguma festa junina no meio de cafelandenses desajustados... Saudade? Nem tanto. Um pingo de nostalgia, ou uma tempestade inteira. Daí o Roger me diz "depois da tempestade sempre vem a ambulância".
Vem nada. Aqui na minha terra, depois da tempestade vem a lama na rua, principalmente na rua do cemitério lá de perto de onde eu trabalho. Lembrei-me disso porque ainda agorinha eu pensei em calçar um sapatênis super estiloso desses que só Vanessinha vê graça e vi que tava todo embarreado, e saltou-me um "pimba" mental que fez com que eu desse conta que guardo no armário sapato sujo de barro de cemitério.
Por que não limpo? Simples: tempo. Não tenho tempo. Não tenho tempo...

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Ausência

Carrego nas costas o peso de ser quem eu sou
e levo comigo as dores de um mundo todo
as dores que eu nunca causei.

(Pergunto-me, incrédula:
- Por quanto tempo ainda terei que pagar
pela lágrima que chorou sozinho
pelo adeus seco e úmido
por um coração partido
que nunca parti?)

Não se esqueça de deixar a porta aberta
que por hoje, eu vou embora...