Não, eu não voltei com o vanissage. Só queria escrever um pouco, exercitar a mente, deixar alguma arte me escapar além de montagens belas para vídeos de música gospel. Também não sei se quero contar de San Francisco - acho que tudo o que vivi fora do Brasil nesse tempo não teria a mínima importância retratada em palavras aqui, num blog quase inativo.
Mas é que hoje eu to meio sentimental.
São Paulo sempre vai ser barulhenta, bagunçada e até meio feia se for olhar friamente. Mas o Minhocão, convenhamos, tem lá seu charme. Tem vida própria, talvez, e acho que é por abrigar gente em cima, em baixo e nas margens. E bota gente nisso. Acho que tem mais vida em meio metro de Minhocão que em muitos condomínios gigantescos na tal área nobre.
A gente se arrasta bêbado pelos cantos do centro, pisando na merda de gente, pisando em gente na merda, rindo com estranhos, drogados, mendigos, me viro mulher de família fedendo a cigarro no meio de putas e cafetões, encaro como se fosse minha realidade que no fundo é.
É que aqui em São Paulo tem samba e tem rock e tem cerveja e tem droga, e eu sou mais uma dessas que se acostumou com o barulho, mas tem dor de cabeça e vontade de ficar sozinha.
E aqui é possível ficar sozinha, anônima, se perder numa multidão de rostos e perfumes baratos, no meio da sujeira e de ratos e de banheiros sem papel com portas pichadas.
E aqui tudo é itinerante, passa rápido e não passa nunca, como o barulho dos carros do Minhocão na janela, como os dias da semana que transformam o louco num trabalhador digno que cedo madruga, como as horas da madrugada pintadas num quadro impressionista onde eu sou um borrão no meio de todo esse lixo sagrado.
A gente acostuma com a rapidez do que se passa também. Seja um carro no Minhocão, seja você na janela.
2 comentários:
esse blog não é inativo. sua escrevente é que quer ser uma inativa. mas enquanto eu tiver a oportunidade de te chacolhar, nem que seja virtualmente, vou estar te enchendo a paciência para continuar... lágrimas no papel, sangue pulsando nas letras, é isso que sinto aqui...
Continue!
besoooo
É... e tem tanto barulho, que a gente nem lembra mais que está ali, gritando, bem na nossa frente... A vida e seus "costumes"... quando isso vai terminar?
Abraços, boa sorte, amiga Van!
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