quinta-feira, 10 de junho de 2010

O amor e o Shopping Ibirapuera.

Ok, me dou o prazo de 15 minutos pra escrever sobre isso, senão vira mais uma daquelas histórias gigantescas cheias de confissões vergonhosas (vide tópico do Portoga e CPM22), e eu to meio que evitando a fadiga.

Mas vejamos, hoje, dia 10 de junho, vulgo "antevéspera do dia dos namorados", dia o qual eu tinha plena certeza que nunca mais viveria pra contar história. Mas to viva (vivöna, inclusive) e escrevo o texto em forma de prosa contando, com muitas saudades e saudosismo, muitas das minhas histórias de amor até chegar nessa, que eu diria, pode ser a definitiva história de um dia dos namorados.

Primeiro porque eu não tenho tempo pra nada, e resolvi comprar correndo no tão adorado Shopping Ibirapuera (pros não-paulistanos leitores, é um daqueles shoppings enormes voltados pra classe A/B, num bairro chiquê e que cheira a pretzel em todos os corredores).

SIM, EU SOU PAULISTANA, CRIADA A LEITE COM PERA, E MINHA PRAIA ERA O SHOPPING IBIRAPUERA. E eu amava. Amava tanto que foi lá que nasceu meu primeiro amor. Meu primeiro beijo também. Meu primeiro trago. Minha primeira "coisa escondida". E não só primeiras coisas, digo que últimas também foram feitas ali. Minha última foto de Neoprint. Meu último lanche do Arby's. Meu último abraço choroso no Gui, em terras paulistanas.

Mas é dia dos namorados, e eu preciso falar de amor. Ou de qualquer coisa que pra mim pudesse representar o amor naquele momento. Eu tinha 12 ou 13 anos e conheci o Rodrigo. Me apaixonei logo de cara, provando por A+B que desde pirralha eu já sofria do eterno mal do encanto repentino por pessoas desprovidas de extrema beleza física (isso não é uma regra, ok, também pego caras bonitos, só que são raridades). Foi lá que andamos e passeamos muito de mãos dadas, abraços, e outras coisas inocentes de garotas que nunca deram seu primeiro beijo... E não, ele não sabia. Que vergonha, 13 anos e BV? Nunca. Preferia fingir que era a entendida e que a enrolação pra hora H era mero charme. Magina. Em todo caso, passeávamos, sim, de domingo, no shopping Ibirapuera, com as mãos dadas, e parando pra diversões eletrônicas do Playland ou comer um sanduba no Mac.
Aliás, reza a lenda (ok, não é lenda) que foi num desses passeios de enrolation que eu tive minha primeira grande decepção sexual. Estávamos lá, na turma, comendo nossos big macs, quando eu pego uma batatinha frita e começo a comer sensualmente olhando pra ele. Ele retribui o olhar, daquele jeito másculo, cheio de hormônios. Eu mastigo, boca semi-aberta, olhar de tigresa. Ele explode e a mesa toda cai na risada:
- Porra, você é bem engraçada comendo batata.

Devia ser março, ou novembro. Ou qualquer um dos outros 10 meses do ano, eu nunca me lembro bem. Chegou a hora, o afinal, o tchananã. Ele se despediu de mim na porta que era na época a entrada do cinema (bons anos onde eu podia ver SpiceWorld numa sala de cinema...), e veio com a boca em direção à minha. Num átimo de segundo pude vislumbrar inúmeras possibilidades dentro do espectro "topar ou vazar", considerando obviamente o fato de que já fazia mais de mês que ele tentava encostar a boca na minha e eu fugia legitimamente.
Pensei comigo "oquei, chegou a hora, tchau BV". E ele, enfim, pode tascar-me o beijo que eu esperava ansiosa, quase desesperada, confesso. E o desespero virou paixão, vi sininhos, estrelinhas, fogos de artifício, todas as borboletas de meu estômago dançando macarena, o mundo cor-de-rosa, PERA AI, ELE USOU A LINGUA? Usa-se a língua? Oh! Beijo na boca vai língua. Que estranho.
"Molhado", minha primeira definição sobre o famigerado beijo. Mas indiscutivelmente, o primeiro beijo.

(Logicamente se eu pudesse voltar no tempo, nunca contaria àquela baixinha de aparelho nos dentes que este que a beijava iria abandoná-la apaixonada por 1 ano, voltaria mais tarde dizendo que não queria nada com ela, retornaria pedindo um novo beijo, acabaria virando seu primeiro namorado e comeria o rabo de sua amiga 2 anos mais tarde numa festa de final de ano.)


No shopping Ibirapuera tbm tinha também a turminha porra louca, que tocava violão e fumava maconha. Eu não fumava. Só cigarro. Escondido. Era minha maior obra de rebeldia da adolescência. Beber num bar barato lá perto e fumar escondido. E tocar CPM22 no violão. Isso eu não fazia escondido. Fazia na frente de todo mundo, e hoje minha noção de caráter encara isso como ato quase heróico. E lá foi quando descobri o tamanho de um coração vanessístico. Me apaixonei pela turma inteira. E principalmente pelo Xis, um cara que se víssemos hoje chamaríamos tranquilamente de "pseudo-punk". Ou emo. Escolham.

Muitas tardes já passei no shopping Ibirapuera. Hoje em dia não imaginava voltar lá, mas eis que o caminho entre meu trabalho e minha casa compreende seus domínios, e me vi impelida por uma força maior. Força que me fez lembrar, e com muito carinho, daquele amigo que eu encontrei ali, na porta da frente, e me despedi na porta de trás. Guilherme, o querido Guilherme. O rapaz do abraço apertado, das músicas trocadas, de confissões no meio da madrugada e da amizade sincera e única, que de alguma forma pra mim nasceu naquele portão e viverá comigo independente da distância.

Já se passaram meia hora e eu ainda não parei de escrever. Contei episódios vergonhosos, e outros nem tanto, mas no final das contas é que fui lá, no shopping Ibirapuera, e fechei mais um ciclo. Antes, pisava lá como a criança que nunca havia beijado, mas que guardava nela todo o amor do mundo. Pisei como aquela que nega o amor, a paixão, e quer saber só da diversão e das coisas rápidas. Pisei como amiga, companheira, que entende o amor como algo muito maior que aquele de homem e mulher. E hoje, antevéspera do dia dos namorados, pisei como pessoa feita, que já viveu um bocado daquilo tudo o que o amor traz, mas que finalmente descobriu o encanto de se entregar completamente a alguém, fazer planos, sonhar acordada, e não ter medo dos sentimentos, somente sentir e ser feliz assim.

Não sei se fiz esse post pra falar de amor, ou do shopping Ibirapuera. Mas talvez, poderia passar mais algumas horas sentada naquela escadaria, pensando em tudo o que vivi e tudo que ainda vou viver. Cada amor e desamor construiu um pouco do que eu sou hoje, e todo o amor que tenho hoje constrói os dias o que eu quero ter pra sempre, do lado de uma única pessoa.

Feliz dia dos Namorados pra todos!
E pra mim também!

2 comentários:

Matheus Mendes disse...

=0

O que dizer sobre mais este maravilhoso conto da Van...?

Já sei!

Sabia que eu já fui no Shopping Ibirapuera!!!

Imagine só...

=P

Murilo Campos disse...

nao sei como vim parar aqui mas acabei lendo uns 3, 4 posts

vc manda demais !!! vou marcar junto com meus 200 rss que lerei um dia com certeza hehehe