Antes de tudo, vou contar um pouco sobre 2 pessoas muito peculiares. A primeira é a supracitada Livia Maria, uma amiga de infância a qual eu atribuo a responsabilidade pela minha concepção (pode fazer as contas, 21 de Abril até 15 de Janeiro, quantos meses??? heiiinnn??), cujo humor é algo absolutamente instável, solúvel e negro. A outra, no caso, sou eu, uma pessoa cheia de manias (como andar equilibrando-se no meio fio ou não comer com garfo de cor diferente da faca) que tem tem um humor inconstante, frágil e ácido. No fundo, somos farinha do mesmo saco.
Agora vem a parte poética da coisa.
Digamos que aos 15 anos passamos a estudar no mesmo colégio. Até aquele momento, somente morávamos no mesmo prédio e comíamos diariamente um pacote de cheetos, um charge e um toddynho sentadas no hall esperando o Rê (que na verdade se chamava Paulo) entrar pela porta de vidro para apreciar toda a beleza fresca de um bixo de medicina da Unifesp. A partir de sua entrada no saudoso colégio Lumen Vitae (da luz da minha vida és farooool) passamos a dividir outras iguarias alimentícias (como casadinhos e coxinhas da Celinha) e, principalmente, dividíamos nossas agendas.
Sim. Aquele troço com dias marcados em que deveríamos anotar as provas... Que nas nossas mãos tornou-se o refúgio para a criatividade enjaulada e tolhida por pais e responsáveis. Logo passamos a precisar de mais espaço. Começamos a utilizar cadernos e escrevíamos, em forma de cartas, longos COMtos que envolviam desde bateristas sul africanos que socavam armários e gritavam "caraaaaaaalho" com a voz fanha, até as mais frustrantes (in) experiências com homens (que não passavam de meninos de 16 anos ou bateristas sulafricanos de 40).
O tempo foi se passando e as agendas e as cartas engordando, e nossa criatividade sempre gerando frutos de gosto amargo porém altamente digeríveis, e, como tudo que começa, acabou-se o colegial e, apesar de termos ido pra mesma faculdade (ô sina...), não mais estávamos na mesma classe, com o mesmo humor, com as mesmas frustrações amorosas e as mesmas coxinhas da Celinha.
Daí éramos estagiárias, praticamente sérias, e nas nossas agendas só cabiam palavras como "reunião de metas", "enrabada do chefe amanhã as 17:30" e "buscar holandês gostoso no aeroporto as 10h". Logicamente, como eu sempre fui uma fodida na vida, nunca busquei holandês nenhum, mas tomei enrabadas de chefe pelo menos uma vez por semana.
Mas a moral da história é que o tempo passou e a gente foi perdendo aquela criatividade... aquele furor literário e artístico que nos impulsionava a escrever por horas e horas e horas um monte de merda (que lendo, hoje, realmente são excertos geniais para duas mocinhas de 16 anos filhinhas de papai) e acabamos hoje em dia desperdiçando nossa genialidade entre nós, hora sentadas numa mesa de bar falando da vida e estourando bolhiiiinhas de garrafas de cerveja, ou comendo um lanche do mc donalds enquanto esperamos dar a hora do filme (pra ter que ficar o menor tempo o possível ouvindo a maldita rádio trama cinemark "um banquinho e um violão - e uma cuíca").
Hoje em dia, nosso humor é mau-humor.
Mas quer saber? Ainda somos gênios. Mesmo que incompreendidos.
Ra ra ra.
2 comentários:
Caramba! A gente muda de ares, acha que as coisas vão ser diferentes, mas as histórias sempre se repetem! Lendo os teus posts sempre me identifico, e ainda me impressiono com isso! Eu hoje quando releio as cartas que uma amiga minha e eu escrevíamos tenho uma sensação muito parecida a tua...Sim, ainda somos gênios incompreendidos, ou como dizíamos antigamente (forma ridícula de colocar as coisas, mas vamos lá): "somos poucos,mas somos loucos, e isso é o que importa!"
Faltou menção ao PNC, hein?!
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