domingo, 19 de abril de 2009

Domingo a tarde.

Concordo que ando demorando pra escrever, mas é tudo uma questão óbvia de sobrevivência. Falta-me saco e organização mental de idéias. O que me sobra, que é a maldita necessidade de vomitar pelos dedos, faz com que eu passe o dia todo matracando poemas e diálogos pra mim mesma num frenesi idiota. 
Tava com vontade de fazer um daqueles posts politicamente engajados, expressando minha completa falta de interesse pela história mundial e extrema vontade de parecer intelectual o suficiente pra meter o pau em qualquer merda que o sistema atual esteja nos impondo, mas resolvi, depois de muito pensar na crise econômica, no vegetarianismo, em deus e no Maranhão, que o melhor a fazer mesmo deveria ser eu escrever sobre os intermináveis passeios pela rua com meu cachorro poodle branco gordo encardido, mais conhecido como Johnny.
Comecemos pelo clichê: minha calça caindo pelo corredor de casa, o Johnny puxando minha mão na escada e eu morrendo de medo de deixar cair meu iPod enquanto decido sem sucesso ouvir algo que eu ainda não tenha me enjoado (hoje foi Led Zeppelin, sempre funciona), o gordo indo pro lado contrário ao que deve ir, alguém resolvendo brincar com ele, outro cachorro vindo na mesma direção, e quase sempre (digo, sempre) alguma das faxineiras das casas vizinhas na porta dizendo "esmagreceu hein, tá bonita!", frase esta capaz de fazer eu perder o bom humor por semanas.
Mas preciso salientar os finais de semana. Hoje, como habitual, coloco minha musiquinha pra tocar, e como todo domingo, saio com o gordo na maior ressaca da paróquia. Stairway to Heaven, e quem se atrever a conversar comigo enquanto toca essa música merece a morte. Não dá outra. O cachorro mais homossexual do prédio sempre insiste em aparecer nessa hora, com seu pêlo branquíssimo e seu dono bichíssimo. "Deixa eles se cumprimentarem" ele grita de longe, e logo planejo um assassinato rápido e sem muita sujeira. Sabe, eu odeio quando cachorros vêm brincar com o Johnny. Não por ele, pra ele tá ótimo, precisa mesmo brincar, agora eu? É uma indecisão entre perguntar a raça, o nome, o sexo ou o partido político do cachorrinho... Daí decido ficar absolutamente muda e sorrir idiotamente. 
- É meniiino?
- =)
- Que liiiindo!
- =)

O cachorro e seu dono sempre acabam indo embora com a sensação de que foram modificados geneticamente por um raio invisível que eu emito pela ponta do nariz, e fica tudo resolvido.
Toda ressaca vem acompanhada de cachorros bestas das dondocas klabinianas, Sílvio Santos no último volume, a família toda gritando loucamente e, particularmente hoje, uma daquelas angústias eternas. Todo domingo é a mesma coisa. Sempre.


Mas mudando um pouco de assunto, saiu no jornal hoje uma matéria inteira sobre a Lygia Fagundes Telles, e me lembrei do que minha amiga Camila me escreveu um dia desses, comparando-me com a mestra. Seja lá o que eu represente, foi um daqueles elogios que costumo guardar em bloquinhos de notas pra ler quando estiver com o ego vazio. Ha ha ha. 
E sobre mim? Tô bem, tô gorda, e como dizia a Livia, tô vïvöna. Pior que eu tô mesmo. Tirando o fato de eu estar completamente sem dinheiro e ter gasto ontem a grana que eu ia usar pra pagar uma parte de minhas contas, tá tudo numa boa. Sinceramente, acho que percebi que não vai dar certo mesmo essa coisa de autonomia profissional, e eu vou tentar na próxima oportunidade possível, voltar a trabalhar como empregada. É difícil, é regredir, mas quer coisa mais "regressa" que pedir dinheiro pra mãe pra sair? Não tá dando certo. 
E sobre as pessoas? Estão boas, estão ótimas. É engraçado pensar que conheci em São Paulo as mesmas pessoas que viajaram comigo no carnaval e dentro do ônibus não trocamos uma só palavra (fora o fato de eu rir loucamente do Broto). Gosto de pensar que coincidências não existem, que tudo isso está acontecendo como parte de um grande todo que está por vir.

E por falar nisso, pode soar engraçado, mas eu sinto que algo grande está na iminência de acontecer. Não tenho nem idéia do que pode ser, apesar que torço pra não ser um meteoro. Mas de verdade, parece que de alguma forma tudo está convergindo pra um ponto que exigirá mudanças. E toda mudança é bem-vinda, e linda. 

Bom, já falei de cachorro, de ressaca, de amigos, de trabalho, de família, do futuro, e impressionantemente não falei nada sobre aquelas pirações emocionais que envolvem paixões, medos, angústias, amores e todo o clichê emengardacelestinense. Meu coração tá batendo, ufa, isso quer dizer que estou viva. O resto... bem. Deixa ele ir batendo né. Loucuras, eu sempre vou ter, então deixa ele ficar batendo... Deixa.