quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Joelho.

É tanta bagunça no meu quarto, mas tanta. Quase que me confundo ainda mais. Olhei pro roxo no meu joelho hoje de manhã. Eu sempre estou com o joelho roxo, sempre levo cacetada, sempre caio de bunda. E falando em bunda, estou com uma espinha daquelas doloridas, na banda esquerda. Sempre é na esquerda. Já viu como fica ridículo sentar quando se tem uma espinha na bunda? Parece eu, semi-acordada, semi-bêbada, semi-bem-vestida, olhando aqueles belos rapazes sentados na padaria... Vou andando, leve, simples e suave coisa nenhuma, e no primeiro vacilo vai tudo pro chão, inclusive eu. Roxo no joelho. Batata. E daí peço o maldito frango pro cara da padaria, e volto àquele questionamento que não tarda a perturbar minha mente (já quase nada afetada) sobre a origem da farofa ser enfiada no cu do frango. "Quer farofa?", "Ah Manoel, vá pro inferno e enfia essa farofa no cu!", "É pra já!", e fim de papo. Não dá pra pensar que foi diferente.
Falando em pagar mico, ontem eu fiquei até 1h da madrugada ouvindo CPM22. Coisas inesquecíveis da vida incluem os três episódios que irei relatar em breve, caro leitor.
No primeiro deles, eu estava no cruzamento da Faria Lima com a Juscelino indo pra Cafelândia. É, a cidade do café, isso mesmo. Clichê, né? Aposto que se fosse a cidade da couve-flor, não se chamaria "Couveflorândia". Mas voltando à história, eu tava lá no carro com a Livia Maria (cantando bamos oiendo una canción, na na na), e o Portoga - baixista do CPM22 - emparelhou seu carro com o do meu pai e ao reconhecê-lo, a Livia me grita "Ela te ama!". Pior que era verdade. Me afundei no banco, mas ganhei 3 adesivos da banda. 
Na outra, eu tava numa partida do RockGol (aquele programa ainda existe??). Fui de ônibus, era pra lá da santo amaro, demorei umas 2h pra chegar. Minha mãe foi brigando comigo. É, ela foi me levar de ônibus, era a condição de eu poder ir. Daí chegou lá e eu encontrei o Portoga, todo lindo como sempre. "OOooooiiiiiii sou eu, a mocinha do cruzamento da Juscelino com a Faria Lima!!!" e ele "óh! eu lembro de você!" e foi jogar. Meu coração encheu-se de esperança, o que preparou minha mente e corpo para o próximo mico a ser relatado.
Eu devia ter uns 15 anos. Juro. Dêem esse desconto. Foi show do CPM22 lá no Clube K (meu deus, por que eu to contando isso???), e eu, claro, arrastei a Marcela e lá fomos nós. Situando os estrangeiros e demais não-paulistanos-na-década-de-noventa: Clube K era A matinê. Cinco horas de puro deleite juvenil. Muito techno, gactos sedentos por beijos na boca (sem passar a mão!! tá achando que eu sou biscate??), light-sticks de língua, piercings brilhando no escuro, glitter nos olhos e tatoo(ooo) de strass na barriga. Freak show, meus caros leitores, mas era como era e nós adorávamos. Tinha aquele cigarro de menta e o outro de cravo (que diziam ter maconha! que horror...), e a gente colocava na boca e assoprava a fumaça fingindo que fumava. Isso aumentava 10 pontos no quesito "kit mallandragem" pra garotas na matinê. Meninos de 16 anos se interessariam por nós. Foco, mulher. Volta à história. Então, estávamos lá, e o Portoga apareceu no palco. Desceu. Eu corri até ele. "Portoga, Portoga, sou eu, a menina do cruzamento da Faria Lima com a Juscelino, e do Rock Gol!", "Oi! Eu lembro de você!", "Que legal! Olha eu sou super sua fã... você podia me dar sua palheta pra eu guardar?", "Ah ha ha ha, você acha que eu tenho quantas palhetas?", "Ah, não pode ser no fim do show?", "Tá, eu guardo pra você.", e saiu andando. Meu deus, meu deus, o Portoga, a gente teve uma conversa, ele me daria a palheta dele e eu poderia colocar junto do adesivo, da foto que tirei de longe, e dentro do meu coraçããão, eu poderia me considerar a única adolescente feliz do mundo naquele momento. E não é que o show acabou e aquele filho duma puta me joga a palheta dele indiscriminadamente no meio da multidão frenética? Ele nem de longe se lembrou que eu pedi a ele a porra da palheta, aquele pedaço idiota de plástico, eu não estava pedindo o baixo dele, eu queria só a palheta e o carinho daquele traídor! E como se não bastasse, vi, com esses olhos que a terra há de comer cru, uma mulher loira indo buscá-lo no palco... não... não podia ser... ela estava... sim, estava BEIJANDO ele!!!! Na BOCA!!!! AQUELE CRETINO!!! Além de não me dar a palheta dele, estava namorando uma loira que ainda por cima era gorda! 
Foi aí minha segunda decepção com a raça masculina. 
(Não vou contar a primeira, mas envolve traição de namorado, de amiga, sexo anal em ambiente socialmente utilizado como via de pedestres, cinco latinhas de cerveja e o primeiro "eu te amo" sem sentimento que ouvi.)
(Ah, envolve também uma tentativa de suicídio na avenida menos movimentada de Cafelândia, obviamente frustrada, mas tão frustrada, que o único carro que poderia ter me atropelado passou pelo meu lado e disse "taaaaarrrrde", como se fosse a coisa mais natural do mundo uma menina de catorze pra quinze anos ficar sentada de perninha de índio no meio da avenida.)


E é isso. Eu vivo passando por vergonhas e vivo admitindo todas em público, e vivo dando na cara quando estou afim de alguém, e vivo caindo de cara no chão, e vivo nessa angústia, e vivo de joelho roxo, e vivo rindo de mim mesma, e até gosto de mim assim.

E até a próxima pessoal! 

 

9 comentários:

Diegonzo disse...

ah
desde que seja com vaselina não sejamos tão conservadores assim...

ha ha ha

mas van, sério
continua assim, se quebrando toda, porque senão tu nao seria a van

(ficou terrível isso)

besos

van disse...

viu gente? eu sou eu só porque tenho joelhos roxos.

Unknown disse...

começa com uma espinha na bunda e termina com cpm22.. van, você tá mal!

Livia disse...

Eu SEMPRE me esqueço desse episódio do carro!

Donnie disse...

Bem, antes que eu me esqueça: eu te amo!
Tô cagando de rir.
E olha que eu conhecia a história do sexo anal.
Não, pessoas. Não foi na calçada do Clube K.

Katyusca disse...

Tu é demais! Casa comigo?

van disse...

putz, total repercussão de mico. tbm amo vocês. qualquer dia conto com detalhes um desmaio que me causou um galo eterno na cabeça e uma calcinha amarela ao ar.

Dai Die disse...

calcinha amarela? pior se fosse bege, aí sim seria problemático...mas eu não posso falar muito, já que no meu primeiro ano de faculdade paguei calcinha pra uma turma de veteranos (de outro curso, ainda bem!)...ok, dá um desconto, eu fui parar num campeonato de cerveja e acabei dançando e cantando Queen com uma Polar e uma garrafa de absinto na mão, aí fui mijar e dormi sentada na privada (de novo)...resultado? fui resgatada por um amigo veado (que aproveitou pra me encher de tapa e me chamar de bagaceira e me vestir antes que meu c* entrasse na roda ou algo entrasse nele)...até hoje não sei quem foi que me carregou no colo pelo campus, mas devia ser um moço forte, porque gorda já pesa, bêbada então...pffff

Dai Die disse...

esqueci de avisar: vou ficar com o quarto liberado durante 1 mês, quer me visitar? :*