que acima de tudo e de todos
e com a maior certeza do mundo
desisto.
Desisto
assim, com a mesma leveza
com que o vento desgruda
a folha seca no inverno,
que toca o lago, tranquila
criando ondas na noite.
Desisto.
E como tudo no mundo, o faço
da mesma forma que larguei o tênis
jogado no canto do quarto,
parei com o regime forçado
e tentativas improdutivas de produzir
cada vez mais e mais e mais e mais.
Desisto, como deixei meu amor morrer
sobre as folhas roxas de um ipê,
como a receita do doce de maracujá
que deu errado.
Desisto
e se fosse possível medir esse grito
pediria pra deus mais universos,
enquanto jogo no chão minhas armas
junto com os escudos comprados
em uma loja de velharias qualquer.
Se ainda me fosse possível sentir,
ou fingir um sorriso de outrora
- aquele, de criança que encontra
a mãe perdida na multidão de uma magazine,
ou que ganha uma besteira qualquer
quando o pai volta do trabalho.
Se ainda me fosse permitido algum vício
qualquer um desses que todos têm:
álcool, drogas, sexo fácil
violência gratuita, religião
novela, poker, café.
Nem isso.
Minha sentença corre em cada veia
enquanto fito meu algoz no espelho.
Se ainda me entregasse às ilusões
(só mais uma vez, só)
ou pudesse confiar além de crer.
Só mais uma frustração,
só mais uma frustração
e mais uma frustração,
que nem pra morrer eu dou conta.
Desisto.
4 comentários:
Menina! Desista não. É lindo.
1/2 Dúzia de 3 ou 4 beijos,
nóis
tchê
pulsa sangue nesses teus poemas...
espetacular! um dos melhores que li aqui.
besosss
(ah, só deixe a eterna possibilidade de suicídio como uma licença poética, ok?)
tegusto!
descobri teu blog através de um amigo. e como gosto do que leio!
o final desse texto é demais. parabéns.
eu ainda tô aqui, embora não pareça ;)
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