Sim, eu penso. Antes que me contrariem.
(aviso aos novos leitores, e aos velhos, antes de prosseguir com essa grande e intensa encheção de linhas: a postagem abaixo não será um conto, não terá mulheres peladas, cenas de homossexualismo, sadismo, técnicas de escrita, pedantismo, abuso de drogas, melancolia crônica, pegação entre irmãos, crianças gordas, noivos incompreendidos, exames de HIV, indiretas, e muito provavelmente nada de interessante.)
Dizia eu que estava pensando, e isso normalmente costuma me incomodar. Começou faz tempo, mas tento não utilizar meu cérebro com frequência: além de dar trabalho, normalmente não tem retorno financeiro, o que é de uns tempos pra cá a única fonte motivadora dos movimentos gerados pela minha musculatura estriada.
Voltando - tenho pensado no comportamento humano, coisa corriqueira, já que seres humanos somente acham que se comportam, quando na verdade têm é seus impulsos pautados pela cópia ipsis literis dos impulsos alheios, principalmente se o alheio for um pouco menos desinteressante que ele próprio. Apesar de que, volto a enfatizar, isso é uma grande utopia, já que quase todo mundo que me cerca é absolutamente desinteressante. Fora, é claro, as pessoas que se comportam. Como qualquer coisa. Bom ou ruim, pedir um pouco de personalidade não é demais, é? Ok, não precisam me responder.
Mas não era exatamente isso que me instigou a botar os dedinhos pra mexer nessa noite de domingo meio quente, meio fria, meio calabresa, meio muçarela. Digamos que foi a fila do mercado. É, a porra da fila do mercado.
Eu só queria comprar um Activia Light de morango e um Yakult. R$ 2,63. Light porque eu tô fazendo regime há 3 semanas, e perdi 1 quilograma, o que me transforma numa inútil. Agora tenho mais 2 semanas pra perder 2 quilogramas e não ser uma completa vergonha pra espécie humana em frente a uma balança analógica e uma mulher vestida de branco com nome árabe cuja voz me lembra de longe a de uma criança com 4 anos de idade segurando uma faca apontada pro teu estômago. Fofa.
Então, a fila. Eu tô num mundo que a fila pra comprar mantimentos básicos superfaturados pela inflação que todo mundo finge que não vê, atinge tamanhos desproporcionais à porcaria de mercado a qual se instala, enquanto um caixa, livre, bonitinho, está inoperante e sem serviço.
Tá tudo errado.
Larguei as iguarias que dariam um sentido vetorial novo ao meu intestino lá na gôndola dos fresquinhos e saí, né, de mãos abanando.
Não sem antes me lembrar que a empresa de planos de saúde Golden Cross não fornece senhas de finais de semana e entre às 18 e 8 horas nos dias de semana, o que me obrigou a ficar que nem uma imbecil na frente de uma educadíssima (de verdade, não estou sendo irônica) atendente dos Laboratórios CDB na Marselhesa (a do guichê 5 no 2º andar), enquanto ela me dizia que meu exame de ultrassom não poderia ser realizado e que eu teria de reagendá-lo para um dia de semana em horário comercial. Não, eu não estou grávida, antes que venham as dúvidas.
Por favor, Lina, eu juro que queria trabalhar o dia inteiro, a culpa é da Golden Cross que não quer que eu seja uma profissional excepcional e capaz de resolver meus problemas de saúde sem interferir o horário de trabalho. Sue them.
Concluindo o raciocínio, resolvi então passar na Drogaria São Paulo, e comprar umas barrinhas de cereal capazes de enganar esse estômago gordo que vos fala nos horários de lanchinho (9h30 e 15h30), e, que não me espanta a falta de educação nesse mundo - mundo este que não me espanta com nada mais mesmo - a mocinha do caixa me vê, em sua frente, com meu produtinho em mãos, e tem a pachorra de gritar próximoooo e referir-se à desinteressante logo atrás de mim, que prontamente se pôs a serviço da pobre empregada de farmácia num domingo a noite.
Claro, eu sou uma lady inglesa, dei passagem à moça atrás de mim que certamente deveria ser mais interessante que uma baixinha gordinha de camiseta manchada e bermuda cortada, fiz uma cortês reverência de aproximadamente 90º, agradeci a deus a oportunidade de ceder meu lugar na fila pra outra pessoa, deixei aquelas barrinhas de merda em cima da gôndola e voltei pra casa, tão rica quanto saí.
O fato é que nunca ninguém me deixou passar em sua frente na fila, e muito menos com a educação britânica que eu mereço por, simplesmente, ser uma pessoa como qualquer outra.
Fim de noite. Fim de domingo. Desejos normais pra essa hora do dia, aqueles vícios todos que nós temos, e a certeza incontrolável de que a vida é um saco entre as 18h de domingo até as 18h da sexta subsequente. Boa semana pra todos! =)
Um comentário:
Mas, mesmo assim, no final, nós te amamos , Van! =)
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