domingo, 10 de agosto de 2008

O primeiro dia do resto da minha vida.

Depois de 14 dias consecutivos trabalhando loucamente com um job para o dia dos pais, resolvem terminar tudo na agência que nos contratou.
Era quarta feira, 7 horas da manhã. Vanessinha acorda o editor que a chamou pra fazer esse trabalho e depois pensa seriamente em enfiar um nabo inteiro no próprio orifício anal de tanta vergonha. Fica lá, sentada em frente do prédio do Itaú, contemplando o laguinho artificial, os mendigos oficiais e a frenética manhã paulistana mais do que habitual. O metrô Conceição tem lá seus encantos que eu ainda não sei bem definir quais são, mas me agradam de alguma forma.
Espera até umas 8h20, e vai lá pra casa dele tirá-lo da cama com palavras doces do tipo "velho, tem trampo para caraaaaalho hoje". Essa frase, por sinal, era mais usada do que bom dia, boa noite, bom trabalho, bom natal, namastê. 
Umas 9 e pouco já estavam com tudo ligado. Mac-zão, mac-zinho, hd externo 1 e 2, fios fios fios, meu deus como tem fio nesse mundo, e toca trabalhar loucamente. Vanessa, fazendo um esforço quase homérico para jogar sua timidez e falta de sociabilidade pra dentro do pâncreas e mantê-lo lá, quase pareceu uma pessoa normal e bacaninha. No fundo, era tudo assustador. Pessoas desconhecidas, muita responsa, muita gente envolvida. Medo. Medo de dar errado, de fracassar, de perder a confiança.
Ganhou a quarta com um PF fora do comum, no meio do Brooklin. Daí foi que começou a perceber que trabalhar engorda. Esse PF (arroz, feijão, salada, batata frita e filé de frango) umas 2h da tarde, e lá pras 11h da noite, uma deliciosa pizza de quatro queijos com borda recheada de cheddar. E Coca-Cola. E muito café. Muito.  É, acreditem, se a gastrite ainda não atacou é que o santo é muito forte.
E agora, a Vanessa deixa de ser alguém alheio a tudo e vira eu. Eu, viro, e viro a noite também, editando vídeos e mais vídeos, e parece que quanto mais eu trabalho, mais trabalho aparece.
Nem sentir mais nada, eu sentia. Só sono. E sono. E café. E halls. E café.
Nesse ritmo foi-se até as 16h de sexta feira, quando entregamos o trabalho na mão do cliente.

Foi tudo uma loucura. Não tenho muito mais palavras pra descrever.
Mas quando olho pra trás, hoje, sentada em frente ao mesmo notebook que trabalhou comigo aquelas 55h sem ser desligado, é como se a vida começasse a fazer sentido.
Trabalhar cansa. Arde o olho. Dá desespero. Mas sonhar é assim, e se eu não correr atrás dos meus sonhos, quem vai fazer isso por mim? Meu pai? Deus? A síndica do prédio?

Resolvi que chamaria este de o "primeiro dia do resto da minha vida". E não sei se era uma sexta, uma quarta, uma quinta, nem sei se era de dia ou era de noite.
O que importa é que eu consegui. Eu não fracassei. 

E para ilustrar, já dizia Anitelli: "Quem tá junto, tá junto".

Nenhum comentário: