Mas ela, aquela ali parada, não diz nada. Está alheia. Está quase cega em pensamentos. Segura em suas mãos uma garrafa de água e o papel amarelo com seu treino.
E seus olhares se cruzam.
Ele, o professor bonitão, ela, a maior sem graça do lugar.
Então pede licença a todas as belas moças que o rodeiam e anda, quase lentamente, quase sonoramente, quase solenemente, em direção a ela.
Ela percebe a movimentação. Sente cheiro do ferormônio. Fixa o olhar. Intimida.
E em um instante é como se todas as atenções se voltassem aos dois. Dois mundo diferentes, mentes diversas, sonhos escondidos, toda a tensão do momento, ele abre a boca, ela sente o ar saindo do seu nariz. Encaram-se. Ele então pergunta com a oponência digna de um gorila sul africano que acaba de passar Axe Instinct:
- Precisa de ajuda?
Tensão. Arrepios. Suor brota da testa em câmera lenta.
- Sim.
Ele pisca os olhos em sinal de segurança e poder. Aproxima-se dela com cautela e precisão.
- Diga.
Ela respira fundo. Olha para o papel amarelo. Mais uma salgada gota de suor brota de sua testa enrugada de questionamentos e falta de hidratante.
- Que dia é hoje?
- 14.
- Obrigada.
E vai pra máquina de supino articulado.
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