quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Acima de tudo, geração saúde! (Parte I)

Ele está sempre rodeado das mais belas garotas do lugar. Sempre disposto. Quase nunca disponível. Elas riem, encostam e chamam sua atenção. Elas usam fusô branca, e pelo visto não usam calcinhas.
Mas ela, aquela ali parada, não diz nada. Está alheia. Está quase cega em pensamentos. Segura em suas mãos uma garrafa de água e o papel amarelo com seu treino.
E seus olhares se cruzam.
Ele, o professor bonitão, ela, a maior sem graça do lugar.
Então pede licença a todas as belas moças que o rodeiam e anda, quase lentamente, quase sonoramente, quase solenemente, em direção a ela.
Ela percebe a movimentação. Sente cheiro do ferormônio. Fixa o olhar. Intimida. 
E em um instante é como se todas as atenções se voltassem aos dois. Dois mundo diferentes, mentes diversas, sonhos escondidos, toda a tensão do momento, ele abre a boca, ela sente o ar saindo do seu nariz. Encaram-se. Ele então pergunta com a oponência digna de um gorila sul africano que acaba de passar Axe Instinct:

- Precisa de ajuda?

Tensão. Arrepios. Suor brota da testa em câmera lenta.

- Sim.

Ele pisca os olhos em sinal de segurança e poder. Aproxima-se dela com cautela e precisão.

- Diga.

Ela respira fundo. Olha para o papel amarelo. Mais uma salgada gota de suor brota de sua testa enrugada de questionamentos e falta de hidratante.

- Que dia é hoje?
- 14.
- Obrigada.

E vai pra máquina de supino articulado.

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