Bandeijão da USP - Minha primeira vez.
Primeiro cheguei chegando, utilizando-me de minha alma feminina para descobrir dignamente onde fica o saudoso prédio da História.
- Tô indo pra lá também! Vai pra feira do livro?
- Errrmmm (pensei em dizer "vou comer no bandeijão", mas previ o quanto ridículo seria uma patricinha de sapatinho e cabelo loiro dizer isso. improvisei.) Também!
- É muito boa viu! (ele queria amizade, não, não, eu não to indo lá fazer amigos, to indo comer strogonoff)
- He he he. Onde é o ponto?
- É o próximo! Pode me seguir! (carente)
- =)
Desci do ônibus atônita com tamanha grandeza e tamanha falta de delicadeza do senhor motorista. Liguei pra Paulinha.
- Cheguei!
Logo a vi na extremidade oposta à que eu estava lindamente localizada. Como em um conto de fadas, diante do espetacular prédio da História, vi naquele espaço de grama verde um campo perfeito para realizar uma das cenas mais bagaceiras da minha vida: abri os braços em cruz e corri, em câmera lenta, contra o vento, em direção a minha adorável amiga Paulinha.
Rezei pra ninguém ter visto, e ao mesmo tempo me frustrei por pensar que ninguém lá dava a mínima pra minha felicidade em entrar, pela segunda vez, na Universidade de São Paulo.
Rumamos ao prédio da Química. Uma desordem organizada, entre moças de saias leves e faixas nos cabelos, disputando a bichogrilisse com rapazes de barba e camisetas amarrotadas. Logo juntou-se a nós dois amigos inusitados: Humberto e Gustavo. Entramos na quilométrica fila do bandeijão. Peguei meu ticket: VISITANTE (é galera, eu paguei cincão). Entrei. Brinquei com a mocinha da catraca e percebi que de fato eu pareço mais tonta quando tento ser engraçada do que engraçada quando tento ser tonta.
Primeiro se pega a bandeja, daí colocam-se os pratos grande e pequeno sobre ela, pegam-se os talheres e voilá, está pronta a bandeijona. Com carinho e delicadeza, a servidora pública diante de mim enche a concha de strogonoff e tão sutil quanto a merda que cai do ânus de um elefante branco asiático, esparrama-o sobre o meu prato cobrindo-o de batatinhas.
Cabe aqui um adendo, eu sempre achei que o ponto alto do strogonoff são as batatinhas, e de fato desta vez não foi diferente, aquelas batatinhas são capazes de curar depressão, transtorno obsessivo compulsivo, distúrbio de desvio de atenção, transtorno bipolar, ressaca e cu doce. Inclusive se você tem todos ao mesmo tempo.
O arroz, feijão e salada são a vontade. Tem suquinho, fruta e pão também, mas eu não peguei fruta.
Mais um adendo, desculpa, faz tempo que eu não falo de mim - eu não suporto o cheiro de banana, principalmente se ela já está madura. Quando eu vi ao meu lado aquela porção de uspianos comendo bananas logo quis enfiar aquele garfo no meu olho, mas respirei fundo. Não tão fundo pra não vir tanto o cheiro, mas foi fundo. Daí eu vi que todas as bananas haviam sido comidas, e estavam dando laranjas depois. Ufa.
Daí você tempera a salada, descola uma mesa bacana e senta.
Já sentada, comi vorazmente e com uma felicidade ímpar. Entretanto o fiz com certa lentidão, para que a sensação durasse mais tempo. Felicidade de pobre dura pouco, já dizia a mamãe, mas a felicidade de comer no Bandeijão da USP é coisa que deve ficar registrado na epiderme. Nada de triângulos de queijo de R$2,50 no Benjamim Abrahão! Nada de café expresso de R$1,90 da Casa do Pão de Queijo. Aquilo era a contra-cultura mackenzista que me perseguiu durante quatro tórridos anos, corroendo minhas entranhas e fazendo de mim a patricinha mais tr00 do universo todo!
FIM!!!
3 comentários:
Aaahh, safada! Sobre a primeira vez que entrou, você não conta, né?! Hahahaha
no mackenzie??? aquele antro capitalista??
senti que o "cu doce" foi pessoal
¬¬
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