terça-feira, 9 de junho de 2009

Era quase sete horas e já sentia-me como naqueles dias onde tudo é desespero - tempo, tempo, tempo, tempo, tudo demanda tempo, e eu não tenho tempo.
Suprimi meu sono.

E eis que pego-me vestida numa calça de pijama ocre, remendada nos fundilhos, com aquele moletom véio que roubei da minha mãe há uns 5 ou 6 anos, manchado de cândida na manga. Era o paraíso em volta de mim, o conforto de um pijamão. Decido: "Nescafé." Nada, nadinha nesse mundo pode ser mais valioso numa manhã de terça-feira do que remediar a idéia louca de ter dois "empregos" tomando um delicioso leitinho quente com nescafé.
Sete em ponto e eu havia detonado meio litro. Depois me pergunto "por que sou gorda, oh!" e tento responder que a culpa é da cerveja. Tadinha da cerveja, só me traz alegria, injustiça culpá-la pelo meu inchaço infra-abdominal.

Penso em uma sanfona e uma viola. Ahhh, como eu queria ter 15 anos e estar me preparando psicologicamente para ir pro interior passar alguma festa junina no meio de cafelandenses desajustados... Saudade? Nem tanto. Um pingo de nostalgia, ou uma tempestade inteira. Daí o Roger me diz "depois da tempestade sempre vem a ambulância".
Vem nada. Aqui na minha terra, depois da tempestade vem a lama na rua, principalmente na rua do cemitério lá de perto de onde eu trabalho. Lembrei-me disso porque ainda agorinha eu pensei em calçar um sapatênis super estiloso desses que só Vanessinha vê graça e vi que tava todo embarreado, e saltou-me um "pimba" mental que fez com que eu desse conta que guardo no armário sapato sujo de barro de cemitério.
Por que não limpo? Simples: tempo. Não tenho tempo. Não tenho tempo...

2 comentários:

Livia disse...

A culpa é das escolas.

Diegonzo disse...

sempre tem tempo... mas um calçado "sujo" de cemitério tem o seu valor...