Eu não posto aqui faz bastante tempo, então só pra não ficar com ar de abandono (eu ainda te amo, vanissaginho querido!), vou dar um copy paste num trecho de um email que mandei pro Guilherme Erhardt (sim, aquele velho amigo de anos) onde discutíamos sobre a compaixão e os ensinamentos budistas relativos à iluminação pessoal.
Certamente não vai fazer sentido pra muitas pessoas, e certamente isso não tem nem de longe a cara de literatura que eu tento dar aos meus posts, mas se fizer qualquer um pensar, já tá valendo. E convém dizer que eu não sou nem budista, nem espírita, nem evangélica, nem cética, mas tenho uma bíblia no meu quarto que estou querendo ler faz muito tempo, mas ao invés disso fico me bandeando para Lygia Fagundes Telles e Rubem Fonseca, só pra variar o sentimento de felicidade plena.
"A compaixão tem aparecido na minha vida muito mais com ações do que caridade, isso de sorrir ou falar com alguém é um bom exemplo. motivo? eu não tenho dinheiro nem pra mim, não vou dar pra um mendigo na rua. e ele tá na rua por algum motivo tbm, é meio escroto achar que só pq ele tá lá sofrendo sem lar que ele não tenha sido um aproveitador, uma pessoa sem caráter nenhum alguns anos antes.
mas isso tbm pode tomar um nível de radicalismo muito maior que o efetivo, ja que, como eu disse, é impossivel se passar na frente de um velhinho com frio na rua e não se sensibilizar, mesmo que tenha ele sido um grandississimo filho duma puta 20 anos antes.
perdão? a sociedade, então, tem a mania de perdoar?
ou nossa compaixão não passa de um castigo imposto a outra pessoa que a nós serve de consolo pelo que fizemos e somos, como uma base de comparação tosca no que o outro se transformou refletindo o que poderíamos ser, mas "graças a deus" não somos?
a compaixão é muito mais contraditório que talvez ver o silvio santos virando um monge budista.
eu só preciso entender, em qualquer das existências humanas, qual o sentido de crime e castigo que nós mesmos nos impomos, porque no final das contas o nosso crescimento espiritual (em meu ponto de vista) só é possível quando nos damos conta que não há mais separação entre o que é certo ou errado, e que não existe fórmula pra plenitude ou felicidade. a harmonia é a única realidade, e o equilíbrio é o estado de espírito mais elevado que até hoje eu consegui entender como alcançável (e isso foi lendo dostoievsky e milan kundera, talvez hesse também).
e isso tudo não quer dizer que eu tenha conseguido atingir qualquer coisa dessas. até hoje, no máximo, me desfiz de alguns preconceitos e apegos materiais. ah, sim, e já sei conviver com o trânsito."
(Menção honrosa ao Carlos Sophos - www.renascimentoemdoseletal.blogspot.com - que é meu amigo e que não tem nada a ver com essa postagem, mas certamente vai ler e pensar nisso por alguns minutos. Grandes abraços também ao Diego - www.sarnavitual.blogspot.com - que costuma me dar sempre boas idéias no meio de conversas completamente absurdas, e a Camila da banda Soul Barbeccue, que sempre me dá o maior apoio. Obrigada e beijos a todos.)
6 comentários:
Devo dizer que "perderei" muitos minutos refletindo sobre o trecho " harmonia é a única realidade, e o equilíbrio é o estado de espírito mais elevado que até hoje eu consegui entender como alcançável".
É sempre um prazer passar por aqui, ainda que eu quase nunca comente, pq geralmente vc sempre diz tudo o que é necessário.
=**
Van gênia! XD
Como sempre, me identifico com quase tudo que tu escreve. E concordo com a totalidade.
Parabéns guria, sempre muito pertinente.
Abraço!
Boa sacada! bah, eu já estava escrevendo um outro post aqui e apaguei hehehe
Não acredito, no fundo, que hajam inocentes... então, o velhinho também é filhodaputa, talvez mais ou menos do que eu ou tu... isso só a ética (ou moralismo maniqueísta de alguns) pode explicar. Só lembrando aquela frase que ouvi em uma peça sobre o Caio F. Abreu, de que é muito difícil se escrever sobre alma para quem não tem dinheiro para comprar feijão...
então, temos muito trabalho pela frente, pois é muito mais fácil reformar o país do que reformar a alma morta de um mundo inteiro...
E vamos aí, seguir dando murro na ponta dessa faca...
Resumindo, onde assino?
bjooo
Oi Van! Não sabia da existência do seu blog, vou dar uma olhada em tudo! rs... sobre essa postagem, eu tô numa pegada bastante parecida, no que se refere a compaixão (pelo menos, eu tento). Certas vezes eu percebo que eu tô amargo com as pessoas que circundam o meu complexo caminho de relações sociais por essa cidade média do interior, mas de repente eu lembro que são indivíduos com experiências únicas e que compartilham da mesma necessidade de idealizar. Aí, eu lembro de sorrir e pensar que todo mundo tá no mesmo barco, meio perdido e meio achado, sentindo dono das verdades absolutas. Não sei se ainda é compaixão pura, de identificar no outro aquilo que pode (ou poderia) ser igual a mim, mas é tipo um exercício... se já é complicado fazer isso comigo próprio, imagina com os outros... bjokas! ;)
achei muito foda o plataforma 40. muito mesmo.
Adoro seus textos.
Parece que conhece um pedaço de mim (:
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