quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Psicodália 2009 (finalmente)


Agora sim, com devida capacidade para tentar, ainda que superficialmente, contar um pouco de como é esse festival. Digo assim, superficialmente, porque uma coisa é fato - só estando lá torna-se possível entender a mágica do local.

Começou aqui em São Paulo. Cheguei desesperada, achando estar atrasada, no ponto de encontro. Logicamente, eu cheguei antes. Não que isso seja uma praxe minha, de fato eu me atraso com tudo o que é possível de se atrasar, mas quando a carona envolve minha mãe ou meu pai, o troço muda. Cheguei 10:15, o ônibus foi chegar era quase meia-noite. E nesse pequeno tempo que eu tive as primeiras parcelinhas de alegria: conheci de cara pessoinhas muito queridas - Maria Elisa, Elisa e Bruna. Depois, revi 2 amigos-amigos: Michael e Avati. E nesse clima de pré-felicidade já cantei, dancei, e considerei que em poucas horas eu estaria dentro do lugar mágico psicodálico. 

Aqui, de qualquer forma, preciso fazer um porém - entrei no ônibus e de cara vi um grupo de amigos que fumaram durante as 13 horas de viagem. Muito me perguntei sobre o sentido da loucura. Afinal, loucura é isso? É ser engraçado, falar alto, fumar muito, chamar a atenção? Pra mim, isso é carência. Loucura é outra coisa.

Voltando.

Depois de um caloroso porre de Dramin, chego com torcicolos e dores musculares ao devido lugar. Calor. Calor. Era tanto calor que eu considerei morrer ali mesmo. Após ganhar a maior e mais feliz ajuda do mundo pra deslocar minhas malas (que não eram poucas, beibe)
 
montei minha barraca. Ah, lógico, convém dizer que a grama estava alta e eu certamente montei a saudosa em cima de um ninho de aranhas. Digo isso porque a minha primeira visita foi de uma. Daí bateu o espírito urbano.

O primeiro espírito urbano é um baque. Minha primeira vez acampando, com todas as frescuras e medos possíveis de qualquer paulistaninha-filha-única-criada-em-apartamento. Catei o biquini, alguma outra roupa, protetor solar, e fui tomar meu primeiro banho. Adiantou de merda nenhuma, fato. 2 minutos depois eu tava mais suada que antes. Foi aí que eu pensei...

"Vanessa... ACORDA!!!"

E diante desse acorda, desse suor, desse monte de coisa, foi que eu catei a Bruna e a Elisa e fomos tomar nossa mais merecida cerveja do mundo inteiro, e nesse momento eu tive a certeza de estar, finalmente, integrada ao mundo Psicodálico, sem as frescuras e vanessisses habituais.

Pouco tempo depois encontrei-me com o Gui... Sim, sim, o Guilherme, depois de quase um ano desde que nos vimos a última vez. Conheci a doce Bruna, e de cara já vi o quanto iríamos nos dar bem. Acabei indo com os dois montar a barraca e depois voltei com o pessoal. Na volta, instalei-me com uma galera muy divertida, que tocava violão numa boa, sentados no quiosque. Meia hora depois, eu já tava praticamente em cima da mesa, com a meia-lua na mão, cantando "Lugar do Caralho". É, Psicodália tira um pouco da nossa vergonha. Da minha, pelo menos. Afinal, eu sou absolutamente tímida, e isso não é tipo. Tímida o suficiente para ter que fazer um esforço fora do normal até ter coragem de, ao olhar um conhecido ao longe, ir lá conversar com ele. Respirei fundo e eis que tenho em minha frente um barbudo com cara de mau e camisa do RIVER.
E encontro, sem querer querendo, o meu companheiro mais querido de todos os dias...

Logo no primeiro dia não houveram shows. Acabei indo dormir lá pelas 3h da manhã, já tendo perdido todo o medo de aranhas, insetos, pessoas e calor. Não fosse uma batucada infernal e um casal brigando ao lado de minha barraca, poderia até fingir que foi uma noite tranquila.

Mas como todas as manhãs, 7:30 todos eram expurgados da barraca como pus de espinha.

No segundo dia tudo parecia mais tranquilo. Eu já tinha entrado no espírito, e dali em diante foi só alegria. Acabei perdendo a noção do tempo. Imagino que tudo o que eu fiz nos 3 dias seguintes tenha sido uma coisa só, pois não consigo organizar os fatos em minha mente. Passei um bom tempo de todos os dias no quiosque da piscina, tomando cerveja, ou mesmo na piscina. Nessa altura do campeonato eu já tinha encontrado quase todos os meus amigos de outros estados, como o Comeli, Gefo, Vegan, Matheus, Cliceu e outros perdidos por lá. Era lá na piscina que todo mundo se reunia antes de ir pras famosas cachoeiras (que não, não fui), ou simplesmente pra tomar uma água (cerveja, cachaça, caipira...), fumar um paiero, deitar no chão e dormir. Aliás, isso era algo das melhores coisas pra se fazer - deitar e dar aquela cochilada.
Foi no último dia, no entanto, que pegamos carona na brilhante idéia do Guilherme e fomos pro riozinho que cortava o acampamento Secos e Molhados, pra dar uma relaxada em uma água um pouco menos... digamos... humana. Afinal, a piscina poderia estar a delícia que fosse, mas havia uma concentração meio grande de fluidos orgânicos ali que eu dispenso. Lá também rolavam os shows e peças de teatro no palco do sol, sempre uma sonzera muito boa.

Todas as outras noites eram embaladas por shows de bandas "tri afude" - que acreditem, vocês nunca veriam por São Paulo. Me chamaram a atenção as bandas Sopa, O Sebbo, 
Sopro Difuso e Casa de Orates. Essa última que por sinal é beeem melhor que Teatro Mágico e que pelo amor de deus, caso alguém os popularize, que eles não sejam vulgarizados como aqueles. Vale dizer também sobre outras bandas que todo mundo gostou, menos eu: Pata de Elefante (descuuuulpa Diego...), Bandinha didadó, e (pasmem) Som Nosso de Cada Dia. Não que eu não goste de Som Nosso, mas o show tava um saco, e eu, pra variar, dormi durante ele inteirinho - pela segunda vez, he he he. E o Plá. Esse aí dispensa comentários. 

Acredito que consegui resumir mais ou menos tudo o que eu fiz por lá, mas ainda será difícil dizer por aí como me senti por esses 5 dias. 
5 dias rodeada por pessoas especiais, que estão preocupadas com a paz, coletividade, que guardam em si ainda um pouco da esperança que eu tenho de que o mundo pode ser doce. 
Dias que ouvi muita gente gritando pelo Wagner, comi muita pizzadália e o melhor miojo da minha vida, tomei muita água e caipirinha, afirmei que Sol é a melhor cerveja do universo, perdi o medo de insetos, comecei a amar entrar em água gelada, brinquei com libélulas, vi flores coloridas que pintavam o caminho de todas cores, ri muito, muito mesmo, e tive aquilo que mais precisava no momento em que saí de São Paulo: Paz. Paz de espírito, de mente e corpo. Paz para poder sentir tudo intensamente, e viver cada momento com muito amor e carinho, para que dali eu levasse minhas melhores lembranças.

E tenho, sim, minhas melhores lembranças carnavalescas... dias felizes, num lugar feliz, com pessoas felizes... 


E QUE VENHA O PSICODALIA 2010!!!!!

6 comentários:

Dai Die disse...

morri.

no próximo ano ressuscito pra estar lá com vocês.

Diegonzo disse...

masáááá
belo texto van! bemmmmm deslumbrado (eu não poderia perder essa oportunidade ha ha ha)
ahhhhh, a camiseta era do River, não do Inter...
e, hummm, ah, tu sabe, curti PRACARALEO te conhecer lá mocinha!
besosssssssssssssss
em breve terei meus relatos e fotos roubadas lá

Katyusca disse...

Super curti tua visão do Psicodália, "tri afudê". ;)

Rodrigo disse...

Eu quero mais!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Anônimo disse...

Parabéns pelo texto Van! Excelentes momentos...e que venha 2010.

Matheus Mendes disse...

Devo admitir que tu resumiu os meus sentimentos sobre o evento. Não vejo a hora de voltar para lá e usufruir do que de melhor ainda há no mundo: paz, alegria, natureza, e claro, musica boa!

BOA NOITEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE!!!!!!!!!!!