Nós, mulheres, que carregamos no ventre a graça da geração da vida. Esses seres iluminados com o dom de saber exatamente o que todos sentem, só de olhar nos olhos. Mulheres de garra, força, que nasceram campeãs e continuam achando que são campeãs mesmo se o maior troféu de sua vida seja uma cueca limpísssima sem quebrar as unhas.
Admiro, sim, as mulheres. Admiro porque elas nascem, crescem e morrem como qualquer outro macaco ou briófita, mas cabe a elas, e somente a elas, a dignidade estética de menstruar, pré-menstruar, menopausar e ainda fingir orgasmo pro marido. É uma daquelas honras morais que toda mulher é pré-destinada: agradar, sempre. Logo de cara, nascemos sabendo que somos capazes de ficarmos prenhas. Sabemos que nossa cria mamará por anos em nosso peito, e nos tornará flácidas. Sabemos que teremos que concorrer ferranhamente com homens em cargos empresariais, seremos julgadas todos os dias pela nossa capacidade de raciocínio e ainda carregaremos a culpa de Eva ao dar a maçã pro Adão. E ainda (!) temos o orgulho funcional de dizer que temos um dia para comemorar toda nossa força e garra!
Pior de tudo é que a grande maioria do que falam sobre as mulheres é uma verdade. Sou lúcida o suficiente pra ver que de fato, ainda há preconceito no mercado de trabalho. Ainda temos que lutar contra as convenções sociais que dizem que devermos ser lindas, gostosas, multiuso, sem contar a administração do lar, dos filhos e das camisas do marido. Quando comecei a trabalhar sozinha, minha maior dificuldade era provar que eu realmente era inteligente - apesar de ser mulher, jovem e loira. Isso persiste até hoje. Mas devo ressaltar que adoro essa guerra de sexos. Adoro competir e ganhar deles.
Mas outra coisa também é fato - muitas mulheres são envergonhantes. As vezes me pergunto se posso considerar ser do mesmo gênero que as mulheres vegetais e outras tranqueiras da mídia. Me decepciono, sim, ao saber que sou uma das mulheres versáteis que trabalham, estudam, são críticas e ainda arranjam tempo de malhar o glúteo, enquanto a maioria absoluta não passa de um pedaço de carne com funções motoras desenvolvidas.
Otimista? Talvez. Sigamos queimando nossos sutiãs, enfrentando o preconceito e adorando as gentilezas ao sexo frágil, enquanto passamos primeiramente pelas portas ou recebemos flores e mimos. Continuemos aceitando de cabeça baixa a rídicula posição social de mulher do lar, obrigadas a sermos mulheres superpoderosas full-time e não termos celulite. E quando alguém nos disser "você não agüenta essa caixa", sejamos humildes para aceitar que nosso corpo tem uma estrutura muscular menos desenvolvida e que nem toda igualdade é saudável.
Ainda não sei se concordo com a homenagem no calendário, mas deixo aqui meus parabéns pelo nosso dia. E a propósito, nunca ganhei um buquê de rosas. Fica a dica!
2 comentários:
nahhhhh
que isso!
parem de queimar sutiãs
depois vão ficar com os peitos caídos...
parabéns pelo dia!
atrasado, mas vale né?
eu odeio buquês de rosas. ficadica.
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