sábado, 14 de março de 2009

Um pouco sobre tudo.

Vou tentar não parecer demoniacamente pessoal e intransferível nesse post que, por força do destino, estou escrevendo em primeira pessoa como se conversasse com meu terapeuta. Não, eu não tenho um terapeuta, mas por muito tempo fiz do Guilherme a fronha onde pude repousar algumas lágrimas insistentes. Hoje em dia, por ironia do destino, tomo um floral receitado pela Bruna. Ele nunca mais precisou de meus lenços, inclusive. Um pouco mais cedo que agora, me peguei sentada na calçada da rua Baluarte, encostada em um poste onde possivelmente inúmeros cachorros minúsculos e recém-saídos do pet shop mijam diariamente, sentindo o cheiro de chorume de gente rica escorrendo de sacos pretos de lixo e, possivelmente, com o cofrinho a mostra. Final da aula de tendências audiovisuais, pra lá das 5 da tarde. Na verdade, eu sou mesmo é uma grande folgada, que quer ganhar a vida com a tranquilidade de uma borboleta mas vive com a inquietação de uma mariposa. Eu preciso logo de um emprego. Não digo nem tanto pelo dinheiro - preciso ser alguém. 
Ontem o Claudio me perguntou quem eu era. "Vanessa", respondi. E ele falou "te ensinaram a ser o seu nome, mas eu não perguntei o seu nome". Eu não sou a Vanessa. Eu sou o conjunto de todas as Vanessas desse mundo. E de todas as Vanessas, sou todas as Livias, Marcelas, Neuzas, Zés, Rodrigos, Renatas, Thiagos, Larissas e Fernandas. Eu tenho a loucura das Karynas, e a esperança dos Guilhermes. Vi, num mundo de possibilidades e erros, que não sou eu. Não sei o que busco. Não quero. E junto desse emaranhado de sonhos e frustrações, sou aquela gordinha ali, de calça larga e chinelo, que vai te amar e aceitar como você é.
A Sabina falava que não se orgulhava de ser mulher. Eu também não. Aliás, posso viajar por milhões de anos-luz e nunca saberei exatamente do que eu me orgulho. 

Acredito nas funções terapêuticas deste blog que vos fala. Pois bem, sou eu aqui parada em frente a esse já surrado e aniversariante MacBook, esbofeteando teclas e vomitando palavras de cunho depressivo e solitário, mas na verdade isso não passa de uma fuga imensa de mim. Estou aqui, faltam alguns minutos pro domingo, amanhã farei pelo menos um vídeo que está pendente, e acho mesmo que talvez seja essa falta de convívio social que me transforme na Vanessa que perdeu a vontade de enxergar tudo cor-de-rosa. Ufa. Gente feliz é chata. Legal é ser depressivo e apresentar problemas de relacionamento interpessoal. Mas digo que a função deste blog é terapêutica porque existe aí, pra você que está lendo, a opção de interagir com minhas idéias e desabafos, ou simplesmente fechar a página com o devido saco cheio. Eu faria essa última. Nem é maldade, é desvio de atenção mesmo. 

Eu tenho medo. Tava falando pra Bru, eu tenho medo. Eu não sei dizer o que eu sinto com palavras faladas, e mal sei me expressar com as escritas. É de grande facilidade chegar aqui e escrever "estou depressiva, quero morrer", mas é fisicamente torturante digitar frases que demonstrem o quanto eu gosto de alguma pessoa. A Lara me deu o Clockwork Orange versão original outro dia, e eu ainda não consegui dizer que ela é uma das pessoas responsáveis por quase tudo o que eu tenho de bom na minha índole hoje. Eu nunca agradeci as pessoas que me salvaram, não da maneira como eu deveria, e as vezes elas nem sabe que me salvaram. Se alguma delas ler isso, talvez ainda assim duvidem que é com elas. Mas assim que funciona com a Vanessa. Eu vou te amar em silêncio, enquanto me houverem forças, e você só terá isso convertido em palavras no dia que eu tiver certeza de que me ama de volta. Enquanto isso, você será obrigado a entender nos meus olhos o que eu sinto.

Ainda não entendi o que quero escrevendo tudo isso. Talvez seja um grande pedido de desculpas, talvez seja um grande desabafo, ou talvez seja somente uma grande vontade de tentar me entender enquanto martelo as teclas.

Talvez seja um grande obrigada aos meus heróis.

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E agora, pensando num balanço do meu dia, digo com convicção e desespero que consegui, em menos de 24 horas, tomar 2 colheres de pó de guaraná, dormir 5 horas, ter 3 horas de ressaca, estudar por 8 horas, gastar 5 reais em créditos de celular, sentir raiva da humanidade por alguns minutos, ingerir 5 mil calorias e profanar em brados a mãe de um humilde ser humano não-paulistano que ouvia pagode e música sertaneja no volume de 190 db em seu carro tunado e tão não-paulistano quanto o mesmo.

A parte boa? Comi um Whooper do Burger King depois de quase 3 anos esperando por esse momento. Não encontrei problemas em organizar um grupo de estudo para a aula de Tendências do Audiovisual. Consegui mais um vídeo pra editar essa semana. Comprei um vestido lindo ontem! Descobri que nem falei tanta merda ontem a noite, bêbada no msn. Constatei que o Premiere é um tremendo lixo e que eu preciso aprender After Efects. Caí na real. De novo. Ufa.

3 comentários:

Dai Die disse...

"Eu vou te amar em silêncio, enquanto me houverem forças, e você só terá isso convertido em palavras no dia que eu tiver certeza de que me ama de volta. Enquanto isso, você será obrigado a entender nos meus olhos o que eu sinto."

é isso.

Arte em Papel Machê disse...

Que lindo Van, você escreveu isso pois estava num dia ruim, só isso!! Logo, logo melhora!!!
Outra coisa, você falou da Sabina, sobre não ter orgulho em ser mulher.. engraçado, estou lendo a Insustentável Leveza do Ser, e li essa parte hoje mesmo!!!

Matheus Mendes disse...

Whooper!??!?!!

Ah, a felicidade se esconde nas pequenas coisas da vida, e quem disse isso nem sabia o que era um fast food...

Continue assim!