quarta-feira, 4 de março de 2009

Render-me-ei ao BBB

Que rufem os tambores! Joguem aos céus punhados de confetes! Já posso ver o firular das serpentinas e os passos ensaiados das bailarinas que recebem, de braços e pernas abertas, a mais nova adepta do maior conjunto de juquisses da face da terra: DECIDI RENDER-ME AO BIG BROTHER BRASIL.

Também, já era a tempo. O programa já está na sua 386ª edição e, de fato (!), todo mundo assiste. Começou com algumas amigas "ai, pera amiga, espera acabar o BBB e eu já passo na tua casa". Tudo bem, eu pensava, eu entendo que nem todo mundo nesse mundo consegue ser durão ao ponto de negar-se eternamente ao ópio global de todos os verões. Daí vieram outros amigos - esses me surpreenderam. "Ai, o velho", "Ai, a Mirla", tornaram-se recorrentes em conversas de pessoas que até então, eu jurava que só assistiam filmes cult e complexos. Isso tudo começou a me corroer o estômago como uma azia.
Tentei ser complacente: entretenimento, explicavam, e eu sempre caí como patinho. Entretenham-se, ok, eu vou continuar aqui olhando meus seriados do canal pago e jogando conversa fora em bate-papos de msn.
Mas o caldo engrossava a cada dia. E dia chegou esse, em que tive que engolir numa quente noite de terça feira, na intolerável cidade de São Paulo, a frase "mas tá cheia de gostosa, pô". É, amigos. Quando você é cheio de convicções morais e enche o peito com orgulho para bradar "Eu NÃO vejo Big Brother Brasil", sempre tem um amigo com passado punk, filosofia comunista, politizado e inteligente dizendo que tá cheio de gostosa, pô.

Mas isso, apesar de ferir minha integridade moral e dignidade televisiva, ainda não havia sido o suficiente pra me enfiar no mundo das drogas da aldeia global. O que me impulsionou, de fato, foi ver a luta travada entre a vida e a morte da Big Brother Ana Carolina após engasgar-se com um caroço de melancia (qualquer dia escrevo um post enorme falando sobre a atrocidade visual e auditiva da palavra "caroço", aguardem). Vi em fotos o desespero da moça loira e, realmente, gostosa, como foi passar por esse momento angustiante em que a vida estava em jogo. Tudo poderia ruir como num castelo de cartas, por causa de uma mísera semente de melancia.

Isso me fez pensar sobre a vida. Ah! A vida, essa passagem burocrática entre os dois extremos da existência, metamorfoseados em carne e pele, sonhos e derrotas, fracassos e conquistas. Foi nesse momento que vi que o BBB tem a intenção semiótica de mostrar, com simples gestos e movimentos de câmera, o quão tênue é a linha que separa a vida da morte - tão tênue que até mesmo um mísero caroço de melancia seria capaz de acabar com tudo.

ANINHA, FORÇA. Você venceu sua maior batalha, agora o 1 milhão tá no papo.
Deus ajuda quem cedo madruga e quem se engasga.

Ficou curioso? Veja as fotos.


PS: Sim, Karyna, Fernanda, Diego e demais amigos que assistem BBB - esse post é dedicado a vocês.

4 comentários:

Fernanda Galetti disse...

saco... e eu aqui tentando passar desapercebida
¬¬

Karyna disse...

saco... e eu aqui tentando passar desapercebida
¬¬ [2]

Diegonzo disse...

tá bom tá bom
eu admito
mas po, vamos ser sinceros, tá cheio de gostosa mesmo... e meu espírito nihil se sobressaiu nessa declaração bombástica... afinal, somos estômago e sexo, o resto é demagogia e enrolação cultural que varia de macaco pra macaco, de país pra país...
beibe, mas essa tua analogia "A vida, essa passagem burocrática entre os dois extremos da existência, metamorfoseados em carne e pele, sonhos e derrotas, fracassos e conquistas" foi muito boa.
Longa vida Às pessoas pensantes desse planeta fudido!

vênus disse...

eu não gostava do tal bbb.
nesta edição, descobri um blog, onde as pessoas curtem "discutir" o comportamento humano dentro da "casa mais vigiada do brasil".
www.bigbostabrasil.com.br
é engraçado. comentários interessantes sobre cada participante, contando com as opiniões bem parciais dos autores do blog.